Famílias do Acampamento Pôr do Sol permanecem há mais de 45 dias em frente ao Incra, na luta pela terra em Marabá/PA
Com informações da CPT Marabá e Correio de Carajás

Cerca de 327 famílias ligadas ao Acampamento Pôr do Sol permanecem ocupando há mais de 45 dias a frente da sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá/PA. A comunidade está acampada há mais de 4 anos às margens do Rio Itacaiúnas, na mesma cidade, e decidiu se deslocar para a porta do órgão federal, como forma de pressionar pela vistoria e destinação de terras públicas para assentamento.
“Essas famílias estão cadastradas pelo Incra e aguardam um pedaço de terra, mas essa área ainda não teve andamento no Incra. Nas reuniões, sempre afirmam que tem uma área disponível, mas não apresentam pra nós, ou alegando que não conseguiram notificar o fazendeiro, ou que o fazendeiro não aceitava a notificação. Todos os meses falam alguma informação que não bate com a realidade, e por isso estamos aqui esperando por uma resposta dessa situação”, afirma Manuel Floriano Gomes, um dos fundadores e lideranças do acampamento.

Histórico do Acampamento Pôr do Sol
O Acampamento Pôr do Sol surgiu em março de 2022, em Marabá, começando com apenas 60 famílias. Em dois anos, o número saltou para mais de 300 famílias. Até a semana retrasada, o grupo ocupava uma área aos fundos do Bairro da Paz, sentido Tibiriçá, mas a falta de evolução nas vistorias de campo motivou a transferência da estrutura para a frente da Superintendência Regional do Incra (SR-27).

Diferente de outras ocupações que buscam a desapropriação de fazendas, o Acampamento Pôr do Sol reivindica o acesso legal a áreas que já pertencem à União. No local, a rotina é de resistência, pois enquanto parte do grupo sai para trabalhar e garantir o sustento, outros permanecem na vigilância das barracas e na manutenção da cozinha coletiva.
“Aqui não dependemos de órgão nenhum, vamos nos ajudando e contando com o apoio entre nós mesmos e os movimentos. Precisamos que o Incra resolva essa situação o quanto antes, e vamos continuar aqui até que essa realidade se concretize na vida das famílias”, afirma Floriano.
Resistência e apoio
O movimento conta com o suporte jurídico e logístico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Floriano explica que, embora o Incra tenha sinalizado que o processo está “avançado” e que terras públicas estão sendo identificadas, não há uma localização exata ou prazo definido para a entrega.
Mesmo sob condições precárias e a frequência de chuvas, o líder destaca que a mobilização segue pacífica, sem o intuito inicial de fechar rodovias ou ferrovias, apoiando-se no diálogo institucional (ainda que não descarte estratégias mais firmes caso não haja respostas).
“Nós queremos o processo legal, do jeito que foi prometido para nós, ninguém quer invadir fazenda. Queremos que o governo faça as vistorias e levante essas terras públicas. Os dias aqui são precários, chove, molha tudo, mas a gente não vai ceder. Queremos resistir até conseguir o objetivo”, pontua.

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