COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

A tarde de terça-feira (13/08), no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, foi movimentada pelo acampamento de mulheres que vieram para Brasília de diferentes lugares de todo Brasil. Elas se preparavam para a Marcha das Margaridas que aconteceu na manhã de ontem (14/08). A programação estava recheada de atividades que variaram de oficinas, painéis temáticos e atividades culturais até a Mostra dos Sabores e Saberes das Margaridas, uma feirinha que, como o nome diz, proporcionou diversas experiências para quem parou para dar uma olhada.

(Sandra Silva – Rede de Comunicadores/as Cáritas Brasileira / fotos: Tainá Aragão – Cáritas Brasileira)

Estavam expostas na Mostra das mais variadas peças de artesanato até quitutes preparados com frutos da produção das mulheres do campo, das florestas e das águas. Expondo seus produtos estava a baiana Luciene Fortuna (54), fundadora do coletivo de estamparia africana D’Guetto Estamparia. Ela trabalha com costura e estampa há 28 anos. Moradora da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, Luciene formou o coletivo há 10 anos, e hoje conta com seis famílias colaboradoras na produção de bolsas e mochilas estampadas. “Quando cheguei [ao Rio de Janeiro] vi que era possível acreditar na proposta de viver bem trabalhando com artesanato”, contou. “Eu sou do tempo que se chamava artesã as empreendedoras de hoje. Eu sou uma artesã costureira. Sou uma empresária que deu certo, mas venho do artesanato, de produzir e vender o que faço”, concluiu.

Luciene concilia o ganha-pão com militância. Faz questão de participar de eventos que lutam pelos direitos humanos. “Para mim, como mulher negra, poder estar nesses espaços de aprendizado e compartilhamento é muito importante. Sozinha a gente não vai muito longe”, argumentou. “Vindo a esses encontros a gente conta com muita força para continuar o nosso trabalho, a nossa luta diária, dentro da nossa comunidade e dentro do nosso próprio coletivo”.

Moradora do Distrito Federal, a simpática aposentada Davina Bento da Silva (73) é apaixonada por artesanato. “Eu achava que não tinha dom nenhum, então comecei a trabalhar com educação artística. O pessoal achava meu trabalho muito bonito, foi quando decidi partir para o artesanato. Estou há mais de 20 anos e sou apaixonada. Vou pra tudo quanto é exposição”, se entusiasmou. Davina vendia flores que poderiam ser usadas tanto no cabelo como na roupa.

Também aposentada e expondo seus biscoitos de goma estava Altenires Alves Pugas Oliveira (60). Moradora de Porto Nacional, no Tocantins, ela produz e vende seus quitutes nas feiras da sua cidade e em eventos que consegue comparecer. “Sou professora aposentada, depois que me aposentei me dediquei aos biscoitos. Eu gosto de fazer, não quero ficar parada, acho bom”, disse.

O movimento nas barraquinhas foi intenso durante toda a tarde. Observando os produtos expostos estava Idalina Ramos Gaspar (73), da Cidade Gaúcha no Paraná. Ela trabalha com produtoras rurais e veio para a marcha em uma caravana com outras 50 mulheres. “Tenho 73 anos e me orgulho de estar nesse trabalho maravilhoso”, exclamou.

Neusa de Miranda (62), da cidade de Indianópolis, no Paraná, também passeava na feira e estava atenta às atividades que estavam sendo realizadas simultaneamente em todo Pavilhão. Para ela, assim como para Idalina, a Mostra de Sabores e Saberes não poderia ser descrita com outra palavra que não “ótima”.

Rodas de conversa sobre a história das mulheres e a Marcha das Margaridas e sobre tecnologias sociais e saberes das mulheres do campo, da floresta e das águas aconteceram de 14h00 as 16h30 no centro da feira.

 

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