NOTA DE DENÚNCIA PÚBLICA – CPT Regional Acre
A CPT Regional Acre vem manifestar profunda indignação e repúdio diante da escalada da violência no campo, em especial no sul do Amazonas, muitas vezes denominado “terra sem lei”.
Essa escalada de violência no campo, aliada à omissão dos poderes públicos, tem resultado em mortes, ameaças e violações sistemáticas dos direitos humanos.
A realidade enfrentada pelas populações tradicionais, lideranças comunitárias, trabalhadores e trabalhadoras da terra e defensores do meio ambiente revela um cenário alarmante de insegurança e impunidade.
Conflitos por terra, disputas territoriais e interesses econômicos têm sido resolvidos por meio da força, colocando vidas em risco e fragilizando ainda mais comunidades já vulneráveis.
Um exemplo, no último sábado (25/04/2026), foi a morte de 03 agricultores da gleba Recreio do Santo Antônio, por disputa do território com fazendeiro. Mais uma vez, a força da violência fica sendo uma prática cotidiana.
É inaceitável que vidas continuem sendo ceifadas em decorrência da luta pelo direito aos territórios, ao trabalho digno e à preservação ambiental.
Cada morte representa não apenas uma perda irreparável, mas também um grave atentado à justiça social e aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do campo, que historicamente enfrentam desigualdades, violência e abandono.
Diante disso, exigimos:
- A apuração rigorosa e célere de todos os casos de violência no campo;
- A responsabilização dos autores e mandantes desses crimes;
- A garantia de justiça para os trabalhadores e trabalhadoras da terra, com o devido reconhecimento de seus direitos e proteção contra todas as formas de violência;
- A implementação de políticas públicas eficazes de proteção às comunidades ameaçadas;
- O fortalecimento dos mecanismos de mediação de conflitos agrários;
- O respeito aos direitos territoriais e humanos das populações do campo.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, da justiça e da dignidade humana, especialmente dos trabalhadores e trabalhadoras da terra, que sustentam suas comunidades e lutam diariamente por seus direitos. Não aceitaremos o silêncio nem a normalização da violência.
Nenhuma morte a mais no campo.
Comissão Pastoral da Terra – Regional Acre
28 de abril de 2026.


