Em 2025, 1.991 trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo rural, segundo relatório da CPT
Publicação “Conflitos no Campo Brasil 2025” aponta aumento de 5% no número de trabalhadores resgatados em relação ao ano de 2024
Por Assessoria de Comunicação CPT
No ano de 2025, em que o Grupo Móvel de Fiscalização completou 30 anos, 1.991 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo rural, em 159 casos registrados, como mostram os dados da publicação “Conflitos no Campo Brasil 2025”. Após uma queda em 2024 em relação ao ano de 2023, que apresentou o maior número de resgatados dos últimos dez anos, 2025 indicou um aumento de 5% quando comparado ao ano anterior. A Campanha Permanente da CPT “De Olho Aberto para não Virar Escravo” registrou, ainda, 1.007 pessoas resgatadas em 122 casos de trabalho escravo urbano, em forte crescimento (+60%).

Um dos casos mais emblemáticos do ano passado foi registrado na obra de construção de uma usina de etanol no Mato Grosso, no município de Porto Alegre do Norte, onde 586 pessoas foram resgatadas. Aliciados nas regiões Norte e Nordeste do País, os trabalhadores dormiam em quartos precários e superlotados, sofriam com a ausência frequente de água e energia e má alimentação. A ação foi deflagrada após um incêndio no local, que atingiu o principal alojamento dos trabalhadores. Além desse caso, houve, também no Mato Grosso, o resgate de 20 pessoas em uma fazenda de corte e empilhamento de madeira, totalizando 606 resgates no estado.
Já Minas Gerais, por mais um ano, se destaca entre os estados com mais casos de trabalho escravo, totalizando 35 registros e 303 trabalhadores resgatados em 2025, sendo o estado com maior número de ocorrências. Em seguida, aparecem Goiás, Bahia, São Paulo e Maranhão liderando os números de trabalhadores resgatados, sendo 220, 171, 142 e 135 pessoas resgatadas, respectivamente.

Atividades Econômicas
Entre as atividades econômicas com mais trabalhadores resgatados estão construção de usina (586), lavouras (479), cana-de-açúcar (253), mineração (170) e pecuária (154). Trata-se de setores que historicamente concentram os maiores registros de trabalho escravo, com destaque recorrente para as lavouras e a pecuária.
Na região Centro-Oeste, as atividades com mais trabalhadores resgatados foram construção de usina e, por mais um ano, a cana-de-açúcar, com 586 e 166 pessoas resgatadas, respectivamente. No Sudeste, as lavouras se destacam, com 384 resgatados (sendo 236 em lavoura de café), em seguida vem a produção de carvão vegetal, com 53 pessoas resgatadas. A região Nordeste apresentou mais trabalhadores resgatados na mineração (144), assim como no ano anterior, e no extrativismo vegetal (118). No Norte, a pecuária (63) e a mineração (25) aparecem em destaque. Já na região Sul, a cana-de-açúcar (57) e as lavouras (41) foram as atividades com mais trabalhadores resgatados.
Relatório – Elaborado anualmente pela CPT desde 1985, com a primeira publicação em 1986, o relatório Conflitos no Campo Brasil é uma fonte de pesquisa para universidades, veículos de mídia, agências governamentais e não-governamentais. O relatório é construído, principalmente, a partir do trabalho de agentes pastorais da CPT, nas equipes regionais que atuam em comunidades rurais por todo o País, além da apuração de denúncias, documentos e notícias, feita pela equipe de documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc-CPT) ao longo do ano.
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