Mulheres ocupam fazenda marcada por violência e trabalho escravo no Tocantins

A mobilização reúne mulheres camponesas, trabalhadoras rurais e lideranças populares que ocupam fazenda em situação irregular no Tocantins. Foto: MST TO
A mobilização reúne mulheres camponesas, trabalhadoras rurais e lideranças populares que ocupam fazenda em situação irregular no Tocantins. Foto: MST TO

Mais de 400 pessoas, em sua maioria mulheres, ocuparam a Fazenda Santo Hilário, área pública de 2.462 hectares localizada em Araguatins, no Bico do Papagaio, norte do Tocantins. A mobilização denuncia a permanência irregular de um fazendeiro associado a práticas de grilagem, violência no campo e exploração de trabalho escravo.

A área da Fazenda Santo Hilário teve sua matrícula cancelada em 2020 e passou a integrar o patrimônio da União Federal, com destinação para fins de reforma agrária. Apesar disso, segundo denúncias das mulheres, o fazendeiro segue ocupando o território de forma irregular.

Além do histórico de conflitos, o proprietário já figurou na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro oficial que reúne empregadores responsabilizados pela exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão. Para as famílias mobilizadas, a permanência do fazendeiro na área representa um grave desrespeito às decisões judiciais e às políticas públicas de enfrentamento à grilagem e ao trabalho escravo.

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A ação integra a agenda de mobilizações das mulheres da região amazônica em defesa da terra, da reforma agrária e do enfrentamento ao trabalho escravo. Foto: MST
A ação integra a agenda de mobilizações das mulheres da região amazônica em defesa da terra, da reforma agrária e do enfrentamento ao trabalho escravo. Foto: MST

As mulheres também denunciam a demora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em cumprir os encaminhamentos relacionados à área. O órgão deveria ter realizado uma vistoria no imóvel até setembro de 2025, prazo que, segundo os movimentos sociais, não foi respeitado.

A mobilização reúne mulheres camponesas, trabalhadoras rurais e lideranças populares que reivindicam a destinação imediata da área para a reforma agrária e a garantia de proteção às famílias. O território está localizado no Bico do Papagaio, região que historicamente registra conflitos agrários, casos de grilagem de terras públicas e denúncias de trabalho escravo.

Em manifesto divulgado durante a ocupação, as participantes afirmam que a ação também busca denunciar as múltiplas violências vividas pelas mulheres no campo.

“Exigimos o imediato cumprimento das decisões judiciais para que a violência não se perpetue na região Amazônica. Reivindicamos o que é nosso e denunciamos o conjunto das violências que atravessam nossa existência, nossos corpos e nossos territórios”, afirmam.

A ação integra a agenda de mobilizações das mulheres da região amazônica em defesa da terra, da reforma agrária e do enfrentamento ao trabalho escravo. A Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra deste ano teve início no dia 8 de março e vai até a próxima quinta-feira, dia 12, com mobilizações em 13 estados, de todas as regiões do país. 

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) acompanha a situação e reforça a necessidade de que as autoridades cumpram as decisões judiciais e garantam a destinação da área para as famílias camponesas.

Confira o manifesto da Jornada Nacional de Lutas: https://mst.org.br/2026/03/09/mulheres-sem-terra-lancam-carta-manifesto-em-jornada-nacional-nacional-de-lutas/

Fotos: MST TO
Texto: Evandro Rodrigues (CPT/TO)
Edição: Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)

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