COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

A Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso (CPT-MT) lançou a publicação Conflitos no Campo Brasil 2018 nesta última terça-feira, 23, na sede da entidade na capital Cuiabá. Nessa quinta-feira, 25, o livro também está sendo lançado no município de Sinop. O lançamento nacional dos dados ocorreu na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, no dia 12 de abril.

Fonte: Assessoria de Comunicação da CPT

Imagem: CPT Mato Grosso

“Essa violência absurda que podemos ver aqui no Mato Grosso destacamos três categorias: a expulsão de famílias de suas terras, que é feita por fazendeiros e pistoleiros; o despejo das famílias, que é feito pela Justiça; e a pistolagem, que são as pessoas do campo que estão sofrendo ações de pistoleiros”, elencou, durante coletiva de imprensa de lançamento do relatório, Cristiano Cabral, professor e agente da Pastoral da Terra.

Cabral enfatizou ainda o aumento de famílias despejadas em 2018 em comparação com o ano anterior: “Foi absurdo! 633 famĺlias foram despejadas. Aumentou 88,39%. E o número de famílias expulsas, que mais nos assustou, chegou a 550 famílias em 2018 - um aumento de 13.650% em relação ao ano de 2017. São pessoas expulsas por pistoleiros e fazendeiros, e muitas vezes até pela própria polícia”.

Também participaram do evento camponeses acampados, que estão sob ameaça de morte; Miguelina Oliveira, da Comunidade Tradicional Nossa Senhora do Livramento; o indígena Porocó, do Povo Apiacá; Irmã Lurdes Araújo, da coordenação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi); Inácio Werner, coordenador do Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso (FDHT).

No estado do Mato Grosso ocorreram 54 conflitos no campo em 2018 envolvendo 28.598 pessoas. Desse total, foram 47 conflitos por terra, 3 por água e 4 trabalhistas. Nos conflitos por terra, a CPT no estado registrou 550 famílias expulsas de suas terras e 633 famílias despejadas. 859 famílias estiveram ameaçadas de despejo e 725 sofreram tentativa ou ameaça de expulsão dos lugares onde viviam. 440 famílias tiveram suas casas destruídas e 430 tiveram algum outro tipo de bem destruído.

“As famílias, no local onde percebem que é possível conseguir um espaço para trabalhar e terem sua dignidade, são expulsas, e é de forma violenta. Então, a pergunta que podemos fazer, diante disso, é terra para quem? E isso é muito sério porque Mato Grosso de fato sempre teve esse viés de violência com as famílias”, destacou Lurdes Araújo.

Entre os estados da região Centro-Oeste, o Mato Grosso lidera com vantagem quando se trata das áreas em disputa: são mais um um milhão de hectares envolvidos em conflitos agrários. Mais precisamente: 1.295.079. A soma de hectares em disputa no Centro-Oeste é de 1.571.400.

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Violência contra a pessoa

A Pastoral da Terra também contabilizou 1.174 ações de pistolagem contra os povos e comunidades do campo. “O Mato Grosso registrou o assustador aumento de 103,11% de famílias que sofreram ataques de pistoleiros. A violência se mantém presente na vida dos povos mais vulneráveis do campo. Uma realidade que teima em se manter sob o olhar de todos”, analisa a CPT no estado.

No Mato Grosso, em 2018, a CPT registrou o assassinato de duas lideranças em conflitos no campo: em fevereiro foi morto Carlos Antônio dos Santos, conhecido como Carlão, 51 anos, no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PSD) Rio Jatobá, no município de Paranatinga. Em outubro, foi assassinado Eriventon Tenharim, 43, da Terra Indígena (T.I) Kawahiva do Rio Pardo, situada no violento município de Colniza.

Quatro pessoas estão ameaçadas de morte - todas do município de Colniza, onde em 2017 ocorreu um massacre de nove trabalhadores rurais no Projeto de Assentamento Taquaruçu do Norte. Estão jurados de morte: Cleomar Tenharim, da T.I Kawahiva do Rio Pardo; o posseiro Osmar Antunes, do P.A Taquaruçu do Norte; e as duas lideranças da ocupação da Fazenda Bauru, conhecida como Magali, Marcos Sturaro e Derisvaldo Ferreira de Sá, conhecido como “Baiano da Garça”.

Além de estar ameaçado de morte, o indígena Cleomar Tenharim, de 31 anos, também sofreu uma tentativa de assassinato em outubro do ano passado.

No Brasil, são 165 pessoas ameaçadas de morte em 2018. O Maranhão é o estado que encabeça essa listagem com 57 pessoas juradas de morte.