COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Os cerca de 100 participantes do 30º Encontro Nacional da Comissão de Justiça e Paz da família dominicana reuniram-se em Goiânia (GO) nos dias 2 e 3 de novembro de 2019 para refletir sobre os trinta anos de caminhada em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, à luz do Sínodo sobre a Amazônia, convocado pelo Papa Francisco.

Fonte / Imagem: CJP

Contando com assessoria de Judite da Rocha, convidada pelo Vaticano para participar do Sínodo e inspirada por um texto enviado por outra participante, Moema Miranda, os participantes foram motivados pelo convite ao amor cósmico que integra e reconecta toda a Criação, refletindo sobre as conclusões do Sínodo para a realidade brasileira e as ações da família dominicana (frades, irmãs, leigos e leigas) na região amazônica.

Em sua Carta Final, a Comissão toma uma posição clara em defesa de algumas bandeiras de luta: “Denunciamos o desmatamento e as queimadas de nossas florestas, o descaso com a poluição e vazamento de óleo em nossos mares, a lama que cobre a vida em favor do lucro, o veneno que chega às nossas mesas com o chancela do Estado, o desmonte da educação pública, o fim das políticas de reforma agrária popular, o aumento do trabalho escravo, a apologia à tortura e a tentativa de fragilizar o Estado Democrático de Direito”. 

Além disso, a Carta também explicita “a preocupação e indignação dessa família religiosa frente às violações de direitos humanos com as pessoas em situação de rua, os povos amazônicos, o tráfico de pessoas, a sub-representação das mulheres e a criminalização dos movimentos sociais”. O encontro também manifestou repúdio em relação ao assassinato do companheiro indígena Paulo Paulino Guajajara, no dia 1º de novembro por madeireiros no Território Indígena Araribóia (MA). Além disso, os participantes enviaram mensagem de solidariedade ao povo do Chile.

LEIA TAMBÉM: Democracia: mudança com Justiça e Paz

Sínodo para a Amazônia abriu o futuro

“Respeito aos territórios indígenas foi tema central durante Sínodo da Amazônia”, garante dom José Ionilton, vice-presidente da CPT

O diagnóstico da Comissão Dominicana de Justiça e Paz é que a Amazônia nunca esteve tão ameaçada como hoje, com autoridades que defendem sem pudor a exploração desenfreada das florestas e seus tesouros escondidos. Para os agentes, o Sínodo é uma resposta à lógica destrutiva do capital e apresenta um olhar de reconexão com “uma vida simples e sóbria” bem como exige aprender a “desaprender para reaprender” porque todos os seres humanos são parte dessa integralidade criativa na Casa Comum.

Em sintonia com a Igreja, a Comissão busca caminhos possíveis de nos organizar e enfrentar os desafios postos, por meio da ousadia, coerência ao Evangelho, escuta, diálogo e respeito. Além disso, o encontro encerrou-se com uma esperança: “a turbulência irá passar”.

Gostou dessa informação?

Quer contribuir para que o trabalho da CPT e a luta dos povos do campo, das águas e das florestas continue? 

Clique aqui e veja como contribuir