CPT Maranhão inaugura exposição fotográfica no centro de São Luís 

o evento contou com um público superior a 120 pessoas, entre estudantes, turistas, docentes e os povos e comunidades tradicionais do estado

Por Breno Muniz/Comunicador Popular (MA)/Edição: Everton Antunes/Comunicação CPT Nacional

Foto: Cruupyhre Akroá Gamella

No último dia 09, a CPT Maranhão realizou a abertura da exposição fotográfica “Teimosia de Viver” na Galeria do Centro de Referência Azulejar do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), localizada no centro histórico de São Luís (MA). Essa iniciativa reúne um trabalho fotográfico e memorial do arquivo da Pastoral, além de fotografias capturadas pelas lentes dos povos e comunidades tradicionais de diversas regiões do estado

O primeiro dia da exposição reuniu mais de 120 pessoas, incluindo representantes de comunidades tradicionais indígenas, quilombolas e camponesas, estudantes, professores, pesquisadores e público em geral. “Teimosia de Viver” é de realização da Comissão Pastoral da Terra no Maranhão, em parceria com Grassroots International, Misereor, Agro É Fogo, Campanha Salve uma Floresta, Instituto Federal do Maranhão – Campus Centro Histórico (IFMA-CCH), o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI-CCH) do IFMA e o Ministério Público do Trabalho do Maranhão (MPT-MA). 

Programação

A partir das 08 da manhã, o auditório Zezé Cassas recebeu uma mesa de abertura entre docentes e alunos do IFMA-CCH, agentes pastorais da CPT-MA e os povos de territórios e comunidades tradicionais que tiveram seus registros fotográficos selecionados. Esse momento marcou a celebração à resistência, aos modos de vida e à diversidade cultural do campo, das águas e das florestas no estado, evidenciando a alegria e a teimosia como parte fundamental do bem-viver

“É importante, para as pessoas que não moram nesses territórios, que elas saibam que, além dos conflitos, a gente também vive, tem alegria, que, para além dos desafios, estamos fortes, fazendo resistência”, destacou Carla de Fátima Pereira, da coordenação colegiada  da CPT-MA, em fala durante a mesa de abertura.

Foto: Cruupyhre Akroá Gamella

Já às 10h, o público do auditório deslocou-se até a galeria, onde aconteceu a inauguração e visita da exposição fotográfica, que possibilitou o acesso do público ao acervo exposto e também apresentou as histórias contadas pelas comunidades, por meio da imagem. “Esse trabalho é fruto de conversas de mais de três anos. A gente veio amadurecendo essas ideias e propiciando esse espaço”, explicou o curador da exposição, Adson Carvalho, que conduziu a visitação. 

Foto: Cruupyhre Akroá Gamella

Do lado de fora, a Rua da Palma foi palco de intervenções culturais e momentos de mística dos povos e comunidades tradicionais presentes na exposição. Indígenas, quilombolas e camponeses do Maranhão ocuparam o centro histórico com danças e cantorias ao som de maracás e tambores.

Pela tarde, a partir das 13h30, as atividades da exposição seguiram com a roda de conversa “Luta e Resistência das Comunidades Tradicionais do Maranhão”, na qual lideranças de povos e comunidades tradicionais presentes expressaram suas “Teimosias de Viver” dentro dos próprios territórios: as falas evidenciaram diferentes formas de resistências, que dialogam com a defesa da vida e do direito à Casa Comum.

“Os rios, de onde nós tiramos nosso alimento, estão acabando porque os invasores entraram e destruíram tudo, mas nós somos um povo resistente e teimoso”, afirmou Craa Cwyj Akroá Gamella, do Território Indígena (T.I.) Taquaritiua, em Viana (MA). 

Já a liderança do Quilombo Capoeira Grande, localizado no município de Peri Mirim (MA), Rosa Durans, compartilhou experiências comunitárias de resistência a partir da educação. “Eu tinha um sonho de colocar livros na nossa comunidade, uma biblioteca comunitária. Então, através desse meu sonho, nós conseguimos montar essa biblioteca na minha casa, onde, hoje, funciona a Biblioteca-Escola Quilombola Tia Rosa”, celebra. 

Sobre a Exposição

A exposição “Teimosia de Viver” acontece na Galeria do Centro de Referência Azulejar do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), no centro histórico de São Luís (MA), e segue aberta ao público até o dia 19 de junho. Após esse período, a exposição vai ao 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, que acontece no Quilombo Tanque da Rodagem/São João, em Matões (MA). 

Horário de visitação: de segunda a sexta, das 08h às 12h (manhã) e das 14h às 18h (tarde). 

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