COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Neste ano de 2018, a Comissão Pastoral da Terra Regional Nordeste 2 celebra 30 anos de vida dedicada ao serviço educativo, pastoral, de acompanhamento e solidariedade a comunidades camponesas dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Para comemorar, um Encontro-Celebração será realizado entre os dias 11 e 13 de agosto no Centremar/Seminário Arquidiocesano, na cidade de João Pessoa, estado da Paraíba: mesmo local e data da Assembleia que marcou a fundação da CPT NE 2 há exatos 30 anos.

(texto e foto: CPT Nordeste II) 

Aproximadamente 150 pessoas, entre agentes pastorais, religiosos/as, leigos/as, camponeses e camponesas, participarão do encontro que terá como objetivo fazer a memória de ações que marcaram a vida e o serviço da CPT NE2. A presença na luta pela terra e nos conflitos agrários na região; a mística e espiritualidade presentes nas Romarias da Terra; e a homenagem aos/às Mártires da Terra, assassinados/as em conflitos no campo nesses últimos 30 anos, serão algumas das ações abordadas no Encontro.

No dia 13 de agosto, uma grande celebração pública está sendo organizada para ocorrer na Catedral Basílica Nossa Senhora das Neves, também na cidade de João Pessoa/PB, a partir das 9h00. Várias caravanas de trabalhadores e trabalhadoras rurais, dos mais diversos municípios dos quatro estados nordestinos (PE, PB, AL e RN), estão sendo organizadas e deverão acompanhar o momento.

A comemoração dos 30 anos da CPT NE 2 não se restringe, no entanto, ao Encontro-Celebração que será realizado no mês de agosto, em João Pessoa/PB. Desde o início do ano, dezenas de celebrações carregadas de místicas e memórias já foram e estão sendo realizadas nas comunidades camponesas acompanhadas pelas doze equipes de base que compõem a CPT NE2. A Pastoral também está preparando uma plataforma virtual cheia de histórias de lutas do povo do campo nesses últimos 30 anos. A plataforma, que será lançada nas próximas semanas, reúne textos, imagens e documentos históricos, informações sobre as Romarias, os/as Mártires e os conflitos no campo na região, além de testemunhos de camponeses, camponesas e agentes pastorais.

Com essas iniciativas, a CPT NE 2 deseja que a memória seja alimento para o compromisso de continuidade de seu serviço. “Que essas memórias de um passado recente nos encham de indignação e que, a partir desse olhar para a história, possamos encontrar luzes e seguir enfrentando as violências cometidas contra as mais diversas comunidades camponesas que lutam por uma vida digna em suas terras e territórios. Os próximos períodos serão de nuvens carregadas sobre as populações do campo, com muita perda de direitos”, ressalta o Padre Hermínio Canova, membro da Pastoral desde a sua fundação.  

1988: nasce uma Pastoral de fronteira

Uma Igreja radical e profética, profundamente conectada com o sonho de justiça dos/as empobrecidos/as da terra.

Assim nasceu a Comissão Pastoral da Terra Nordeste 2, em agosto de 1988, há 30 anos.

Era agosto de 1988. Em um dos auditórios do Centremar/Seminário Arquidiocesano, na cidade de João Pessoa/PB, aproximadamente 80 camponeses/as, agentes pastorais, religiosos/as e leigos/as dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte decidiram levar adiante a Assembleia do Setor Pastoral Rural da CNBB Regional Nordeste 2.

O clima era de tensão, já que dias antes o então Arcebispo do Recife e Presidente do Regional NE2 da CNBB, Dom José Cardoso Sobrinho, conhecido por seu autoritarismo e conservadorismo, desautorizou a Assembleia e destituiu a equipe central do setor Pastoral da CNBB NE2.

“Dom José, a Assembleia pertence ao povo” foi a resposta dada. Aqueles e aquelas que corajosamente a realizaram se reconheciam como parte de uma Igreja da libertação, profundamente conectada com o sonho de justiça dos/as empobrecidos/as da terra. Pertenciam a uma Igreja cujo ponto de partida irreconciliável era o povo. Por isso, já não cabiam mais dentro dos muros e limites de uma Igreja conservadora e apartada das comunidades.

Foi ali, nas dependências do Centremar/Seminário Arquidiocesano, numa tarde de agosto, há 30 anos, que nasceu a Comissão Pastoral da Terra Nordeste 2. Ali, os então membros da Pastoral Rural decidiram se filiar à CPT Nacional, já existente desde 1975.

Logo de partida, a CPT NE 2 passou a ser conhecida como uma Pastoral de fronteira, de risco e de conflito. Atuava prioritariamente em contextos de extrema violência no campo, provocada por grandes latifundiários que vitimizavam milhares de famílias camponesas empobrecidas. “O Clima agrário era de morte, bala e violência com a recém-fundada União Democrática Ruralista (UDR), braço armado do latifúndio”, relembra o Padre Hermínio Canova, da CPT NE2.

Passadas três décadas, a violência e os conflitos no campo permanecem sendo uma realidade dramática e cotidiana para milhares de camponeses e camponesas. Atualmente, a CPT Nordeste 2 acompanha a luta de cerca de 300 comunidades camponesas, correspondendo à 13.822 famílias e 69.110 pessoas, em mais de cem municípios nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. São posseiros, trabalhadores/as rurais sem-terra, quilombolas, pescadores, assentados da Reforma Agrária, pequenos agricultores, entre tantos outros povos que vivem no campo. Desse total, a metade encontra-se sob ameaça de expulsão de suas terras.

 

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