Relatório anual da CPT aponta aumento de 100% no número de assassinatos no campo entre 2024 e 2025
A publicação também registrou alta no número de prisões, casos de humilhação, cárcere privado e concentração de execuções na Região Norte do Brasil
Por Assessoria de Comunicação CPT
Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) registraram que, em 2025, houve aumento de 100% no número de assassinatos, em comparação com o ano retrasado – isto é, de 13 para 26 ocorrências. Esses e outros panoramas são apresentados pelo relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta segunda-feira (27), na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília/DF.

A 40ª edição do relatório também dá conta de uma queda no registro das ocorrências de conflitos no campo (de 2.207, em 2024; para 1.593, no ano passado) e uma diminuição no número de vítimas, também nesse mesmo período (isto é, de 1.181 para 581 indivíduos). Em recorte de gênero, no ano retrasado, as mulheres representavam quase 18.9% do total das vítimas de violências; ao passo que, no ano passado, cerca de 10.5%. No entanto, em grande parte dos registros, o gênero das vítimas não é divulgado, o que contribui para a subnotificação dos números.
Por outro lado, a publicação notifica 02 massacres – que, na compreensão da Pastoral, ocorrem quando há mais de três mortes em uma mesma ocasião, localidade e espaço de tempo, em ataques concentrados de forças públicas ou privadas – no ano de 2025. Um caso aconteceu no estado do Pará; o outro, em Rondônia – cada um com 03 vítimas, o que representa 23% dos assassinatos daquele ano.
O relatório também revela que os fazendeiros são os principais agentes envolvidos nos casos de assassinatos do ano passado. Dos 26 registros, 20 – ou cerca de 77% – são atribuídos, direta ou indiretamente, a esse grupo, na condição de mandantes ou executores.

A respeito das ocorrências de violências, também houve diminuição: em 2024, foram notificados 1.548 casos e, no ano passado, 978, o que representa um recuo de, aproximadamente, 37%. Contudo, o relatório denuncia o aumento nos registros de prisões (de 71 para 111), casos de humilhação (de 5 para 142) e cárcere privado (de 1 para 105) nesse mesmo período.
“A alta dos casos de humilhação e cárcere, por exemplo, se dão pela ação arbitrária da polícia militar do estado de Rondônia, que em novembro de 2025, no contexto da operação Godos, interrompeu uma reunião pública com cerca de 100 famílias sem terra, despejadas de seus acampamentos, e servidores do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar)”, explica Gustavo Arruda, documentalista do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc/CPT).
Ele ainda acrescenta que “o aumento dos casos de prisões também se dá por conta de ações pontuais da força do Estado sob comunidades: neste caso, é reflexo da polícia do estado da Bahia, que prendeu cerca de 24 povos originários da TI (Terra Indígena) Barra Velha; e da polícia militar de Rondônia, que, também no ano passado, realizou diversas operações de perseguição a integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP)”.
Região Norte

A Região Norte do país concentra pouco mais de 61% dos casos de assassinatos registrados em 2025 (16) e, no ano retrasado, foi palco de outros 7 registros. Em recorte por estado, Rondônia e Pará acumulam, cada um, 7 casos; ao passo que o Amazonas apresentou 2 ocorrências.
Na visão de Larissa Rodrigues, integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, esses números revelam “o avanço de um projeto histórico de expansão colonial e capitalista sobre a Amazônia, que continua atingindo e transformando os povos e territórios inteiros em alvos de expropriação e extermínio”. Rodrigues também atribui esse quadro de mortes ao fortalecimento do “consórcio entre grilagem, crime organizado, setores do Estado, além de setores privados, que atuam juntos para atingir terras públicas e áreas protegidas”.
Última década
A publicação Conflitos no Campo também fornece dados do conjunto das Violências contra a Pessoa entre 2016 e 2025, que revelam 24.774 vítimas de diferentes formas de violência, a exemplo de assassinatos, ameaças de morte, tentativas de assassinatos, prisões, entre outras categorias. Desse total, 1.707 pessoas – ou, aproximadamente, 6.9% – são mulheres. Ao longo dos últimos dez anos, os Sem Terra (129), Indígenas (93), Posseiros (38) e Quilombolas (31) lideram o ranking de registros de assassinatos.
O Relatório de Conflitos
Elaborado anualmente pela CPT desde 1985, com a primeira publicação em 1986, o relatório Conflitos no Campo Brasil é uma fonte de pesquisa para universidades, veículos de mídia, agências governamentais e não-governamentais. O relatório é construído, principalmente, a partir do trabalho de agentes pastorais da CPT, nas equipes regionais que atuam em comunidades rurais por todo o País, além da apuração de denúncias, documentos e notícias, feita pela equipe de documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc-CPT) ao longo do ano.
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