COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Ao optar claramente por um papado que comunga a condição dos empobrecidos da Terra, o Papa Francisco também experimenta a impotência dessa parcela de seres humanos no mundo contemporâneo.

 

(Por Roberto Malvezzi – Gogó | Imagem: IHU/Reprodução)

Quando Francisco abre uma lavanderia e um albergue para o povo de rua ao redor do Vaticano, suas atitudes até são divulgadas. Porém, quando exige da Igreja e de toda sociedade uma conversão ecológica para preservar a humanidade e a criação, os ouvidos são moucos, inclusive em grande parte da própria Igreja Católica. Os que aceitaram seu desafio vem mais de fora da Igreja que de seus quadros.

Quando condenou uma “economia que mata”, uma sociedade do descarte, então o silêncio é absurdo.

Quando Francisco leva uma malinha pessoal nas próprias mãos, então vira notícia. Porém, quando condena os golpes na América Latina, baseado em calúnias, na divulgação caluniosa da velha mídia, referendada por um judiciário parte do golpe, então vem o silêncio.

Quando visita Lampedusa, símbolo global dos imigrantes, a princípio vira notícia, mas o que se vê é cada vez mais um mundo com muros e cercas, tentando isolar os bem estabelecidos das hordas humanas que rondam a Europa e os Estados Unidos.

Nos bastidores há críticas, resistências, rejeições. Mas, agora está reunido com jovens para celebrar os três anos da Laudato Sí, visitou os povos originários da Amazônia em Puerto Maldonado, em 2019 vai realizar o Sínodo para a Amazônia em Roma. Não perde o humor, não perde a esperança, não desanima.

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Experimentar a impotência dos pobres é também confiar naquele que é o alfa e o ômega, o princípio e o fim, para além das frágeis forças humanas, inclusive dos opressores da história. Na história ninguém ri por último. Todos têm seu dia. E os empobrecidos possuirão a Terra.

Há quem entenda e quem comungue.

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