COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

A Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP) nasceu em 1995. Em Artigo, o advogado Jacques Távora Alfonsin resgata um pouco da memória desses 20 anos da organização e destaca que no próximo mês haverá um encontro nacional para fazer uma avaliação do serviço prestado pela rede ao longo dessas décadas. Confira:

 

Jacques Távora Alfonsin*

A Rede nacional de advogadas/os populares está celebrando seu vigésimo aniversário. Em novembro próximo, vai realizar um encontro nacional para fazer uma avaliação cuidadosa do serviço que prestou ao povo pobre do nosso país, de modo particular na defesa dos seus direitos humanos fundamentais.

O que fez, onde acertou, onde errou, por que, como e onde tudo isso aconteceu, conferindo rigorosamente causas e efeitos. Se o ambiente e o clima serão de festa, mais do que desejada e merecida, ali não estarão ausentes nem a lembrança de quantas/os ela conseguiu defender com sucesso, e de quantas/os as suas derrotas fê-la companheira de muitas lágrimas.

Longe, todavia, de um saudosismo estéril, essa avaliação será fortemente inspirada numa luta histórica de profunda unidade com as/os pobres, refletida entre suas/seus integrantes, no respeito devido a cada um/a quando surgem divergências episódicas, jamais superadas quando a imposição de uma saída para qualquer problema é imposta por fóruns artificialmente montados para impor o que quer que seja.

Vacinada contra aquelas conhecidas ingerências próprias de quem é indiferente por ver dividido o poder do seu trabalho, desde que sua opinião prevaleça, a Renap só vai olhar para trás para planejar melhor o seu futuro, sem perder o rumo da sua atividade, feita sempre de testemunho provado em obras e não só em palavras, com as mãos dadas ao povo pobre a quem serve, e só a quem deve satisfação do que faz. Não servirá de pedal para interesses alheios aos direitos que ela defende, ou são-lhe até  contrários, em favor de algum partido político, uma ideologia mal assimilada, um pleito oportunista de ocasião, uma religião, tudo desligado de atuação passada e pesada em defesa do mesmo povo.

Uma rede é feita de nós. Os da Renap, têm duplo sentido. O dos nós que dela fazem uma rede fortemente unida, e o do nós como pronome plural-coletivo de quem a compõe, refletindo a mesma unidade e firmeza. Se a mó de moinho do positivismo jurídico só encontra na lei o que moer, acabando assim por moer a si mesma, a da Renap mói é a injustiça social, permanentemente ligada à opressão capitalista. Aí sim ela amassa e prova, junto com todo o povo que ela defende, sacrificado por essa opressão, um outro pão, feito e farto com um outro fermento, livre do mofo da tradição opressora e reacionária, que não considera a pobreza e a miséria como flagrantes violações de direitos praticadas contra milhões de vítimas.  

Prossiga, pois a Renap dedicada a amassar esse pão de vida, de  verdade, de amor, de justiça  e de paz! O povo pobre lhe agradece e ama.

*Jacques Távora Alfonsin é advogado, diretor da Acesso e Cidadania.

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