COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Na próxima segunda-feira (4), dia de São Francisco de Assis e em que celebramos o nosso Velho Chico, a Associação de Pescadores e Pescadoras de Remanso (BA) e a Colônia Z-41, com o apoio de outras entidades, irão realizar o ato “O Nosso Pescado é Saudável”. A iniciativa surgiu após inúmeros prejuízos que os/as pescadores/as e toda essa cadeia produtiva têm tido nas últimas semanas devido à grande desinformação sobre a doença de Haff, conhecida como “doença da urina preta”. O ato tem como objetivo esclarecer para a comunidade em geral a qualidade e segurança do pescado da região.

(CPT Bahia)

A mobilização terá início às 9h, na sede da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Representantes das secretarias municipais de Saúde e de Aquicultura de Remanso, assim como do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) estarão presentes para uma roda de conversa destinada aos pescadores/as, compradores de peixe, consumidores e população em geral. Dando continuidade ao ato, das 12h às 14h, haverá uma degustação de pescados na Praça Manoel Firmo Ribeiro.

A doença de Haff é uma síndrome que causa ruptura das fibras musculares caracterizada por sintomas como dor muscular, falta de ar, perda de força no corpo e urina da cor de café. As ocorrências registradas estão associadas à ingestão de pescados, como o olho-de-boi e badejo. Este ano, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia confirmou 13 casos da doença no estado, todos eles registrados na capital e região metropolitana.

A presidente da Associações de Pescadores e Pescadoras, Lucília Freitas, explica que a realização do ato é uma forma que a categoria encontrou para chamar a atenção dos órgãos públicos para a situação quase desesperadora dos/as trabalhadores/as que estão sem poder exercer sua atividade. Freitas comenta que informações falsas sobre a doença de Haff, as chamadas fake news, que estão circulando nas redes sociais têm afetado a pesca e o consumo do pescado no município.

“Os pescadores estão voltando sem vender o pescado, uma vez que isso acontece, a pescaria para porque não tem pra quem vender. Por conta dessa situação, o impacto já está sendo grande, afetando a economia, essa categoria de pescadores. O número de pessoas desempregadas vai ser grande porque o rio São Francisco é o nosso grande empregador”, ressalta a presidente da Associação.

Oriundo de uma família de pescadores há três gerações, Ezequias Rodrigues, pescador e secretário geral da Colônia Z-41, reforça a situação que os/as pescadores/as de Remanso têm enfrentado. “Depois das fake news, o comércio do peixe entrou em decadência de forma que o pescador não consegue mais tirar o seu sustento, escoar a produção. O pescado perdeu valor e as famílias estão quase em desespero porque já tem alguns dias desse jeito”, afirma Ezequias.