Montes Claros (MG) recebeu a 7ª edição da Romaria da Terra e das Águas no mês de outubro 

A celebração deu visibilidade aos impactos ambientais causados na região do Norte de Minas Gerais e envolveu a escuta das comunidades camponesas 

Por CPT Norte de Minas Gerais

Foto: CPT MG e Articulação do Cerrado

No dia 26 de outubro, na região limítrofe entre Montes Claros e o município de Bocaiúva, em Minas Gerais, aconteceu a 7ª Romaria da Terra e das Águas da Paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e São José de Anchieta. A romaria, que recebeu quase 380 pessoas, foi preparada ao longo do ano, com o envolvimento da comunidade local de Abóboras e de diversas entidades interessadas na promoção da ecologia integral. 

A Romaria teve o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de diversos parceiros comerciais e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Também apoiaram o evento a Cooperativa Grande Sertão, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Cozinha Solidária, o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais (CAA/NM),  a Legião de Assistência Recuperadora, além de lideranças políticas e populares da região.

O percurso escolhido teve a intenção de denunciar a depredação ambiental que se verifica naquela região desde a pavimentação da Rodovia BR-135 há quase 50 anos. 

Foto: CPT MG e Articulação do Cerrado

“O descaso com os impactos ambientais permitiu que a cobertura vegetal fosse arrancada; o cascalho, retirado; gerando a exposição da areia dos morros. Sem proteção natural, as chuvas carregaram a areia para os rios, o que provocou o assoreamento dos corpos hídricos e causou uma erosão de diversos metros de profundidade. A iniciativa popular tenta criar barreiras de contenção às enxurradas, mas denunciamos a ausência do poder público em vista de uma solução definitiva”, é o que descreve e enfatiza o Padre José dos Passos da Silva, da Paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e São José de Anchieta.

Ao longo da caminhada, houve iniciativas de contenção das águas da chuva nas ‘barraginhas’, as quais são um instrumento de alimentação dos lençóis freáticos. Ainda de acordo com o Padre, “a enxurrada, que arrasta terra para os rios, ao ser contida, permite que a água permaneça mais tempo estocada e possa infiltrar-se na terra”. 

A Romaria também se fez de momentos de escuta dos moradores locais e as lutas pela preservação das nascentes, bem como do enfrentamento às erosões. 

“Para mim, foi uma experiência muito valiosa. Nós temos uma responsabilidade muito grande com a Mãe Terra, que nos fornece o alimento, a vida e a energia. Sem água, ninguém vive e, sem a terra, as pessoas não conseguem produzir”, observa Maria Madalena Oliveira, da comunidade Abóboras, na região Norte de Minas Gerais, que participou da sétima edição da Romaria.

Homenagens

Na ocasião do evento, a Igreja e romeiros prestaram homenagem a Braulino Caetano, geraizeiro, Diretor Geral e Sócio-Fundador do CAA/NM, falecido no dia 23 de outubro de 2025. “Braulino Caetano, liderança local e lutador em favor do meio ambiente, tendo cumprindo sua missão neste mundo, passou à glória eterna de Deus. Que sua luta nos inspire e sua intercessão junto a Deus nos fortaleça”, diz dos Passos da Silva, ao recordar a trajetória do camponês da comunidade de Abóboras.

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