COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

O mandante do Massacre de Felisburgo estava foragido desde junho, agora pagará a pena de 115 anos de prisão. Segundo o Dirigente do MST, Silvio Netto, “Chafik foi condenado duas vezes. A primeira pela justiça e a segunda pelo povo. Essa condenação é fruto da pressão da sociedade, que não tolera mais a violência no campo.” Porém, Netto ainda ressalta que ainda tem muitos como o Chafik à solta.

(MST / imagem: G1)

Na tarde desta quinta-feira, 14|12, o mandante do Massacre de Felisburgo (MG), Adriano Chafik Luedy, foi preso em Salvador, pela Polícia Civil. O criminoso foi julgado e condenado em 2013, no entanto saiu impune do tribunal, através de um Habeas Corpus que garantiu sua liberdade imediata. Chafik é latifundiário também na Bahia e estava foragido no Uruguai, numa fazenda comprada por ele após o julgamento.

Segundo o Dirigente do MST, Silvio Netto, “Chafik foi condenado duas vezes. A primeira pela justiça e a segunda pelo povo. Essa condenação é fruto da pressão da sociedade, que não tolera mais a violência no campo.” Porém, Netto ainda ressalta que ainda tem muitos como o Chafik à solta.

O dirigente do Movimento comenta também sobre a responsabilidade do Estado sobre a violência no campo. “Nos tranquiliza a prisão do Chafik, essa é a obrigação do Estado. É também uma resposta para todos os trabalhadores em luta por seus direitos, a luta vale a pena. O Estado não pode se omitir da responsabilidade de prendê-los e com isso inibir a violência contra os que lutam.” 

Em junho deste ano, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou a prisão de Chafik, afirmando que esta "não se mostra arbitrária, mas inteiramente justificável, a possibilidade de o julgador determinar o imediato início do cumprimento da pena, inclusive com restrição da liberdade do condenado, após firmada a responsabilidade criminal pelas instâncias ordinárias”, determinou o mandado.

Para o MST, esta é uma resposta para a ofensiva da direita e o crescente da violência no pós golpe, que se intensifica em todo o país. Em Minas Gerais, no dia 06|12, Silvio Netto, foi ameaçado de morte com armas apontadas à cabeça, havendo uma tentativa de sequestro, tudo testemunhado por outras pessoas. No dia seguinte, 07|12, os mesmos jagunços foram a audiência da Comissão de Agropecuária, Agroindústria e Segurança Pública, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pelo Deputado Estadual Antônio Carlos Arantes. 

Na ocasião eles apresentaram várias denúncias caluniosas referentes a militantes do MST, e principalmente, à realidade das famílias acampadas nesta terra decretada. No entanto, grande parte das ocorrências registradas pelos trabalhadores acampados na antiga usina Ariadnópolis acusam estes mesmos jagunços.

Entenda o Crime

O massacre aconteceu no dia 20 de novembro de 2004, quando Chafik e quinze pistoleiros, entraram no Acampamento Terra Prometida, do MST, na fazenda Nova Alegria, em Felisburgo. Iraguiar Ferreira da Silva (23 anos), Miguel José dos Santos (56 anos), Francisco Nascimento Rocha (72 anos), Juvenal Jorge da Silva (65 anos) e Joaquim José dos Santos (49 anos) foram assassinados. Outras 20 pessoas foram feridas, entre elas, uma criança de apenas 12 anos, que levou um tiro no olho. O latifundiário e seus capangas ainda atearam fogo no acampamento, onde viviam 200 famílias Sem Terra e na escola.

Desde o dia da ocupação em 1º de maio de 2002, as famílias do acampamento vinham denunciando as ameaças de Chafik. 


Em agosto de 2015, onze anos após o massacre, o Governador Fernando Pimentel assinou o decreto de desapropriação das terras. No entanto, este ainda não foi pago e as famílias ainda resistem, vivendo como acampadas. O MST espera agora, que o governo de minas gerais solucione a pendência desta e das outras duas áreas decretadas.


 “Felisburgo, Ariadnópolis e Gravatá são um compromisso assumido pelo Governador Fernando Pimentel, não só com o MST, mas com a classe trabalhadora. A justiça à Felisburgo será completa, quando nossas famílias tiverem a garantia de seu direito a terra”, cobrou Silvio Netto.

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