COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

Sob o lema "Investir na juventude rural, semear o presente para colher futuro", foi realizada ontem, 16, a IV Assembleia da Juventude da Via Campesina Internacional, que reuniu cerca de 100 jovens, homens e mulheres, de 47 países ao redor do mundo, que durante dois dias refletiram sobre a importância da participação da juventude no fortalecimento deste grande movimento camponês que, entre outras coisas, luta pela soberania alimentar e a agroecologia camponesa.

(Texto e fotos: Coletivo de Comunicação da Via Campesina / tradução Cristiane Passos - CPT Nacional)

A Assembleia precede a V Assembleia das Mulheres, que teve início hoje, 17, e segue até amanhã, e a VII Conferência Internacional da Via Campesina que será de 19 a 22 de julho. Todas as atividades acontecem em Derio, no país Basco. 

A mística de abertura da Assembleia esteve a cargo de jovens e agricultores da Europa e foi uma representação de sua identidade, destacando as ferramentas agrícolas típicas do continente e instrumentos como o “chifre basco”, que é um símbolo da cultura local. 

Nesta Assembleia, que acontece a cada quatro anos, estão presentes delegados de todas as regiões que a Via Campesina está presente. Durante a suas apresentações, muitos deles entoaram com grande euforia slogans como "porque a terra pertence a nós jovens, vamos lutar até o fim", "juventude para construir o poder popular ", "América Central unida jamais será vencida ", " juventude caribenha, energia, entusiasmo e sonhos". 

Como parte das atividades desta IV Assembleia dos Jovens, os participantes compartilharam respostas a algumas perguntas, como: por que é importante para o campesinato a juventude unida? O que significa a organização e a participação dos jovens? Quais são as oportunidades para os jovens no campo? O que fazer para melhorar a sua participação?, entre outras. As respostas foram emergindo dos vários debates e discussões. Por exemplo, a formação de agricultores, a agroecologia camponesa como uma forma de vida no campo e a conexão com a cidade, foram temas comuns nas respostas apresentadas. "Queremos mudanças no campo, mas também precisamos do envolvimento das pessoas urbanas neste processo", disse Alazne Intxauspe, da Ehne Bizkaia, organização social da Espanha. 

O grupo trabalhou, também, quatro prioridades para os jovens camponeses, que apontaram: acesso à terra e direitos dos agricultores; a formação em agroecologia; a comunicação, e alterações climáticas e migração. Entre as propostas políticas concretas levantadas, estavam o fortalecimento de parcerias entre os agricultores e pescadores, pastores, trabalhadores rurais e trabalhadores urbanos. Além disso, foi proposta a construção de uma campanha coletiva sobre migração, especificamente do fluxo entre a África e a Europa. Quanto à formação agroecológica, foi levantado que a formação técnica deve ser acompanhada por uma formação política. Foi de comum acordo, também, que os jovens agricultores devem ser apoiados para que suas vozes sejam ouvidas dentro e fora do movimento. Da Assembleia virá um documento final que levará em conta as conclusões do debate dos jovens, e que será apresentado na Conferência Geral, entre os dias 19 e 22 de julho.

Os jovens sabem que enfrentam grandes desafios, alcançar a participação da juventude concretamente não é fácil, mas, nas palavras de Paula Gioia da organização Abl, da Alemanha, "os jovens têm uma grande oportunidade em mãos e ela se chama Via Campesina. Os jovens não são apenas o futuro, também somos o presente, pois se não temos presente, não teremos futuro". 

Solidariedade

Movimentos em defesa da terra de Euskal Herria, no país Basco, reuniram-se ontem (16) com a juventude da Via Campesina, após a realização de uma marcha de dois dias, chamada de "Marcha em Defesa da Soberania Alimentar e da Terra”. Em sua declaração afirmaram que "nós nos identificamos com a Via Campesina e com sua luta pela soberania alimentar, e é por isso que realizamos esta marcha para denunciar a destruição resultante de megaprojetos, como o Trem de Alta Velocidade, os projetos de linhas de alta tensão e a extração de gás, muitos para viabilizar a alimentação local". Os alimentos consumidos diariamente em Euskal Herria viajam uma média de 2.500 km antes de chegar à mesa das pessoas. Nada estranho considerando que população produz apenas 3% dos alimentos que consome. Paradoxalmente, nos 1.200 hectares ocupados pela geografia basca poderiam ser cultivados alimentos vegetais para 60.000 unidades convencionais. Mas, no lugar disso, os "gestores" do Partido de Negócio Basco desertificam a terra, cimentando-a, encerrando assim seu futuro pela juventude de hoje.

 

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