COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

O I Encontro Nacional dos Núcleos de Agroecologia reunirá, de 8 a 11 de setembro, em Luziânia, mais de 170 pessoas de diferentes Instituições de Pesquisa, Ensino e Extensão de todo o Brasil.

 

(Fonte: ABA / Fotos: Pablo Vergara).

Sim, é possível construir – dentro e fora das universidades – caminhos para que o ensino, a pesquisa e a extensão possam seguir juntos. Essa é uma das principais propostas dos Núcleos de Agroecologia apoiados, desde 2010, pelos editais públicos construídos pelo CNPq, em parceria com diferentes ministérios.

Desde então, mais de 282 Núcleos de Agroecologia foram criados e estão enraizados nas cinco regiões do país. Para além de projetos, os Núcleos são considerados espaços dialógicos onde acontecem os processos contínuos de formação e interação nos territórios onde estão inseridos. Para Irene Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e coordenadora do projeto de Sistematização de Experiências, “Os Núcleos representam a continuidade de um trabalho muito anterior construído pelos grupos de agricultura alternativa nas universidades e nos órgãos de pesquisa e extensão. Os Núcleos, apesar de muitos desafios, ao reconhecerem que os saberes das comunidades são legítimos, se tornam mananciais de práticas inovadoras que ampliam a forma de compreender a ciência, construir o conhecimento e, assim, transformar a realidade”, explica ela.

O saber científico e os saberes das práticas: a construção de um novo futuro

Não é de hoje que as diferenças entre o conhecimento científico, os olhares dos extensionistas e a sabedoria do povo na agricultura, são objetos de análise e debate. O que está em jogo é a construção de metodologias que respeitem o direito das comunidades, reconheçam seus saberes e superem a visão imposta pela Revolução Verde.

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Os Núcleos, como espaços de formação e apoio às experiências locais, se tornam ambientes de aprendizagem onde a vida das pessoas também se transforma. Em parceria com as comunidades, em diversos territórios brasileiros, é possível perceber os resultados desse trabalho: são trajetórias acadêmicas e profissionais que passam a ter a agroecologia como caminho possível; feiras de alimentos saudáveis que são viabilizadas; estratégias de conservação ambiental, do solo, da água e das sementes, o fortalecimento da juventude, no campo e na cidade, são alguns dos muitos exemplos dessa transformação.

Ao fortalecer a luta por uma ciência mais humanizada, territorializada e comprometida com as lutas do povo, a agroecologia estimula a construção de novos caminhos nos quais todas e todos podem ser sujeitos dessa produção de conhecimento.

I Encontro Nacional: sistematizar práticas, avaliar políticas e apontar caminhos

Esta é a primeira vez que os Núcleos de Agroecologia se reúnem naconalmente para refletirem sobre suas práticas e as formas de atuação dessa extensa e diversa rede de pesquisadoras/es, educadoras/es, agricultores/as, estudantes e parceiros atuantes em diferentes territórios.

Estarão presentes mais de 58 Núcleos de Agroecologia diferentes e 26 organizações parceiras convidadas para o encontro, que acontece no Centro de Formação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), localizado em Luziânia (GO). Além de partilhar os resultados e produtos, chamados de colheitas pelo Projeto de Sistematização, este também será o momento de compreender como os Núcleos, nos últimos anos, articulam e ampliam o acesso às políticas públicas.

Construir caminhos de avaliação das políticas nos quais as transformações reais possam ser percebidas no ensino, na pesquisa, mas, sobretudo, na vida das pessoas é um dos grandes desafios do encontro.

O projeto de sistematização de Experiências foi uma iniciativa nacional animada pela ABA, nos últimos 24 meses, com apoio do CNPq e da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).

Para saber mais acesse:

http://aba-agroecologia.org.br/wordpress/encontro-nacional-dos-nucleos-de-agroecologia/

 Projeto de Sistematização de Experiências: sistematiza.aba@gmail.com

Facebook do Projeto: https://www.facebook.com/sistematizacaodeexperiencias/

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