COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

Fábrica de fogos de artifício clandestina funcionava ilegalmente ao lado da sede da CPT em Cajazeiras, Paraíba. Moradores do local denunciaram aos órgãos públicos a chegada de carregamento de pólvora ao local. Além da sede da CPT, mais de 50 casas ficaram destruídas.

 

 

A sede da CPT em Cajazeiras, Paraíba, onde também funciona o seu Centro de Formação de Camponeses Frei Beda, foi totalmente destruída, em decorrência da explosão de uma fábrica clandestina de fogos de artifício, no dia 13 de outubro último.

 A explosão foi tão grande, que seus efeitos foram sentidos em toda a cidade de Cajazeiras, atingindo um raio de mais de 200 metros. Foram danificadas, além da sede da CPT, mais de 50 casas vizinhas, sendo a única vítima fatal o proprietário da fábrica, o Sargento Reformado da Polícia Militar José Arimatéia dos Santos. Sua esposa, Lucinete Ricarte, e alguns moradores ficaram levemente feridos.

O Centro de Formação de Camponeses Frei Beda foi construído em 2004, a partir da mobilização e dos esforços dos camponeses sertanejos, da Comissão Pastoral da Terra e da entidade alemã Aktionskreis Pater Beda, que conseguiram realizar um antigo sonho de criar no sertão nordestino um espaço dedicado à formação e articulação de camponeses e suas comunidades. Assim, mais que a destruição de paredes e telhados, a explosão destruiu um símbolo da força dos camponeses nordestinos, que a partir de seus esforços e da esperança de seus sonhos, edificaram um espaço de cidadania e dignidade.

Além de ser utilizado para formação de camponeses e encontros pastorais, chegando a receber mais 100 trabalhadores em suas instalações, o Centro também servia às diversas instituições da sociedade civil, com a realização de eventos de grupos culturais, de professores municipais, de catequese e celebrações religiosas.

Esse evento trágico não foi fruto apenas da ação ilegal de um Sargento Reformado da Polícia Militar que, impunemente, construiu uma fábrica clandestina de fogos de artifício, colocando em risco a vida de centenas de trabalhadores e moradores que frequentava o local, mas também da omissão dos Poderes Públicos, os quais nada fizeram diante das denúncias dos moradores quando da chegada de carregamentos de pólvora ao local.

Agora, além de começar uma batalha judicial, sem prazo determinado, pela reparação dos danos sofridos, a Comissão Pastoral da Terra terá o desafio de não esmorecer diante de mais esse ato de violência e seguir na difícil missão de reconstruir a sua Sede, o Centro de Formação, além de renovar as forças na cotidiana defesa dos camponeses sertanejos em sua luta por terra e direitos.

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