COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

Por CPT João Pessoa

Mulheres camponesas do estado da Paraíba marcharam pelas ruas da capital João Pessoa, na última sexta-feira (8), para cobrar melhores condições de vida no campo e em busca de denunciar as violências sofridas.

Acompanhadas de um carro de som, de onde cantavam, anunciavam suas conquistas e denunciavam suas dores, as mulheres caminharam por cerca de 8 quilômetros pelas principais ruas e avenidas da cidade. 

"Estamos lutando por direitos, por terra, por moradia, por vida digna. Porque nós queremos produzir alimentos, e essa terra brasileira tem que ser partilhada com aquelas pessoas que querem produzir alimento. Não é concebível um país como o Brasil ter tanta gente passando fome", indagou Dilei Aparecida Schiochet, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Após cerca de 2 horas, a marcha das mulheres camponesas chegou ao Ponto de Cem Réis, no Centro, onde se juntou ao Ato Político Cultural Pela Vida das Mulheres. Em meio a diversas expressões culturais, como apresentações musicais e teatrais, mulheres do campo e da cidade de diversos coletivos, movimentos sociais e organizações populares  apresentaram suas demandas à sociedade.

"As mulheres camponesas fizeram essa longa caminhada, mas antes dela fizemos valer nossas reivindicações pautadas na nossa 'casa maior', o Incra do Estado da Paraíba. Então, somar aqui hoje é a continuidade da nossa luta, é a certeza que marcharemos e continuaremos unidas, de braços dados e dizendo: somos resistência!", afirmou Jéssica Silva, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de João Pessoa.

Liderança da ocupação urbana Mariele Franco, Jayane Andreia da Silva defendeu que todo mundo merece uma moradia digna e respeito. "A gente merece ser bem recebida em qualquer lugar, independente da sua religião, da sua cor, todo mundo merece respeito. Estamos aqui lutando, não só hoje, mas todos os dias, pela moradia digna de todas nós", pontuou.

Nesse mesmo sentido, Joyce Moura, do Fórum Estadual de Reforma Urbana, reivindicou uma profunda reforma urbana em João Pessoa e em todo o país. "Nós exigimos que a terra, que os prédios e os espaços da nossa cidade deixem de ser propriedade privada de um punhado de capitalistas e passem a ser propriedade coletiva de todo o povo, de todas as mulheres trabalhadoras e de todas as suas famílias", protestou.

O Ato Político também lançou o Manifesto Pela Vida das Mulheres, no qual o Movimento de Mulheres Feministas da Paraíba denuncia dados relativos à violência contra a mulher  no estado: "A Paraíba apresentou, em 2023, a pior taxa de feminicídios do Nordeste, conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública", afirma o documento.

Seminário Estadual das Mulheres Camponesas

A marcha das mulheres camponesas foi a culminância do Seminário Estadual das Mulheres Camponesas: "Somos Todas Persona Non Grata", realizado na sede do Incra, nos dias 7 e 8 de março, e que contou com a participação de cerca de 500 pessoas, dentre mulheres, homens, jovens e crianças, de diversas comunidades do estado. 

A mobilização promoveu debates sobre diversos temas, dentre eles, as violações relacionadas ao patriarcado, ao machismo e ao uso abusivo dos agrotóxicos que afeta, especialmente, a saúde e o cotidiano das mulheres.

O debate também fez referência à concentração da terra, ao avanço das chamadas "energias limpas e renováveis" e o modelo de produção na base da monocultura, que destroem a biodiversidade e as práticas ancestrais dos povos do campo, das águas e das florestas.

Motivado pelo Março de Luta das Mulheres, o Seminário foi organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da  Paraíba (Fetag-PB).

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