COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Milhares de pessoas compareceram a homenagem ao indigenista e jornalista realizada no sábado (16) no centro de São Paulo

Via Brasil de Fato

O indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram homenageados neste último sábado (16) em um ato inter-religioso realizado na Catedral da Sé, região central da cidade de São Paulo (SP).

O ato reuniu milhares de pessoas e contou com a participação de Beatriz Matos, viúva de Bruno Pereira, e Alessandra Sampaio, viúva de Dom Phillips. Lideranças indígenas também estiveram presentes e prestaram homenagens. Entre as personalidades artísticas estavam Chico César e Daniela Mercury. 

O indigenista e o jornalista foram mortos no dia 5 de junho, quando faziam uma expedição na região próxima a Terra Indígena Vale do Javari, no oeste do Amazonas. Três suspeitos estão presos e a polícia segue investigando as possíveis relações do crime com o tráfico de drogas e crimes ambientais na região.

O ato contou a presença de católicos, anglicanos, metodistas, pentecostais, judeus, muçulmanos, bahá’ís, budistas, kardecistas, povos tradicionais de matrizes africanas e membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 

Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Mogi da Cruzes, representou a Igreja Católica. A Ialorixá Omi Lade falou em nome das religiões de matriz africana.

A atividade também homenageou a trajetória de Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, que faleceu no último dia 4 de julho. Hummes era reconhecido pela defesa dos povos indígenas e se notabilizou por abrir as portas da igreja para acolher militantes perseguidos pelas forças de repressão. 

”Em primeiro lugar eu queria deixar minha gratidão verdadeira pelas comunidades indígenas e tradicionais desse país, que mantém nossas florestas de pé”, começou assim Alessandra Sampaio sua participação no ato. 

Beatriz Matos também dedicou boa parte de sua fala em homenagear e agradecer as comunidades indígenas “por toda a força que têm”. Ela finalizou a participação exigindo que não seja mais permitido que “pessoas tão dedicadas a lutar pra que a nossa vida seja melhor tenha esse fim trágico”.

Ao subir no palco, a cantora Daniela Mercury pediu que Alessandra Sampaio e Beatriz Matos também se juntassem. “Vou agora fazer uma música sugerida pelas duas que agradava muito Bruno e Dom”. Então as três cantaram O Canto da Cidade.

"Meu canto hoje é aos povos indígenas. A gente tá aqui por tudo isso que já foi dito nesta homenagem. Nossa responsabilidade é acabar com esse ciclo de violência no Brasil. A democracia precisa de todo povo brasileiro", afirmou a artista antes de começar a cantar.

Chico César, que subiu no palco antes, finalizou sua participação dedicando sua apresentação “por Bruno e Dom, por Alessandra e Beatriz”.

A iniciativa do evento é da Frente Inter-religiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz, em parceria com a Comissão Justiça e Paz de São Paulo, a Comissão Arns de Direitos Humanos, o Instituto Vladimir Herzog e a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Ultimas notícias sobre assassinato na Amazônia

A Polícia Federal (PF) prendeu na última semana em Tabatinga (AM) o homem conhecido como "Colômbia", suspeito de envolvimento nas mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips. Ainda sem identificação oficial, ele é apontado por lideranças indígenas locais como possível mandante dos assassinatos do indigenista e do jornalista britânico. Sua participação nos crimes, porém, não foi confirmada publicamente pela Polícia Federal (PF).

Desde o desaparecimento de Bruno e Dom, indígenas familiarizados com as atividades ilegais na região afirmam que Colômbia seria um dos principais financiadores da caça e pesca ilegais no Vale do Javari. Segundo eles, as mortes seriam uma represália pelo prejuízo financeiro provocado pelas atividades de monitoramento conduzidas por Pereira, que mapeava as atividades ilegais e as informava às autoridades.

O superintendente do órgão de investigação no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmou que o homem nega ter envolvimento com a pesca ilegal e os assasinatos, mas admitiu manter negócios lícitos relacionados à pesca com Amarildo da Costa Oliveira, o "Pelado", preso por suspeita de ter atirado contra as vítimas.

Brasil de Fato não conseguiu localizar o advogado de Colômbia. O espaço segue aberto à manifestação da defesa. Caso haja resposta, este texto será atualizado.

Edição: Lucas Weber