COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Comunidade pesqueira e vazanteira de Canabrava, no Norte de Minas Gerais, sofreu ataque na manhã de ontem, 20. Um grupo armado foi até o território, onde várias casas foram queimadas e plantações destruídas. Confira a Nota do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP):

 

Mais um clamor de justiça está no ar!

Mais violência às famílias da comunidade tradicional pesqueira e vazanteira de Canabrava! Na manhã de ontem, 20/07/2017, por volta das 07h30, o senhor Breno, conhecido como Breninho, da fazenda Canabrava (espólio Breno Gonzaga), chegou à comunidade com um grupo de mais que 12 homens armados, trazendo lamparinas e líquidos inflamáveis e começaram a atear fogo nas casas que restaram da violência policial do último dia 18. Estão destruindo plantações e tudo que encontram pela frente, inclusive às margens do rio São Francisco, um rio Federal de competência da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) que já deveria ter iniciado a regularização da área de domínio da União, território tradicional da comunidade pesqueira e vazanteira, conforme numerosas articulações e reuniões sobre o assunto com a Mesa de negociação de conflitos do Estado. 

A situação é preocupante, pois os moradores que estavam no local no momento fugiram commedo, mas há comunitários que até agora não se tem notícias do paradeiro. 

A Polícia Militar de Pirapora foi acionada, porém, até o momento, não foram ao local nem deram explicações. 

A lentidão dos órgãos competentes do Estado, a crueldade e desrespeito do latifúndio são tamanhos que, sequer, considerou a presença de um antropólogo do Ministério Público Federal de Brasília/DF que se encontra no território da comunidade efetivando estudo para fins de regularização, conforme reinvindicações da comunidade desde longa data.

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No último dia 18, esta comunidade foi “crucificada” pelos policiais do comando de Pirapora que não aguardou a decisão judicial que suspendeu o despejo que chegou minutos após a derrubada de várias moradias e ter dispersado quase todos os moradores. Agora, os capangas do fazendeiro vieram por conta própria concluir a barbárie.

Solicitamos aos órgãos competentes as providências imediatas!

Conclamamos a toda a sociedade para acender a chama da indignação e entrar em mutirão de luta pela verdade e justiça! Este mundo é suficiente para caber todas as formas de vida existentes nele! Nenhuma autoridade é digna do seu título se este não serve para defender o injustiçado que clama...

Buritizeiro, 20 de julho de 2017

Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP

 

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