Um mês após sua Páscoa, Antônio Canuto continua sendo presente na caminhada do Deus dos pobres junto aos pobres da terra. Um dos frutos desta semente é o livro “Peregrino por Terra, Teto e Trabalho: Um padre além dos muros da Igreja”, que já se encontra em produção na editora e em breve estará nas mãos do público para ser saboreado. O livro conta a trajetória da vida do padre Severino Leite Diniz, peregrino por terras maranhenses, piauienses, paraenses e amazonenses e hoje atuante na CPT São Paulo, junto a outros tantos movimentos comunitários e sociais como o MST e a luta por teto e trabalho.
A família decidiu manter a publicação e o lançamento do livro, com datas que serão divulgadas em breve. A publicação já está com venda antecipada até o próximo dia 15 de janeiro para cobrir os custos da produção, com um desconto especial no valor de capa, de R$ 40,00 por R$ 35,00, incluso o envio pelos correios na modalidade de registro módico. Ao adquirir 5 ou mais exemplares, o valor unitário será de R$ 30,00. Em caso de pedido de 50 exemplares ou mais, o valor poderá ser negociado.
O pagamento pode ser efetuado por meio de Pix ou depósito em conta poupança (dados seguem abaixo). Ao efetuar a compra, enviar comprovante com o endereço correto do local de entrega e nome completo para o Whatsapp: (62) 99544-8667 (falar com Luana Silva Canuto).
“Esse livro (…) nos vem como presente maravilhoso para reanimar a esperança e nos assegurar que, em meio a tantos desacertos, há pessoas maravilhosas e exemplos de fé e de solidariedade amorosa que se constituem como profecias e um novo mundo necessário e possível. (…) é esse amor de justiça solidária e ternura revolucionária que Canuto revela ser a chama que mantém de pé o padre Severino, chama de solidariedade amorosa, … é nova como cada amanhecer.” (Marcelo Barros, no prefácio do livro)
Dados de pagamento antecipado (R$ 35,00)
PIX: CPF 031.468.671-17
Depósito: Banco Bradesco – Agência 0140 – Conta Poupança 1015217-8
Titular: Luana Silva Canuto
Por Memorial das Ligas e Lutas Camponesas
Edição: Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)
Arte: Chico Shiko / Design: Diego Rezende
Celebrar o centenário de Elizabeth Teixeira é mais do que uma homenagem; é um compromisso coletivo com a memória e a história das lutas camponesas no Brasil. Este evento é uma oportunidade de reafirmar os valores da resistência e da dignidade da classe trabalhadora do campo.
De 13 a 15 de fevereiro, em Sapé/PB, será realizado o Festival da Memória Camponesa: Uma celebração ao Centenário de Elizabeth Teixeira - com uma programação cultural e política para honrar a memória e o legado de Elizabeth, que, desde a morte de seu companheiro, João Pedro Teixeira, assassinado a mando dos grandes latifundiários, no dia 02 de abril de 1962, se tornou símbolo de resistência e luta pela terra, justiça social e reforma agrária.
Elizabeth Altina Teixeira, nasceu em 13 de fevereiro de 1925, na comunidade de Antas do Sono, na época, município de Sapé, Paraíba. Filha mais velha de Altina Maria da Costa de origem latifundiária e Manoel Justino da Costa de família de pequenos proprietários de terra.
Elizabeth enfrentou desde cedo as expectativas impostas pelo pai, que desejava ter um homem como primogênito. Desde jovem, ela demonstrava inconformismo com as injustiças praticadas pelos grandes proprietários de terra contra as famílias camponesas.
Presa várias vezes, perseguida pela ditadura e por jagunços, teve que ir para a clandestinidade após o assassinato do marido. Após a morte de João Pedro, ela assumiu a presidência da Liga Camponesa de Sapé e depois a Liga no Estado, não se curvando às ameaças dos latifundiários e dando continuidade à luta por trabalho digno, reforma agrária e justiça no campo.
Fugindo da perseguição, Elizabeth e os 11 filhos não conseguiram seguir juntos para escapar da morte, indo cada um para um canto diferente do Brasil. Na clandestinidade, adotou um nome falso e ficou escondida por 17 anos. Até hoje, Elizabeth mantém sua convicção na necessidade da reforma agrária e na melhoria de vida do homem e da mulher do campo.
13 de fevereiro: Encontro de familiares e amigos, lançamento da exposição “Elizabeth Teixeira: 100 faces de uma mulher marcada para viver” e programação cultural no Memorial das Ligas e Lutas Camponesas (evento restrito a Elizabeth e familiares).
14 de fevereiro: Marcha da Memória Camponesa, com saída da Capelinha João Pedro Teixeira até o Memorial, e apresentações culturais de resistência.
15 de fevereiro: Feira Cultural da Agricultura Familiar Camponesa, seguida de um ato político com autoridades e atividades culturais na Praça de Sapé.
A celebração conta com o apoio do poder público (Governo Federal, Governo do Estado da Paraíba e Prefeitura de Sapé), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST).
Assessoria de Comunicação - CPT Regional Nordeste 2
A Comissão Pastoral da Terra Nordeste 2 (CPT NE2) faz uma análise das principais questões que impactaram os povos da terra, das águas e das florestas em 2024, ano marcado por importantes lutas e conquistas, mas também por desafios que foram especialmente evidentes na área ambiental e na reforma agrária. Por mais um ano, o governo não avançou nas necessárias desapropriações de terras e nas demarcações de territórios tradicionais, medidas fundamentais para combater a fome e promover transformações profundas na estrutura fundiária do país, e sem as quais persistirão os graves e históricos problemas que afligem o povo brasileiro. Diante desse cenário, é preciso lembrar: sem a democratização do acesso à terra não há democracia no Brasil.
Para dificultar ainda mais a marcha pelas necessárias transformações sociais, uma ordem mundial marcada por valores fascistas e perversos continuou a se alastrar como um vírus em 2024. Se, há alguns anos, a extrema-direita era apenas um espectro político à espreita, hoje ela assume um papel cada vez mais alarmante no país, desafiando profundamente a própria compreensão do que significa humanidade e civilização. Mesmo diante de acentuados obstáculos e das difíceis batalhas travadas, as comunidades camponesas renovaram as suas razões profundas para persistir na luta e para preservar a ESPERANÇA.
Reforma agrária, titulação e demarcação dos territórios tradicionais
O acesso à terra, garantido pela Constituição Federal por meio da desapropriação, titulação e demarcação, continuou sendo um dos principais desafios para alcançar justiça social e paz no campo em 2024. A ausência de ações efetivas nessas áreas perpetua as mais antigas chagas que marcam a história do Brasil: a concentração de terras e os persistentes conflitos agrários.
No segundo ano do terceiro mandato do governo Lula, a política de reforma agrária mostrou-se similar à de seus antecessores: não foi tratada como uma prioridade estratégica e estruturante para o país. As desapropriações de terras permaneceram muito distantes do mínimo necessário para atender às mais de 100 mil famílias sem-terra, assim como as demarcações de territórios pertencentes a povos e comunidades tradicionais. Faltou vontade firme até para resolver os graves conflitos agrários. Faltaram também recursos orçamentários adequados após mais de uma década de desmonte causado por governos anteriores.
Em 2024, para a obtenção de terras por meio da desapropriação ou por compra direta, o Incra teve um orçamento bastante reduzido, de insignificantes R$ 520 milhões, sendo R$ 383 milhões previstos para famílias sem-terra e outros R$ 137 milhões para a titulação de territórios quilombolas. Em contraste, o governo concedeu cerca de R$30 bilhões só em isenções fiscais para empresas do agronegócio, um valor muito superior ao destinado à reforma agrária.
Enquanto se omitia do dever constitucional de desapropriar terras descumpridoras da função social, o governo continuou oferecendo o crédito fundiário como “saída” e alternativa principal para a grande maioria das famílias camponesas que lutam por terra. Como resultado dessa política, a atuação governamental se restringiu aos quase inexistentes casos em que havia anuência ou interesse de grandes proprietários na desapropriação.
Entre os pontos positivos de 2024, destacam-se a abertura de diálogo, como a Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários do MDA, a escuta das reivindicações e importantes anúncios, como o programa Terra da Gente, que promete uma espécie de “prateleira de terras”, e a Portaria Interministerial AGU/MDA/MF, que regulamenta o processo de adjudicação em favor da reforma agrária e permite a entrega direta de imóveis penhorados de grandes devedores à União. Essas medidas são fruto das intensas lutas de comunidades, organizações e movimentos sociais que clamam pela reforma agrária e denunciam que muitos conflitos agrários ocorrem em terras de empresas falidas com dívidas multimilionárias com o Estado. Embora esses anúncios sejam positivos, ainda não tiveram nenhum efeito prático e, além disso, devem ser considerados como complemento à política de reforma agrária já prevista na Constituição.
No que diz respeito aos investimentos para a agricultura familiar camponesa, o valor destinado ao Pronaf, em 2024, foi de R$76 bilhões - 43,3% maior do que o anunciado na safra 2022/2023 e 6,2% maior do que o da safra passada, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Esse foi um avanço reconhecido pelas comunidades e organizações sociais do campo, mas é preciso alertar que persiste uma distribuição profundamente desigual e injusta dos investimentos e dos financiamentos com recursos públicos, pois o agronegócio, em 2024, recebeu R$400,58 bilhões apenas por meio do Plano Safra.
Além disso, destacamos com grande preocupação o acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul, no final de 2024, que trará graves consequências para a agricultura camponesa no Brasil. Esse acordo reforça uma relação colonialista entre os blocos e fortalece o agronegócio, responsável por atrocidades ambientais e sociais irreparáveis.
Enquanto o Estado tratar o latifúndio como um dogma e o agronegócio como o seu projeto para o campo brasileiro, o país não avançará no combate à fome, nem enfrentará de modo definitivo a injustiça social, a desigualdade, a violência, a devastação ambiental e o trabalho escravo no campo, do qual foram resgatados 441 trabalhadores apenas no primeiro semestre de 2024, segundo dados parciais da CPT. Enfrentar essas mazelas exige uma transformação radical da estrutura fundiária do país, com a desapropriação de terras e a demarcação de territórios tradicionais, uma tarefa essencial que, até o momento, não foi realizada pelo governo Lula.
Conflitos no campo
Segundo dados preliminares da CPT, o Brasil registrou 1.056 ocorrências de conflitos agrários no primeiro semestre de 2024. A maior parte desses conflitos poderia ser resolvida de forma rápida, caso o Incra e a Funai tivessem condições, orçamento e estrutura para atuar de maneira enérgica e eficaz, sobretudo nos casos que já se tornaram emblemáticos por persistirem durante anos, ainda que, paradoxalmente, sejam de fácil resolução, considerando que bastaria aplicar a legislação e a Constituição.
Um exemplo é o conflito relacionado às terras da falida Usina Frei Caneca, cuja dívida aos cofres públicos ultrapassa, em muito, o valor patrimonial dos seus imóveis rurais. Situada no município de Jaqueira, Mata Sul de Pernambuco, a área abriga mais de 1.500 famílias agricultoras posseiras que, apesar de morarem e produzirem no local há muitas gerações, lutam pelo direito de permanecer em suas terras, enquanto enfrentam uma série de atos violentos e ameaças perpetradas pela Agropecuária Mata Sul. A empresa é arrendatária do imóvel rural, que opera sob um contrato com evidentes sinais de falsidade ideológica e simulação. A intensidade da violência ocorrida no local nos últimos anos transformou o município de Jaqueira em um dos dez mais conflituosos do Brasil.
Outro aspecto preocupante destacado nos dados parciais da CPT foi o aumento recorde da violência relacionada à contaminação por agrotóxicos no país. Para o agronegócio, esses venenos já se consolidaram como verdadeiras armas químicas, utilizadas para inviabilizar a permanência de povos e comunidades que vivem, plantam e resistem em terras e territórios que lhes pertencem e que são alvos constantes de conflitos agrários. Somente no primeiro semestre de 2024, segundo os dados preliminares, houve 182 ocorrências de contaminação por agrotóxicos, o que representou um expressivo e absurdo aumento de 857,89% em comparação com o ano anterior, quando foram registrados 19 casos. A maior parte dessas ocorrências foi causada pela pulverização aérea de agrotóxicos, que afetou de forma severa a vida de diversas comunidades, suas plantações, solo e fontes de água.
Os dados parciais ainda revelam que as famílias camponesas posseiras tornaram-se os principais alvos de violência nos conflitos por terra, com 235 registros, seguidas pelos povos indígenas (220), quilombolas (116) e sem-terra (92). Já no que diz respeito aos promotores da violência, pelo segundo ano consecutivo, os fazendeiros foram identificados como os principais responsáveis, com 339 ocorrências, seguidos pelos empresários (137), pelo próprio governo federal (88), por diversos governos estaduais (44) e por grileiros (33).
A situação só não foi mais grave em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, que, desde a pandemia, obrigou os tribunais brasileiros a formar comissões de mediação para buscar alternativas ao mero despejo judicial de comunidades camponesas inteiras. Essa decisão reforçou perante os tribunais que é um direito constitucional que o Estado brasileiro garanta a permanência das famílias agricultoras nos imóveis onde residem e produzem há décadas. Quando isso não for possível, caso não haja condições de desapropriar e manter as comunidades em suas terras, o Estado deve assegurar uma área adequada para a transferência, evitando os meros e injustos despejos judiciais, historicamente tão comuns no país.
Embora o avanço no posicionamento do STF seja positivo, ele é apenas uma parte da solução para os profundos problemas fundiários brasileiros. A solução definitiva é aquela que povos, comunidades e suas organizações reivindicam: o governo federal deve honrar seus deveres constitucionais desapropriando terras e demarcando territórios. Para isso, é necessário assegurar orçamento adequado, infraestrutura e, acima de tudo, vontade política para implementar de fato a reforma agrária, algo que, até o momento, ainda não ocorreu neste terceiro mandato do Presidente Lula.
Ameaças à Casa Comum
2024 superou a temperatura média global de 2023, tornando-se, com isso, o ano mais quente desde que os registros de temperaturas começaram a ser feitos no mundo. “Estamos a caminho de um suicídio planetário”, alertou o professor Carlos Nobre, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, COP 29, realizada em novembro no Azerbaijão. No Brasil, incêndios, ondas de calor, secas, inundações, deslizamentos e enchentes afetaram severamente o povo do campo e da cidade. Foram destaques a cheia no Rio Grande do Sul e as queimadas que devastaram o território nacional.
Entre janeiro e setembro de 2024, 22,38 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo no país, uma área maior do que muitos países europeus. Esse número representa um aumento de 150% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Mais da metade dessa área (51%, ou 11,3 milhões de hectares) está situada na Amazônia. Enquanto a população segue vulnerável e perplexa diante da emergência climática, omite-se o fato de que grande parte dessas queimadas é provocada de forma criminosa, como estratégia para a abertura de novas fronteiras agrícolas. É imperativo, portanto, reafirmar que, no Brasil, o agronegócio desempenha um papel central no agravamento das mudanças climáticas.
Por outro lado, o debate sobre o combate aos efeitos das mudanças climáticas, por mais um ano, resumiu-se às falsas soluções, como a implementação de megaempreendimentos eólicos e solares. Apresentados como “sustentáveis” e “verdes”, esses grandes projetos seguem as mesmas práticas capitalistas predatórias e devastadoras de sempre. No Pampa, na Caatinga e em áreas costeiras do Nordeste e do Sul, esses empreendimentos de energia solar e eólica, longe de serem limpos ou sustentáveis, têm sido grandes causadores de devastação ambiental e de desestruturação de comunidades inteiras.
No Oeste do Rio Grande do Norte, por exemplo, as usinas eólicas destruíram a produção de alimentos agroecológicos e as experiências de convivência com o semiárido de inúmeras famílias camponesas. Em algumas comunidades de Pernambuco, como Sobradinho, Lagoinha e Pau Ferro, situadas no município de Caetés, esses empreendimentos estão devastando, de modo irreversível, a Caatinga, a saúde e a vida de centenas de famílias que vivem no campo. Para agravar o quadro, o mar também se tornou alvo desses grandes empreendimentos. Em dezembro, o Senado Federal aprovou o texto-base do Projeto de Lei (PL) nº 576/2021, que regulamenta a exploração de energia eólica offshore no Brasil.
A tão falada “transição energética” está se transformando em uma verdadeira “transação energética”, já que o modelo de geração de energia renovável implementado no Brasil, a partir do sol e dos ventos, está provocando, em nome do lucro de poucas empresas, uma onda perversa de violação de direitos humanos, apropriação de territórios camponeses e devastação de biomas ameaçados e fundamentais para combater os efeitos das mudanças climáticas.
Apesar de 2025 começar com grandes expectativas de avanço no tema, especialmente a partir da realização da COP 30, o país só conseguirá desviar seu curso em direção ao abismo se atender aos clamores dos povos do campo, abandonar o atual modelo de produção de energia a partir de fontes renováveis - igualmente nocivo ao meio ambiente e aos povos - e agir firmemente para conter o avanço do agronegócio e seus malefícios e crimes predatórios. É imprescindível reconhecer, acima de tudo, que o combate aos efeitos destrutivos do sistema capitalista sobre a natureza e sobre a humanidade requer uma transformação radical, uma revolução que atente para o que povos e comunidades camponesas espalhados pelo Brasil e pelo mundo já estão fazendo para viver e cuidar da Casa Comum.
Mobilizações
Por mais um ano, povos e comunidades camponesas do Brasil não abriram mão de seu papel de ocupar latifúndios, praças e ruas para denunciar a concentração de terras, a desigualdade, a injustiça social e a violência no campo. Mesmo diante de um governo reconhecidamente aberto ao diálogo e contrário à extrema-direita, prevaleceu o descontentamento em relação a tudo o que poderia ter sido realizado, mas não foi, para avançar na reforma agrária, na demarcação de territórios tradicionais e no fortalecimento da agricultura camponesa. De acordo com dados preliminares da CPT, no primeiro semestre de 2024 foram realizadas 295 manifestações de luta que mobilizaram 74.236 camponeses e camponesas em todo o país. Algumas dessas mobilizações ganharam repercussão nacional.
Em março, milhares de mulheres camponesas, somadas às que vivem na cidade, foram às ruas em todo o Brasil para dar um basta na violência; também nesse mesmo mês, foi realizada a 15ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, na cidade de Areial (PB); em abril, durante a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, o MST realizou 31 ocupações em diversos estados brasileiros; no mesmo mês, cerca de 9 mil indígenas, representantes de mais de 200 povos, mobilizaram-se em Brasília para marcar os 20 anos do Acampamento Terra Livre; em maio, foi a vez de mais de 10 mil agricultores e agricultoras familiares ocuparem a capital federal durante o 24º Grito da Terra Brasil; já o mês de setembro foi marcado pelos 30 anos do Grito dos(as) Excluídos(as), com mobilizações de canto a canto do país.
Além de ocupar latifúndios, praças e ruas, diversos movimentos sociais decidiram levar a luta por mudanças para dentro das estruturas do Estado. Nesse contexto, cresceram as candidaturas lançadas por indígenas, sem-terra, quilombolas e sindicatos, com o objetivo de conquistar espaço em prefeituras e câmaras municipais. No entanto, é preciso reconhecer os limites para forjar transformações por dentro de um Estado cujas raízes permanecem profundamente colonialistas e capitalistas.
O cenário atual aponta para tempos difíceis, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando. Mais do que nunca, é fundamental fortalecer, desde já, a mobilização em torno de um projeto popular capaz de romper com os valores nefastos da extrema-direita e com a lógica perversa do capitalismo. A tarefa exigirá dedicação cotidiana na luta pela transformação radical da sociedade, fundada na superação das desigualdades e opressões estruturais, na solidariedade, na justiça social e no cuidado com a Casa Comum.
A esperança está no campo!
Ao fim de mais um ano, precisamos reconhecer que vivemos o aprofundamento de grandes desafios políticos, éticos e sociais. Enquanto os ricos e as elites burguesas seguem ostentando seus lucros, os/as empobrecidos/as e injustiçados/as seguem lutando incansavelmente por uma Terra sem Males. Mas a esperança não é uma palavra vazia, “um vago desejo de que as coisas corram bem. A esperança é uma certeza”, como afirma o Papa Francisco. Guardiões e promotores da esperança, os povos da terra, das águas e das florestas já estão forjando outro mundo, segundo princípios e valores de solidariedade, vida comunitária, cuidado com a Casa Comum e agroecologia. É preciso e urgente aprender com esses povos e reconhecer que as saídas para muitas mazelas sociais que precisamos superar imediatamente - como a fome, a devastação, a ganância capitalista - já foram apresentadas e estão sendo praticadas por eles. A esperança desses povos não é uma virtude passiva, que se limita a “esperar”, aguardando de braços cruzados ou suplicando ao divino para que as coisas aconteçam. Para os povos do campo, a esperança é uma virtude ativa e revolucionária, que impulsiona, motiva e anima a marcha por uma nova humanidade, já em curso.
Edição: Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)
Com informações da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, ABRASCO e Fiocruz
Foto: Wenderson Araujo / Divulgação
Em poucas horas, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou e o governador Elmano de Freitas (PT) sancionou, na mesma noite desta quinta-feira (19), o Projeto de Lei 19.135, que autoriza a pulverização aérea de agrotóxicos por drones no estado. Até então, o Ceará era o único estado brasileiro que proibia a pulverização de agrotóxicos aérea por aviões.
O projeto de lei, que libera a pulverização de agrotóxicos no estado por meio de drones, aeronaves remotamente pilotadas (ARPs) ou veículo aéreo não tripulado (Vant), na prática alterou a Lei Zé Maria do Tomé, de 2021. A Lei, curiosamente elaborada pelo próprio Elmano de Freitas, que era deputado estadual na época, proibia a pulverização aérea de agrotóxicos e que fez do Ceará o primeiro estado brasileiro a definir este tipo de proibição. A lei leva o nome do agricultor e defensor dos direitos humanos José Maria Filho, assassinado por lutar contra a pulverização aérea de agrotóxicos e a favor da agricultura familiar, da saúde e meio ambiente.
O gesto do governador atropelou qualquer possibilidade de mobilização por parte de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, que buscavam pressionar pelo veto ao projeto. A rápida sanção da lei representa, segundo críticas, uma clara demonstração de que o governo estadual cedeu às pressões do agronegócio e seus interesses econômicos.
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, juntamente com outras organizações, alerta que a medida vai na contramão das políticas ambientais e de saúde pública. Os movimentos destacam a urgência de que o governo estadual priorize a soberania alimentar e os direitos humanos, em vez de favorecer os interesses econômicos do agronegócio.
Em nota publicada nesta quinta-feira (19), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também se posicionaram contra a pulverização de agrotóxicos e reafirmam a importância da Lei Zé Maria do Tomé. As entidades denunciam que centenas de casos de contaminação acidental ou deliberada por agrotóxicos no Brasil, como recentemente no Mato Grosso, envolvendo a pulverização aérea de agrotóxicos que destruiu 80 mil hectares do Pantanal, têm sido denunciados em fóruns internacionais por entidades representativas da sociedade civil organizada, e nos principais meios de comunicação do país.
"A contaminação por agrotóxicos nas comunidades rurais aumentou quase 10 vezes no primeiro semestre de 2024 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Somente no Maranhão, nesse mesmo ano, mais de 100 comunidades foram atingidas pela pulverização aérea de agrotóxicos, situação que vem se agravando e já contou com nota de repúdio assinada pela ABRASCO", afirma trecho da Nota.
As entidades também alertam para a quase inexistência de estudos sobre o impacto do uso de drones para a aplicação de agrotóxicos na saúde e no ambiente, que ainda não conseguiram acompanhar a velocidade do mercado em sua propagação de uso massivo, em termos da apresentação de resultados para a tomada de decisões para as políticas públicas mais protetivas.
Segundo dados disponibilizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em seu portal de Dados Abertos, somente até este final de ano, o Brasil contava com mais de 182 mil drones registrados, dos quais 5.929 foram categorizados no ramo de atividade "Pulverização e aplicação de outros insumos - Aeroagrícola".
Foto: Dados da ANAC sobre registros de drones. Acesso: 20/12/2024.
Por Rafael Oliveira | CPT João Pessoa
Espaço de resistência camponesa, de garantia de segurança alimentar, de pesquisa e de convivência, a Feira Agroecológica da Ecovarzea, realizada no Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, celebra 23 anos de existência neste dia 29 de dezembro de 2024.
Há mais de duas décadas, camponesas e camponeses de diversos assentamentos da região mantêm, semanalmente, a feira que é referência na capital paraibana e inspirou experiências em outras cidades e, inclusive, em outros estados, como Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas.
Parceira desde as discussões para a criação da Feira Agroecológica da UFPB, como é popularmente conhecida, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de João Pessoa comemora mais um ano de resistência desse espaço de afirmação da produção de alimentos agroecológicos e da cultura camponesa do estado da Paraíba.
“Para nós, da CPT, a gente avalia como uma experiência assertiva. Primeiro como um canal, uma alternativa de comercialização dos produtos das famílias camponesas. Logo quando a gente iniciou, no início dos anos 2000, a produção proveniente dos assentamentos não tinha receptividade nas feiras locais”, recorda Tânia Maria, agente da CPT de João Pessoa. “O pessoal vinha comprar no Ceasa, mas os nossos produtos ficavam lá na periferia e sem atrativos. Então, a feira aqui foi uma alternativa muito grande para a população e para as famílias camponesas”, acrescenta.
Apesar de notoriamente estabelecida e exitosa, Tânia destaca que a implementação da feira teve diversos desafios em seus primeiros passos. “Era impressionante como a cidade nos tratava como forasteiros, baderneiros, tomadores de terra dos outros. A partir dessas feiras, que essa foi a primeira e depois outras foram se multiplicando, a gente começou a ter a opinião pública já ao nosso favor”. Atualmente, considerando apenas João Pessoa, já são sete feiras agroecológicas em diversos pontos da cidade.
Durante esse percurso, segundo Tânia, mais pessoas passaram a conhecer a luta camponesa pela reforma agrária, pela produção de comida de verdade para combater a fome, dentre outras pautas sociais que envolvem as comunidades integradas à feira.
“Quando esses alimentos começaram a chegar aqui, e começou a existir o diálogo com a sociedade urbana, a opinião pública sobre a necessidade da reforma agrária foi mudando e foi atraindo outras pessoas. Não ficou só na academia, na Universidade. Outras pessoas dos bairros começaram a se chegar”, destaca agente pastoral.
O início da feira contou com a parceria determinante do mandato do então Deputado Estadual, Frei Anastácio, da Arquidiocese da Paraíba, da Cáritas Brasileira, além da CPT João Pessoa. Notadamente, desde a primeira edição da feira até hoje, nenhum esforço e perseverança foi maior do que o das camponesas e camponeses que plantam, colhem, comercializam os alimentos e se organizam por uma sociedade mais justa e igualitária.
Como resultado deste processo, há hoje a Rede Agroecológica Produzindo Saúde e Multiplicando Vidas, composta por cinco Organizações de Controle Social (OCSs). São elas: Ecovarzea, Ecosul, Ecocap, Ecovale e a Associação dos Orgânicos. Todas certificadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e participantes da Comissão de Produtores Orgânicos (CPORG), que é coordenada pelo Mapa.
A existência de feiras agroecológicas faz parte de uma cadeia muito importante, tanto de proteção ao meio ambiente e da herança cultural do nosso povo, como de uma resistência social e representatividade, sendo a culminância de um processo que tem início com a reforma agrária e a justiça social, o plantio, a colheita, a manutenção dos saberes tradicionais e a sustentabilidade, gerando renda e fazendo a economia crescer e circular localmente. Que possamos manter esse legado das feiras vivo e vê-las se desenvolverem cada vez mais em número, tamanho e importância.
Devolutiva ocorreu na Roda de Conversa “Impactos dos Agrotóxicos nas Comunidades do Campo”, que fez parte da “Jornada Contra os Agrotóxicos em Defesa da Vida em Goiás”
Por Marilia da Silva / CPT Goiás
Grito das comunidades contra os Agrotóxicos e pela Vida (Foto: Marilia da Silva)
No dia 26 de novembro, o Acampamento Leonir Orback recebeu a Missão Territorial da “Jornada Contra os Agrotóxicos em Defesa da Vida em Goiás”, um encontro entre comunidade, pesquisadores, ativistas e jornalistas para debater como os agrotóxicos têm impactado a vida das famílias locais.
Para este diálogo, foi organizada a Roda de Conversa “Impactos dos Agrotóxicos nas Comunidades do Campo”, que contou também com a participação de famílias de outras comunidades, em diferentes regiões do estado, que vivem realidades semelhantes à do acampamento.
Carlos Bonfim e Nilva Machado, do Acampamento Leonir Orback, narram a realidade da comunidade (Fotos: Heloisa Sousa)
“As pessoas ficam com problemas na pele, diarréia, enjôo, e quando vão no postinho o médico diz que é virose. Mas a gente, que a acompanha, sabe que é sempre na época que bate o veneno na soja [em área vizinha]”, contou Nilva Machado, que abriu a mesa com um breve relato sobre os problemas de saúde vividos pelas famílias da comunidade.
Para moradores do Leonir Orback, além de um momento de formação, a roda foi espaço de devolutiva dos resultados de estudos realizadas com material coletado por pesquisadores de diferentes instituições. A comunidade vem, há anos, denunciando problemas de saúde desencadeados no período mais intenso de pulverização nas lavouras vizinhas, localizadas muito próximas às suas casas.
Água com Veneno
Um dos resultados apresentados para a comunidade, foi da análise de duas amostras de água colhidas em 2022 no acampamento. O estudo foi realizado por equipe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicado em Vivendo em Territórios Contaminados: Um dossiê sobre agrotóxicos nas águas do Cerrado, pela Campanha Cerrado.
Fernanda Savicki, coordenadora da pesquisa, esteve presente no território para falar sobre os resultados da pesquisa: nas duas amostras coletadas na comunidade foram encontrados cinco diferentes tipos de substâncias agrotóxicas, pelo menos duas delas já banidas da União Europeia: a Artrazina e o Fibronil. Também foram encontrados o Glifosato, o 2.4-D e o Etofenprox, substâncias também altamente tóxicas às pessoas e ao ambiente.
Fernanda Savicki apresenta pesquisa da Fiocruz publicada pela Campanha Cerrado (Fotos: Heloisa Sousa)
Estudos científicos associaram o Glifosato, o Fipronil e o 2.4-D ao desenvolvimento de vários tipos de câncer em seres humanos. A Artrazina, o Glifosato e o 2.4-D são considerados como desreguladores do sistema endócrino. De acordo com a legislação brasileiras, estes dois fatores deveriam impedir a liberação do uso destas substâncias na agricultura, mas o que acontece na prática, ainda hoje, é que os níveis considerados aceitáveis para presença dessas substâncias na água de consumo da população são exorbitantes, muito acima do que é ou já foi aceito na União Europeia, por exemplo.
A Artrazina sequer tem um limite estabelecido como aceitável no Brasil: a presença deste veneno na água, em qualquer quantidade, não impede que ela seja considerada adequada para uso humano.
O Fipronil está ainda diretamente relacionado com a mortandade em massa de abelhas, uma grave ameaça à biodiversidade e à produção de alimentos em todo o mundo. O Etofenprox, além de nocivo às abelhas, também é altamente tóxico para vidas aquáticas.
Os relatos de moradores de outras comunidades do campo presentes na roda de conversa mostraram como o problema é uma realidade comum entre famílias do campo em Goiás. Maria Lúcia, integrante do grupo de mulheres apicultoras do Assentamento Dom Fernando, localizado em Itaberaí (GO), conta que os casos de mortandade de abelhas são constantes na região. A agente pastoral Marta Jacinto também compartilhou um relato sobre a convivência com comunidades de Silvânia (GO), também rodeadas pelas plantações de soja.
Agente pastoral Marta Jacinto e apicultora Maria Lúcia dão seus relatos à plenária (Fotos: Heloisa Sousa e Marilia da Silva)
Pesquisa da UFG aponta para intoxicação
Equipe do Laboratório de Mutagênese da Universidade Federal de Goiás (Labmut/UFG), que realiza estudos de monitoramento do impacto dos agrotóxicos na saúde de trabalhadores rurais do estado de Goiás, também esteve presente na Roda de Conversa para apresentar os resultados da análise de material genético colhido no Acampamento Leonir Orback no último mês de julho.
Apresentação da pesquisa do Labmut/UFG, por Andreya Gonçalves (Foto: Marilia da Silva)
Ao todo, 43 moradores da comunidade participaram da pesquisa, que analisou as danos ao material genético colhido associados à exposição a substâncias agroquímicas. A análise foi apresentadas pela pesquisadora Andreya Gonçalves e mostra a presença de quebras de DNA, apesar de o tipo de exposição dos moradores do acampamento ser apenas de forma indireta.
“Pretendemos voltar ao acampamento Leonir para realizar novas coletas. Para ter um resultado mais preciso, precisamos realizar o Biomonitoramente, com várias coletas, próximas e distantes dos períodos de pulverização, para tirar uma conclusão sobre como isso está afetando as pessoas”, explicou Daniela Mello, coordenadora da pesquisa. De acordo com moradoras do acampamento, os lavoureiros vizinhos pularam a plantação de milho do último mês de julho, a chamada Safrinha. Assum, a exposição à pulverização foi menos intensa no período que o material foi coletado para a pesquisa.
A pesquisa também incluiu a dosagem da enzima Colinesterase nas amostras de sangue coletadas, exame que faz parte do protocolo de identificação de intoxicação por agrotóxicos estabelecido pelo Ministério da Saúde. O resultado apontou para possível episódio de intoxicação de 4 pessoas do acampamento.
Zonas Livres de Agrotóxicos
Roberta Quirino, da Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e em Defesa da Vida, avaliou que, os dados destas pesquisas, que mostram a contaminação de corpos e territórios, mostram a necessidade de construir ações concretas para que as violações de direitos relacionadas ao agroquímicos se reduzam. Ela usou o exemplo do Rio Grande do Sul, onde comunidades conseguiram assegurar, por lei, os seus terrítórios e áreas de segurança como Zonas Livres de Agrotóxicos.
A criação deste tipo de proteção em áreas onde se produz de modo agroecológico é um das bandeiras da Campanha, juntamente com o banimento, no Brasil, das substâncias que já foram proibidas em outros países e regiões pelo mundo.
Gerailton Ferreira, da CPT Goiás, trouxe uma importante reflexão sobre a questão dos agrotóxicos, que faz parte de todo um sistema produtivo e econômico que envenena nossos corações. “Precisamos descontaminar não só o nosso solo e nossa água, mas a nós mesmas. Infelizmente o sistema conseguiu também contaminar corações com o ódio. Estamos em um momento em que a gente vê mas não enxerga, escuta mas não ouve, e ficamos achando que sozinhos conseguimos superar nossos problemas”, apontou Gerailton, chamando as comunidades para a ação coletiva organizada.
Roberta Quirino, da Campanha Contra os Agrotóxicos, e Gerailton Ferreira, da CPT Goiás (Fotos: Heloisa Sousa)
No dia seguinte à Missão Territorial, a Jornada Contra os Agrotóxicos em Goiás realizou a Audiência Pública “Impactos dos Agrotóxicos em Goiás”, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, para debater a questão com o conjunto da sociedade goiana e parlamentares.
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Massacres no campo
#TelesPiresResiste | O capital francês está diretamente ligado ao desrespeito ao meio ambiente e à vida dos povos na Amazônia. A Bacia do Rio Teles Pires agoniza por conta da construção e do funcionamento de uma série de Hidrelétricas que passam por cima de leis ambientais brasileiras e dos direitos e da dignidade das comunidades locais.