COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Com o tema “Sementes de Resistência e a Espiritualidade do Povo de Deus em Luta”, e o lema: “Vós sois o Sal da Terra[...]Vós sois a Luz do Mundo”, a XXVI Assembleia da Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso (CPT-MT) ocorreu entre os dias 27 e 30 de março em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Confira a Carta Final do evento:

 

“Bastariam dois pães e dois peixes e o milagre do amor, para acabar com tanta fome e acabar com tanta dor” (Roberto Malvezzi - Gogó)

Somos mais de 60 sessenta pessoas, Camponesas(es), Assentadas(os) da Reforma Agrária, Acampadas(os), Comunidades Tradicionais, Retireiras(os) do Araguaia e os parceiros do Conselho Indigenista Missionário, Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Centro Burnier Fé e Justiça, vindas/os de todo o estado de MT, reunidos(as) de 27 a 30 de março de 2019, em Várzea Grande-MT, onde externamos nossas orações, anseios, angústias e construímos alternativas na XXVI Assembleia da Comissão Pastoral da Terra, animadas(os) pelo tema: “Sementes de Resistência e a Espiritualidade do Povo de Deus em Luta”, e o lema: “Vós sois o Sal da Terra[...]Vós sois a Luz do Mundo” (Mt 5, 13.14).

Juntas(os), aprofundamos nossos olhares sobre as realidades que estamos inseridas(os) e sobre “Nossa Casa Comum, no poder transformador da organização e na força do amor e da luta. Reafirmamos nosso testemunho e aliança com o Deus vivo, que vê, ouve e se identifica com o processo histórico de exclusão e sofrimento dos pobres.

É o próprio Cristo que caminha lado a lado com a gente, martirizado através das injustiças cometidas contra seu povo. Por isso, fiéis aos preceitos do Evangelho seguiremos a missão profética de cuidar da Terra nossa, de interiorizar o sentimento de pertença aos nossos territórios, na construção do Bem Viver, no respeito à diversidade de pessoas, dos seres vivos que dão formas às nossas comunidades e na priorização do cuidado dos bens naturais de maneira coletiva e comunal.

Denunciamos o modelo produtivo hegemônico do agronegócio que não respeita e nem leva em consideração a vida do ser humano e da biodiversidade; expulsa e mata o povo, envenena nossas águas e nossas vidas. Não podemos permitir que este projeto seja assumido como via única para fazer agriculturas, pois coloca em risco nossas existências.

Apontamos os modos e saberes das(os) agricultoras(es) familiares, a Agroecologia e o Bem Viver como projeto político pedagógico para o campo. Que tenhamos um território construído coletivamente com gente e promova a sucessão geracional do campo, ampliando a voz e espaço para permanência das juventudes no meio rural, e resguarde a participação efetiva das mulheres nas comunidades e organizações.

Temos o direito de permanecer e viver a ruralidade, somos da terra, somos terra por origem, e nossos corpos, vidas e histórias dependem disto. Por esse motivo, afirmamos o compromisso de defender nossos Territórios e reafirmamos nossas raízes, culturas, religiosidades, saberes e sabores. Reafirmamos a promoção da Vida e a defesa profética do projeto divino de Deus.  

Preocupa-nos a postura do atual governo brasileiro, que tem se mostrado cada vez mais conservador, machista, misógino, LGBTfóbico, xenofóbico e racista, que incita o ódio entre as pessoas e sempre expressa ao público seu desprezo contra os povos do campo, das águas e das florestas.

 Assembleia da Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso ocorreu entre os dias 27 e 30 de março em Várzea Grande (MT).

Crédito imagens: Elizabete Flores - CPT-MT

E animadas(os) pelas palavras do Papa Francisco: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos” (Encíclica, 2014); fazemos coro e repudiamos qualquer ação de desmonte das políticas públicas que não promovam a Vida no Campo e Cidade. Assim, repudiamos também a apologia criminal da tortura por meio da comemoração dos 55 anos da Ditadura Civil Militar, hora ordenada pelo presidente Jair Bolsonaro. Nós nos fazemos solidários às famílias que foram vítimas deste terrível período histórico e que agora vivem mais uma vez a violência institucional do Estado.

Por fim, reafirmamos nosso compromisso da luta pela Reforma Agrária ressignificada. É inadmissível que ainda exista tanta terra nas mãos do latifúndio e tanta gente sem terra, amargando em acampamentos embaixo de lonas. Reiteramos nosso compromisso pastoral e rogamos a Deus para que ele aqueça e anime nossos corações com a chama da Coragem, da Rebeldia, da Resistência e da Esperança, na defesa dos direitos dos povos, na sua riqueza humana, cultural e diversa.

Neste mundo Brasil, apesar do momento atual, jamais desistiremos das lutas e dos sonhos, gestados nas comunidades, nos assentamentos e nos acampamentos e em todos os territórios. Deus está conosco, seguiremos sendo Sal e Luz.

Várzea Grande MT, 30 de março de 2019.

Participantes da XXVI Assembleia da CPT MT.

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