COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

No dia 27 de abril, o Centro Pastoral Padre Josimo, na cidade de Porto Alegre do Norte (MT), sediou mais um lançamento no estado do Mato Grosso da publicação anual da CPT. No dia 28, na Baixada Cuiabana, o lançamento foi feito durante o “Encontro regional de Mulheres Camponesas da Baixada Cuiabana”.

(Cristiane Passos e Elvis Marques - Setor de Comunicação da CPT Nacional)

Mais de 40 pessoas, entre agentes de pastoral, leigos que atuam na igreja e o próprio bispo da Prelazia de São Feliz do Araguaia, Dom Adriano Ciocca, estiveram presentes no lançamento do Conflitos no Campo Brasil 2018 na região do Araguaia.

O que impressionou os participantes, além da violência contra as lideranças assassinadas em todo o Brasil, foram os dados referente à violência contra as mulheres. Nas palavras dos participantes: "Não nos esqueçamos que estes dados não são somente estatísticas, são vidas ceifadas e famílias destruídas", debateram durante o evento.

Em todo o estado do Mato Grosso ocorreram 54 conflitos no campo em 2018, envolvendo 28.598 pessoas. Desse total, foram 47 conflitos por terra, 3 por água e 4 trabalhistas. Nos conflitos por terra, a CPT no estado registrou 550 famílias expulsas de suas terras e 633 famílias despejadas. 859 famílias estiveram ameaçadas de despejo e 725 sofreram tentativa ou ameaça de expulsão dos lugares onde viviam. 440 famílias tiveram suas casas destruídas e 430 tiveram algum outro tipo de bem destruído.

Entre os estados da região Centro-Oeste, o Mato Grosso lidera com vantagem quando se trata das áreas em disputa: são mais um um milhão de hectares envolvidos em conflitos agrários. Mais precisamente: 1.295.079. A soma de hectares em disputa no Centro-Oeste é de 1.571.400.

Mulheres do Encontro de Mulheres Camponesas da Baixada Cuiabana analisam os dados do relatório durante lançamento

Entre os dias 27 e 28 de abril, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá (MT), foi realizado o Encontro de Mulheres Camponesas da Baixada Cuiabana, e no dia 28, pela manhã, o lançamento da publicação Conflitos no Campo Brasil 2018. Estavam presentes mais de 40 Mulheres Camponesas dos municípios de Jangada, Acorizal e Nossa Senhora do Livramento.

“Começamos o lançamento já desde a mística da manhã, discutindo a importância da publicação e refletindo a partir de Judite, que discute muito a questão das mulheres Bíblia. Então a partir dessa mulher que era guerreira e lutadora, trouxemos também as mulheres da Baixada Cuiabana, também de luta e resistência. Tudo isso dialogando com as mulheres que sofreram violências no campo em 2018, mas que também denunciam essas injustiças que acontecem cotidianamente”, destacou Aline Mialho, da coordenação da CPT no Mato Grosso.

Aline conta que os dados de conflitos no Mato Grosso foram apresentados a partir do recorte das violências sofridas pelas mulheres. Após o lançamento, em grupos, as mulheres refletiram sobre o impacto desses dados em suas comunidades, e o que elas estão fazendo ou podem fazer para mudar essa realidade conflituosa no campo.

O Encontro de Mulheres teve como objetivo refletir sobre a vida e realidade das mulheres camponesas, iluminadas à luz do evangelho, e como essa força feminina fortalece a luta e resistência. “Celebrar nossa caminhada comunitária, valorizando as formas de organização que abrem novos caminhos, possibilita o cuidado da vida, as melhorias na geração de renda e a resistência aos ataques do sistema (governo, fazendeiro, grileiro)”, complementou Aline.

Foi feito, também, o lançamento da Revista Cerrados e do documentário “Cerrado: Rostos, Vidas e Identidades”, ambas produções da CPT.

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