Fitoterapia e espiritualidade no rompimento de cercas e tecimento de teias no regional do Rio Grande do Sul* 

A valorização do saber ancestral no manejo agroecológico e na medicina popular, assim como a força e espiritualidade das Romarias da Terra, têm sido parte fundamental da ação da CPT regional Rio Grande do Sul junto às comunidades 

Edição: Ruben Siqueira (CPT/BA), Carlos Henrique Silva (Setor de Comunicação da CPT Nacional), Heloisa Sousa (Setor de Comunicação da CPT Nacional)

Foto: CPT Rio Grande do Sul
Farmácia Viva – Formações em Agroecologia e Fitoterapia

Este trabalho de formação popular e agroecológica resgatou muitas receitas caseiras que estavam condenadas ao esquecimento, bem como promoveu o aprofundamento e a divulgação das receitas que já estão registradas. Todos os trabalhos que a comunidade Padre Josimo realiza estão voltados à realidade dos camponeses pertencentes às comunidades camponesas das paróquias, CPT, quilombolas, indígenas, MST, MPA, MAB e associações de bairros. Enfim, sempre aos que mais precisam e demonstraram interesse para a construção de uma sociedade justa e solidária para todos. O resgate da fisioterapia com formação, oficinas, resgatando muitos tipos de tintura e pomadas para que as pessoas, em grupo, possam colocar em prática para ter uma vida mais sadia e com menos gastos.

Histórico – A comunidade Padre Josimo é formada por franciscanos e capuchinhos desde há  30 anos e, desde seu início, foi constituída num assentamento do MST, com a inspiração da itinerância. Hoje está localizada nos assentamentos de Hulha Negra, atuando num bloco de 56 assentamentos que compreendem também Candiota e Aceguá, na fronteira com o Uruguai. Desde o início da caminhada a comunidade se envolveu na organização e atuação nos movimentos sociais, sempre com a preocupação em ser fermento na massa com nossa presença nas ações.

Criança participa de formação popular em agroecologia e fitoterapia. Foto: CPT-RS

É uma experiência de Romper Cercas no sentido que promove outras economias, novas relações entre as pessoas e o território, buscando outras formas de cura e cuidado pessoal e interpessoal, tecendo teias de bem viver.

A realidade nos levou para a fitoterapia, despertando o resgate das ervas medicinais com suas indicações para a prevenção da saúde e cura de enfermidades. Essa é uma frente de formação fundamental para o trabalho da CPT-RS, e está em constante aprofundamento, aperfeiçoamento e diálogo com as realidades das comunidades tanto no campo quanto nas periferias urbanas.

Aprendizado – Nos trabalhos de organização, formação e ações concretas, se despertou para a questão ecológica, no plantio de árvores (2 milhões de árvores nativas e frutíferas foram plantadas nos assentamentos da região), com o resgate também de sementes crioulas (milho, feijão, arroz, trigo, hortaliças) e a construção de cisternas e fontes para solucionar o problema da falta de água potável às famílias. Tanto o povo aprende com os agentes da CPT, quanto a própria CPT da Microrregião Fronteira Sul do RS tem se fortalecido através da missão do Frei Wilson Zanatta, na formação popular e agroecológica.

Romarias da Terra 

As Romarias da Terra do Rio Grande do Sul ocorrem anualmente, sempre na terça-feira de Carnaval, em decorrência da data das primeiras Romarias da Terra. A segunda foi realizada em uma terça-feira de Carnaval de 1978. A última edição de 2025, de número 48, ocorreu no Santuário do Caaró, município de Caibaté, marcada pela memória dos 400 anos da chegada dos padres Jesuítas ao estado, com o tema “400 anos de evangelização missioneira: Terra sem males e ecologia integral” e o lema bíblico “Eu vi um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1).  

Histórico – A Romaria da Terra no Rio Grande do Sul caminha rumo ao seu cinquentenário de cuidado com o povo de Deus e com a casa comum. São 48 anos, sendo que a 44ª edição aconteceu em dois anos, sendo em um ano virtual, devido à pandemia da COVID 19, e em outro, presencial, em Ilópolis.

É uma romaria já tradicional no Rio Grande do Sul, pela especificidade da data. É organizada pela CPT-RS junto às comunidades, paróquias, diocese, movimentos e organizações do território escolhido para sua realização. 

São experiências de Romper Cercas, porque realizam os enfrentamentos necessários no campo da ecologia integral, direitos dos agricultores e continuidade do caminho para reforma agrária. E também de Tecer Teias, porque são construídas pela coletividade dos movimentos sociais do campo e das pastorais sociais gaúchas, sendo um marco da caminhada de fé de muitas pessoas de nosso território.

Para a CPT do Rio Grande do Sul, este é o principal projeto que une forças no início do ano e orienta as ações de nossos agentes durante o ano seguinte. Ela ocorre sempre em sintonia com o tema e lema da Campanha da Fraternidade.

*experiências descritas na íntegra no “Caderno de Experiências”, utilizado nas tendas do V Congresso Nacional da CPT.

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