Mulheres camponesas indígenas, ribeirinhas e agentes da CPT em Itacoatiara/AM fortalecem o protagonismo em seus territórios

No dia 07 de março de 2026, foi realizado no Centro Pastoral São Paulo VI, em Itacoatiara (AM), o Encontro Alusivo ao Dia Internacional das Mulheres, reunindo mulheres camponesas e mulheres da Comissão Pastoral da Terra (CPT), oriundas de diferentes territórios e comunidades, entre eles a Aldeia Correnteza, na Terra Indígena Rio Urubu; a Comunidade Nossa Senhora Aparecida do Jamanã; o Quilombo Sagrado Coração de Jesus; a Comunidade Rondon; a Comunidade Aparecida do Jamanã; a Comunidade Centenário; a Comunidade Santa Fé do Canaçari; e a Comunidade São João do Araçá, no Rio Arari. A atividade foi promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em parceria com a Prelazia de Itacoatiara.
O encontro teve como objetivo fortalecer o protagonismo das mulheres em seus territórios, incentivando sua permanência no campo, nas águas e nas florestas, bem como reafirmando a importância da organização coletiva, da defesa dos direitos e da valorização de seus modos de vida. A programação também ressaltou a importância do cultivo da terra, da produção de alimentos saudáveis, da proteção da floresta e da defesa de uma vida digna, em contraposição às diversas formas de exclusão.

Ao longo da programação, foram promovidos momentos de escuta, reflexão, partilha e roda de diálogo, orientados por mulheres da Comissão Pastoral da Terra, que abordaram temas centrais à realidade vivida pelas participantes. Entre os assuntos discutidos, destacaram-se a violência contra a mulher, seus sinais, formas de denúncia e redes de apoio; o trabalho escravo contemporâneo e outras formas de exploração no trabalho; os direitos e políticas públicas para mulheres nos territórios, com ênfase no acesso à documentação, benefícios, saúde, educação e assistência; além da importância do autocuidado e da saúde integral da mulher, considerando corpo, mente e espiritualidade.

As discussões evidenciaram desafios concretos enfrentados pelas mulheres em seus contextos, como a violência e suas múltiplas manifestações, a precarização do trabalho, a negação de direitos básicos, a dificuldade de acesso a políticas públicas e a ausência de atendimento adequado em áreas essenciais, como saúde e educação. Ao mesmo tempo, reforçaram-se caminhos de proteção, resistência e organização coletiva, com destaque para a importância das redes de apoio, dos espaços de formação e da denúncia como instrumentos de enfrentamento das violações de direitos.
No período da tarde, as participantes vivenciaram momentos de autocuidado, acolhimento e valorização, por meio de uma ação social que contou com a presença da UNIPLAN, representada por professores e alunos dos cursos de Enfermagem, Fisioterapia e Pedagogia. Foram realizados serviços de verificação de sinais vitais, massagens relaxantes, acolhimento e atividades de integração, fortalecendo esse momento de cuidado, escuta e atenção às mulheres presentes. O Salão Tulipas também esteve presente, contribuindo para esse momento de bem-estar e valorização.

A realização do encontro contou com o importante apoio da Prelazia de Itacoatiara, que colaborou para a concretização da atividade e reafirmou seu compromisso com a promoção, o cuidado e a valorização das mulheres. O evento contou ainda com a presença de importantes instituições e organizações, como a UNIPLAN, a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Instituto de Defesa das Mulheres e Meninas Casa de Maria, a Rede Um Grito pela Vida, o grupo Alcoólicos Anônimos, além de outras representações da sociedade civil.
Mais do que uma atividade alusiva à data, o encontro constituiu-se como um espaço de formação, escuta, denúncia, fortalecimento e reconhecimento da dignidade das mulheres, reafirmando o compromisso com a valorização das mulheres camponesas e com a construção de territórios mais justos, sustentáveis e livres de violência.

Por Daniele Berge Negreiros e Sara Negreiros Nascimento (CPT da Prelazia de Itacoatiara/AM)


