Conflitos por Terra e Água continuaram a devastar territórios e vidas no campo brasileiro em 2025
Violências por terra representam a maioria dos registros de ocorrências no último ano
Por Assessoria de Comunicação CPT
No ano de 2025, os Conflitos por Terra registrados pela CPT continuam a representar o maior percentual nos números de conflitos no campo. Dos 1.593 conflitos registrados pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc/CPT), 1.286 correspondem a ocorrências no Eixo Terra. Desses, 1.186 equivalem às violências contra a ocupação e a posse, enquanto 100 se referem às resistências dos povos da terra contra as ofensivas e as injustiças do agro-hidro-minero-negócio e seus projetos de dominação da natureza e humanidade.
No panorama geral, as violências no eixo terra constituem 75% dos dados divulgados, e as resistências, 6%. Das 100 ações de resistência registradas, 90 ocorrências são de ocupações, em sua maioria (72) realizadas por camponeses e camponesas sem terra, que ainda promoveram 9 acampamentos de luta. Os números de resistências apresentaram um aumento em 2025, em relação a 2024 (80 ocorrências), o que, segundo o Cedoc, demonstra que, embora os registros de violência tenham sofrido uma queda nesse último ano, as comunidades seguem resistindo na luta para a conquista e garantia de seus direitos.

Em 2025, a maioria das violências que integram o eixo terra apresentou redução no número de ocorrências, seguindo a tendência dos últimos anos. As principais foram contaminação por agrotóxicos (127 casos), invasão (193) e pistolagem (113). De acordo com a Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama), principal fonte de registros de ocorrências de contaminação por agrotóxicos da CPT, o cenário não é otimista, mas “um alerta que pode demonstrar um contexto agudo de subnotificação, medo e o aperfeiçoamento de táticas de intimidação e ocultação pelo agronegócio”, afirma no relatório Balanço de 2025: Mapa do Veneno consolida rastro da guerra química em 110 comunidades no Maranhão.
Conflitos por estados
Na comparação entre os estados, o Maranhão foi o que mais registrou casos de violência no eixo terra (190 casos), com destaque para as 91 ocorrências de contaminação por agrotóxicos, cenário que também se apresentou em 2024. Em seguida, aparece o estado do Pará, com 142 registros de violência, seguido por Rondônia (111) e Bahia (101).
Faces da violência

Nos conflitos no campo, o lado mais prejudicado é sempre o dos povos e comunidades originárias e tradicionais. Em 2025, os povos indígenas continuaram à frente das categorias que mais sofreram violências no eixo terra, com 258 ocorrências. Na sequência, os posseiros (248), os quilombolas (244) e os povos sem-terra (153). Durante o V Congresso Nacional da CPT, que marca essa 40º edição do relatório, diversos povos da terra, das águas e das florestas levantaram suas vozes contra a violência no campo, como a liderança indígena da Amazônia Alessandra Munduruku:
“Hoje, dentro do nosso território, temos o garimpo, o mercúrio, que está contaminando as mulheres e o leite materno está contaminando nossos filhos. As mulheres têm medo de engravidar. É um absurdo, para nós que moramos na Amazônia, perceber que o nosso rio está sujo, barrento e contaminado. Também existe a grilagem de terras, que, cada vez mais, avança e esses projetos de lei que estão sendo aprovados no Congresso afetam ainda mais os nossos territórios”.
As violências por omissão e conivência – categoria de responsabilidade dos governos federal, estaduais e municipais, enquanto violadores de direitos, por falta de ação do poder público na garantia de direitos básicos – apontaram crescimento, com 224 ocorrências em 2025. Essas violências se expressam, por exemplo, na não demarcação de terras indígenas e não titulação de territórios quilombolas. Também apresentaram aumento as ocorrências de violação das condições de existência – referente às violações por setores e agentes privados, no descumprimento de procedimentos legais e normativas vigentes -, com 117 registros. O desrespeito à Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, como a não garantia da Consulta Livre, Prévia e Informada aos povos indígenas e tradicionais, é uma das expressões desse tipo de violência registrada pelo Cedoc/CPT.
Assim como em 2024, os fazendeiros representam a categoria que mais causou violência no eixo terra em 2025, com 515 casos, seguidos por empresários (180), Governo Federal (114) e governos estaduais (85). A atuação truculenta de setores privados do agro-hidro-minero-negócio, somada à negligência e morosidade do poder público, garante que o cenário de conflitos no campo continue devastadoramente atroz, mesmo que aparente uma queda nos registros.
Conflitos pela Água
De acordo com o Centro de Documentação, no entendimento histórico da CPT, conflito pela água é toda ação que representa a resistência do povo do campo contra a destruição e/ou poluição e contaminação de cursos d’ água e lençóis freáticos, além da mobilização frente à apropriação particular da água e o combate à construção de hidrelétricas e barragens, que impactam diretamente e de forma irreversível os territórios. Em 2025, o Cedoc registrou 148 ocorrências de conflitos por água, o menor número dos últimos dez anos.
Assim como observado no ano anterior, o Pará permanece como o estado com o maior número de registros de Conflitos pela Água em 2025 (21 ocorrências), seguido por Bahia (19) e Minas Gerais (18). Com exceção do Distrito Federal, todas as unidades da federação registraram, ao menos, um caso de conflito no eixo água.

Como nos Conflitos por Terra, os indígenas foram os principais violentados nos Conflitos por Água (42 ocorrências), seguidos dos quilombolas (24), pequenos agricultores (20) e os ribeirinhos (17). Já entre os agentes causadores das violências no eixo água, se destacaram as mineradoras (34), empresários (29), garimpeiros (26), fazendeiros (23) e usinas hidrelétricas (9), que continuam a impactar de forma significativa o acesso à água dos povos e comunidades do campo.
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