9 ANOS DO MASSACRE DE PAU D’ARCO: Caminhada refaz percurso das vítimas e reafirma luta contra a violência no campo

Caso segue sem data marcada para julgamento dos policiais acusados da chacina

Por CPT Regional Pará

Realizado no Projeto de Assentamento Jane Júlia, no sul do Pará, 9º Ato em Memória às Vítimas do Massacre teve uma programação de três dias. Foto: CPT Xinguara/PA
Realizado no Projeto de Assentamento Jane Júlia, no sul do Pará, 9º Ato em Memória às Vítimas do Massacre teve uma programação de três dias. Foto: CPT Xinguara/PA

Familiares das vítimas, trabalhadores rurais, movimentos sociais, organizações populares e apoiadores participaram, na manhã deste domingo (24), do 9º Ato em Memória às Vítimas do crime que ficou conhecido como Massacre de Pau D’Arco, realizado no Projeto de Assentamento Jane Júlia, no sul do Pará. Já se passaram nove anos desde a chacina e até agora nenhum dos policiais acusados de executar os dez trabalhadores e uma trabalhadora foram julgados. 

Para marcar os nove anos do massacre, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Xinguara/PA e a Associação de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Nova Vitória realizaram uma programação de três dias. O momento mais simbólico foi a caminhada de memória que refez o mesmo percurso percorrido pelas vítimas no dia 24 de maio de 2017.

O momento mais simbólico do Ato foi a caminhada de memória que refez o mesmo percurso percorrido pelas vítimas do massacre no dia 24 de maio de 2017. Foto: CPT Xinguara/PA
O momento mais simbólico do Ato foi a caminhada de memória que refez o mesmo percurso percorrido pelas vítimas do massacre no dia 24 de maio de 2017. Foto: CPT Xinguara/PA

Os trabalhadores foram assassinados por policiais civis e militares na antiga Fazenda Santa Lúcia. A caminhada seguiu até o memorial erguido no local das execuções, onde ocorreu um ato político e religioso em homenagem às vítimas e em defesa da justiça, da Reforma Agrária e do fim da violência no campo.

Nove anos após o massacre, os familiares e organizações denunciam que o caso segue marcado pela impunidade. Até hoje, nenhum dos policiais acusados foi julgado ou condenado. O processo judicial segue sem definição no Tribunal de Justiça do Pará.

Além da cobrança por justiça, o ato também destacou a permanência da violência no campo brasileiro. Dados do Relatório Conflitos no Campo Brasil 2025 apontam a continuidade das ameaças, assassinatos, expulsões e violações de direitos contra trabalhadores rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais em diferentes regiões do país.

Além da cobrança por justiça pelas vítimas do massacre, o ato também destacou a permanência da violência no campo brasileiro. Foto: CPT Xinguara/PA
Além da cobrança por justiça pelas vítimas do massacre, o ato também destacou a permanência da violência no campo brasileiro. Foto: CPT Xinguara/PA

Para os organizadores, recordar Pau D’Arco é também denunciar a continuidade da violência agrária e fortalecer a luta pela terra e pelos direitos humanos. O ato deste ano também teve caráter simbólico por ocorrer já no território oficialmente reconhecido como Projeto de Assentamento Jane Júlia, criado pelo INCRA em janeiro de 2026, conquista considerada histórica pelas famílias que resistiram na área após o massacre.

A programação dos nove anos do massacre incluiu ainda feira da agricultura familiar, com venda de produtos diversos cultivados no assentamento por cerca de 200 famílias, atividades de formação agroecológica e momentos de celebração e memória organizados pelas famílias do assentamento, com apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organizações de direitos humanos e movimentos populares.

A programação dos nove anos do massacre incluiu ainda feira da agricultura familiar, com venda de produtos diversos cultivados no assentamento por cerca de 200 famílias. Foto: CPT Xinguara/PA

Julgamento – O Tribunal de Justiça do Estado do Pará marcou para o próximo dia 26 de maio, às 9h30, o julgamento dos recursos apresentados pelos policiais. O despacho com a designação da sessão de julgamento foi publicado na noite da última quarta-feira. A decisão é encarada por organizações sociais como importante diante das reiteradas denúncias de morosidade judicial e frente à expectativa de que  o tribunal do júri  seja marcado para breve.

A sessão será transmitida neste link do TJ-PA, nesta terça-feira (26) às 09:30.

Nota – Em nota divulgada durante a programação dos nove anos do Massacre de Pau D’Arco, 16 organizações sociais, movimentos populares, entidades de direitos humanos, pastorais e organizações da sociedade civil denunciaram a permanência da impunidade no caso e a demora do Estado brasileiro em garantir justiça e reparação às famílias das vítimas. 

O documento reafirma que “Pau D’Arco não foi confronto, foi massacre”, cobra julgamento dos policiais acusados e destaca que a criação oficial do Projeto de Assentamento Jane Júlia, em janeiro de 2026, representa uma conquista histórica das cerca de 200 famílias que permaneceram resistindo no território após o crime. 

Para as entidades, a consolidação do assentamento simboliza a continuidade da luta pela terra e pela dignidade camponesa, transformando um território marcado pela violência em espaço de memória, resistência e produção da vida.

Clique neste link e confira a Nota Pública.

A consolidação do assentamento simboliza a continuidade da luta pela terra e pela dignidade camponesa, transformando um território marcado pela violência em espaço de memória, resistência e produção da vida. Foto: CPT Xinguara/PA
A consolidação do assentamento simboliza a continuidade da luta pela terra e pela dignidade camponesa, transformando um território marcado pela violência em espaço de memória, resistência e produção da vida. Foto: CPT Xinguara/PA

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