CPT de Alagoas e Paraíba refletem desafios e caminhos das Romarias da Terra e das Águas

Encontro reuniu agentes pastorais em Sobrado (PB) e destacou a necessidade de fortalecer o trabalho de base, preservar a identidade e renovar metodologias

Por Lara  Tapety | CPT/AL

Fotos: Lara  Tapety | CPT/AL

No dia 01 de abril, as equipes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Alagoas e de João Pessoa (PB) se reuniram para refletir a respeito das Romaria da Terra e das Águas

No dia 01 de abril, as equipes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Alagoas e de João Pessoa (PB) se reuniram para refletir a respeito das Romaria da Terra e das Águas, que são realizadas em ambos estados em diferentes datas. Tanto a CPT de Alagoas quanto de João Pessoa, que integram a Regional Nordeste 2, realizaram em 2025 a 36ª edição da romaria e seguem para a 37ª realização neste ano de 2026.

O encontro aconteceu no período da manhã, no Centro de Formação Padre José Comblin, localizado no município de Sobrado (PB). Participaram da atividade agentes pastorais, integrantes de organismos da Igreja Católica, além do padre Hermínio Canova e da irmã Vilma, da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry.

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Os presentes partilharam as experiências das romarias em seus estados, os desafios vividos nas comunidades e refletiram sobre os caminhos para seguir fortalecendo essa caminhada de fé, resistência e compromisso com a vida dos povos do campo.

Trabalho de base e mobilização das comunidades

Entre os principais pontos debatidos esteve a necessidade de fortalecer o trabalho de base como eixo central das romarias. A avaliação comum foi de que a mobilização nas comunidades precisa ser retomada e reinventada, diante das dificuldades atuais de articulação e participação.

“Vamos repensar a metodologia do trabalho de base, não só nas nossas comunidades, mas também nas paróquias. Porque é justamente o trabalho de base que traz o povo”, destacou a agente pastoral Alexandra Timóteo.

Nesse sentido, também se discutiu a importância de ampliar as formas de comunicação, indo além dos materiais tradicionais e fortalecendo a presença nas comunidades, com linguagens que dialoguem mais diretamente com o povo, especialmente a juventude.

Identidade, mística e elementos da romaria

Outro debate do encontro foi a preservação da identidade das romarias, compreendidas como expressão concreta da fé encarnada na luta pela terra.

Os participantes destacaram a importância de valorizar os elementos que dão sentido à caminhada, como os símbolos — a cruz, a Bíblia, a enxada, as sementes e os frutos da terra —, a memória dos mártires e a mística construída historicamente pela CPT.

Também foi apontada a necessidade de cuidar da identidade nos momentos celebrativos, incluindo os cantos próprios da romaria, garantindo que a caminhada não perca sua expressão cultural e política.

Para Carlos Lima, coordenador nacional da CPT em Alagoas, a romaria precisa manter viva essa dimensão integral.

“Nós pensamos numa Romaria em que não falte a alegria, mas também não falte a mística e a espiritualidade, para que a gente não transforme a Romaria apenas num evento político, mas que seja um evento de fé e política. Fé e vida. E o nosso grito é: ‘Romaria da Terra: fé, vida e resistência!’”, afirmou.

Celebração e espiritualidade no meio do povo

A forma de vivenciar a espiritualidade durante a romaria também foi tema de reflexão. Os participantes apontaram a necessidade de uma celebração mais participativa, simples e conectada com a realidade das comunidades. 

“Que seja uma missa de partilha, não um rito”, afirmou o padre Hermínio Canova.

A proposta é fortalecer uma espiritualidade encarnada, vivida no meio do povo, em sintonia com a caminhada e com a vida concreta das comunidades camponesas.

Organização, realidade local e participação

O encontro também abordou aspectos práticos da organização das romarias, destacando a importância de considerar a realidade de cada território.

Foram discutidos pontos como a definição das datas, levando em conta o calendário eleitoral e o ENEM, o horário e o percurso das caminhadas, além da necessidade de fortalecer a animação e a participação ao longo de todo o trajeto.

Outro encaminhamento importante foi o incentivo à realização de pré-romarias como forma de mobilização e preparação das comunidades, além de estratégias para ampliar o envolvimento da juventude, como a construção coletiva do cartaz da romaria.

Unidade, partilha e fortalecimento da caminhada

A troca entre as equipes de Alagoas e da Paraíba foi destacada como um momento de fortalecimento coletivo, evidenciando que os desafios são comuns e podem ser enfrentados de forma conjunta.

“Eu acho que a nossa experiência na luta é isso. A gente só vence porque a gente vê se juntou. Está sempre apoiando uns aos outros. Eu acho que essa foi a experiência do dia de hoje, tanto para a CPT de Alagoas quanto para a CPT de João Pessoa. Eu acho que a partir dessa unidade, desse se apoiar no outro, que algo novo pode acontecer”, afirmou Silvinha.

A dimensão da resistência também esteve presente nas falas dos participantes, reafirmando a importância de manter viva a caminhada construída ao longo da história da CPT.

“Resistir, sem perder a pastoralidade, a espiritualidade, a mística que a pastoral carrega nesses seus 50 anos. Então, que a gente possa buscar ideias novas e manter viva a nossa caminhada”, destacou João Muniz.

Entre desafios e esperança, seguir caminhando

A avaliação final do encontro evidenciou que, mesmo diante das dificuldades, a caminhada segue sustentada pela esperança, pela fé e pela organização coletiva.

“Tem dor, mas tem luz”, resumiu Tânia Maria, agente pastoral da CPT da Diocese de João Pessoa. Em sua fala, ela destacou a responsabilidade de dar continuidade à história construída pelas comunidades:

“Somos o povo da teimosia para que a realidade vá ao encontro daquilo que estamos caminhando e a gente está querendo manter fiel àquilo que nos formou até agora. E não é simples. Acho que a gente tem uma missão muito grande aqui, do Regional da CPT, de manter essa experiência de mais de 30 anos acesa. Acho que esse é o grande desafio que a gente tem pela frente. E compartilhar isso com o povo daqui de todos, camponeses e camponesas, e continuar fazendo essa história.”

Como fruto do encontro, ficou firmado o compromisso de fortalecimento da unidade entre os regionais, com a participação das equipes de Alagoas e da Paraíba nas romarias umas das outras.

37ª Romaria da Terra e das Águas da Paraíba será realizada nos dias 17 e 18 de outubro, enquanto a de Alagoas acontecerá nos dias 28 e 29 de novembro.

O encontro reafirmou as Romarias da Terra e das Águas como espaço de fé, organização e resistência, fortalecendo a luta dos povos do campo e a construção coletiva de caminhos para seguir defendendo a terra, a vida e a dignidade.

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