COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Flávio de Lima de Souza, Marinalva Silva de Souza e Jairo Feitosa Pereira são lideranças ameaçadas por latifundiários por conta da ocupação Igarapé Araras, localizada no quilômetro 56 da BR-319, em Canutama, no Sul do estado do Amazonas e próxima à divisa com Rondônia. A ocupação está situada em uma área pública, que é requerida pela fazenda Shalom, por meio do Grupo Master Holding S/A.

(Fonte: CPT Rondônia)

 O desaparecimento das três pessoas ocorreu há uma semana, na quinta-feira, 14, e deixou toda a comunidade e os familiares das vítimas revoltados. Mais de cem pessoas fecharam a BR-319 na tarde desta última terça-feira, 19, para exigir das autoridades dos estados de Rondônia e Amazonas que tomem as providências cabíveis o mais rápido possível. Os manifestantes também pedem que seja expedido um mandado judicial para que as buscas aos desaparecidos também sejam realizadas na sede da fazenda Shalom.

Para a comunidade e familiares, o sumiço pode estar ligado às constantes ameaças que os sem-terra vinham sofrendo por parte de funcionários da fazenda. Ainda conforme a comunidade, as ameaças se intensificaram após os trabalhadores terem ganhado, em segunda instância no Tribunal de Justiça do Amazonas, um agravo favorável à União, na ação de reintegração de posse contra a ocupação (Processo nº 0000294-97-2016.8.04.4401).

No dia 1º de dezembro, a Comissão Pastoral da Terra em Rondônia (CPT-RO) foi procurada por Flávio de Lima, que contou temer por sua vida, pois as ameaças e intimidações rodeavam constantemente a comunidade, principalmente as lideranças. Ele relembrou ainda que no dia 17 de novembro o gerente da fazenda Shalom, Antônio Rinaldi, teria ordenado a um tratorista para arrancar as 20 manilhas colocadas pelos trabalhadores no ramal que dá acesso à comunidade.

De acordo com Flávio, as famílias sem-terra estão na área desde o ano de 2015 e, atualmente, são 316 famílias, que estão organizadas na Associação dos Produtores Rurais da Comunidade da Região do Igarapé Araras (ASPOCRIA). Segundo a liderança, os nove mil hectares da área ocupada tratam-se de terras públicas do estado do Amazonas, e que foram griladas por um latifundiário de Porto Velho (RO).

A CPT em Rondônia se une à voz desses trabalhadores e trabalhadoras para clamar por Justiça e exigir das autoridades competentes uma investigação séria, imparcial e comprometida em superar essa “cultura de violência e impunidade” implantada contra os camponeses e camponesas dessa região.

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