Eleições 2026: governabilidade e luta popular
Em um contexto do vale-tudo pela governabilidade, que fortalece a corrupção, as eleições não substituem as lutas cotidianas por soberania, reforma agrária, produção alimentar saudável e defesa do planeta
Por Ruben Siqueira | agente da CPT Bahia e José Carlos Lima | membro da Coordenação Nacional da CPT

As eleições deste ano no Brasil acontecem num contexto de guerras, ameaças e invasão de países, tarifaços, domínio do capital financeiro e da opinião pública via algoritmos de inteligência artificial, bolsonarismo renitente, democracia em baixa, crise climática… Além desses, temos problemas históricos que o modelo político-econômico insiste em não resolver, como a questão agrária.
Vastas extensões de terra, inclusive de povos originários e comunidades tradicionais, continuam em mãos do agronegócio, da mineração e de empresas de energia. Quase nenhum avanço na demarcação e homologação destas terras. Comunidades quilombolas e outras tradicionais de grande diversidade continuam em luta por seus territórios. Dados reveladores da CPT: os anos de maior número de conflitos no campo, desde 1985, foram 2023, com 2.250 ocorrências, e 2024, com 2.185 – os dois primeiros anos do atual governo Lula! Famílias camponesas, produtoras de alimentos saudáveis e sustentáveis, seguem relegadas. Recentes entregas de assentamentos não escondem apelos eleitorais.
Nas cúpulas, justificam-se acordos entre opostos aparentes, ingrediente principal nesse caldo político-eleitoral. Alianças impensáveis nos tempos pós-ditadura atualmente são tidas como necessárias, em nome da governabilidade, o que revela também uma profunda crise da esquerda, que vem perdendo discurso, atitude e votos, dependente de Lula, refém do medo da volta da extrema direita. O vale-tudo pela governabilidade fortalece a corrupção – via “emendas parlamentares”, “orçamento secreto” etc. – e retira a possibilidade das transformações estruturais outrora almejadas. Sob o controle do “Centrão” no Congresso, será impossível avançar.
Nas eleições já não há disputa real de projetos antagônicos. Basta ver quem são os candidatos à vice-presidência da esquerda eleitoral, sempre da centro-direita. Os partidos seguem as pesquisas, os marqueteiros dizem a última palavra. As redes sociais e seus algoritmos influenciam o resultado das eleições. Reivindicações populares são esquecidas, maltratadas ou arquivadas.
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A participação popular é que fortalece a democracia. A eleição é parte, não o todo. Nossos critérios para votar devem ser a defesa da verdadeira democracia, os compromissos comprovados dos candidatos com nossos direitos e nossas lutas concretas por inclusão e justiça social – outro modelo de sociedade.
As eleições não substituem as nossas lutas cotidianas por soberania, reforma agrária, produção alimentar saudável e defesa do planeta. Essas lutas continuam, independentemente do resultado eleitoral.
As próximas eleições (2026 e 2030) serão decisivas. Em 2026, uma aliança do atual governo com a direita aparece como favorita ante a extrema direita; em 2030, Lula não disputará. A premissa é não votar em quem promove violência contra os empobrecidos e insistir nos programas que busquem fortalecer a participação popular e os bens comuns, essenciais à vida.
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