COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

O grupo foi abordado e algemado por criminosos. Crime aconteceu no sábado (21), mas corpos foram achados na segunda-feira (23). Garimpo no local foi legalizado em julho de 2019. Ano passado, no final de outubro, outra chacina similar aconteceu no garimpo. Três pessoas da mesma família, pai, filho e genro, foram mortos dentro de uma caminhonete. O triplo assassinato ocorreu a 14 km da cidade e dentro do garimpo, que foi alvo de operação para desocupação, menos de um mês antes do crime, o que acirrou ainda mais os ânimos na região. A CPT aguarda mais informações sobre ambos os crimes.

(informações do G1 / foto: Cláudio Alfonso e Sérgio Gouvea/TV Centro América)

Quatro pessoas foram assassinadas em uma chacina na saída do garimpo de Aripuanã, a 976 km de Cuiabá, no último sábado (21). Desde que o garimpo no local foi legalizado, em julho de 2019, o número de homicídios aumentou, quase 300%. De acordo com um levantamento da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP), em 2018, de janeiro a agosto, foram registradas três mortes. No mesmo período de 2019, foram 11 assassinatos.

Na chacina do fim de semana, foram mortos Elzilene Tavares Viana, de 41 anos, conhecida como Babalu; o filho dela, Luiz Felipe Viana Antônio da Silva, de 19 anos; o marido dela, Leôncio José Gomes, de 40 anos; e Jonas dos Santos, de 25 anos (que era garimpeiro). A polícia não informou o que as vítimas faziam no local.

Os corpos foram encontrados nessa segunda-feira (23) depois que pessoas próximas procuraram a Polícia Civil para informar sobre o desaparecimento de Jonas, que era garimpeiro e não apareceu para o trabalho.

Moradores da região foram os primeiros a encontrar os corpos e chamar a polícia.

Segundo a investigação, as vítimas desciam a serra no garimpo às 9h00 de sábado (21) quando foram abordadas por quatro homens armados que bloquearam a estrada usando uma caminhonete. As vítimas, então, foram algemadas, levadas para uma estrada, em direção ao município de Juína, e, em seguida, executadas.

Segundo o boletim de ocorrência, Jonas, o amigo, iria para Juína, a 737 km de Cuiabá, e pegou carona com a família. Uma quinta pessoa que estava com o grupo sobreviveu. Segundo a polícia, a mulher não foi morta porque disse que estava grávida.

Após o crime, os suspeitos incendiaram um dos veículos e o fogo atingiu um dos corpos — os demais foram encontrados com ferimentos.

As investigações estão em andamento para identificar os suspeitos e esclarecer a motivação do crime. O caso é investigado pela Polícia Civil. Nenhum suspeito foi preso ou identificado até o momento.

Polícia apura se a motivação das mortes é um disputa por exploração de garimpo

De acordo com a delegada responsável pela investigação, Amanda Menucci, o local onde as vítimas foram abordadas é o acesso para a serra do garimpo, onde trabalhavam. Luiz Felipe não trabalhava como garimpeiro, não morava na cidade e estava apenas visitando a mãe.

“As informações são ainda incipientes e nenhuma possibilidade foi descartada. Há a suspeita de o crime estar relacionado com a disputa pelo garimpo, no entanto, outras hipóteses estão sendo averiguadas pela Polícia Civil”, disse ao G1.

Elzilene, o marido e Jonas exploravam o garimpo e também possuíam outras atividades, que ainda estão sendo levantadas pela polícia. Jonas veio recentemente do Pará para trabalhar no garimpo.

O garimpo

No dia 7 de outubro de 2019, a Polícia Federal realizou a 2ª fase da 'Operação Trype' e retirou mais de 700 garimpeiros do local. A estrutura montada em meio a floresta amazônica impressionou a polícia. Foram encontradas 25 retroescavadeiras, que eram usadas para escavar as encostas. Grandes geradores faziam a ventilação em crateras por onde garimpeiros desciam até 60 metros de profundidade para encontrar jazidas.

Imagens feitas do alto revelaram o tamanho do estrago na região do garimpo. São quilômetros de mata devastada, onde, segundo a Polícia Federal, estavam vivendo cerca de 2 mil pessoas. Estradas foram abertas e casas construídas.

De acordo com as investigações, além do impacto ambiental na região, o garimpo ilegal estaria causando grande devastação social no município, com aumento do índice de homicídios, tráfico de drogas, prostituição e outros crimes. Com o novo acordo firmado na época, ao todo, 1.500 garimpeiros podem explorar uma área de 516 hectares para extração exclusiva de ouro.

A Operação, entretanto, acirrou o clima tenso na região. Dessa forma, no dia 26 de outubro de 2019, três homens foram assassinados a tiros no garimpo. Segundo a Polícia Civil de Aripuanã, as vítimas estavam em uma caminhonete e morreram no local.O motorista foi identificado como Osmir Zeferino, de 48 anos. No banco do passageiro estava o filho dele, Matheus Paes Zeferino, de 20 anos. O genro de Osmir, Klidio Henrique Richieri Pereira, de 26 anos, estava no banco de trás.

Os policiais foram informados por moradores que encontraram as vítimas na caminhonete. Uma força-tarefa de policiais civis e militares foi ao local e encontrou os corpos.

De acordo com a Polícia Civil, que analisou o local do crime, as vítimas não tiveram nenhuma chance de se proteger. A suspeita é de que eles estavam falando com o ou os autores do crime no momento dos disparos.

 

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