COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Na noite da última segunda-feira (14), movimentos sociais e igrejas promoveram na cidade de Ariquemes (RO) uma vigília de oração ecumênica pela justiça e pela paz no campo. A ação denunciou a impunidade e a morosidade no julgamento de pelo menos 56 casos de assassinatos registrados nos últimos três anos no estado, destacando especialmente o adiamento no julgamento de mortes na fazenda Tucumã, em Cujubim (RO).

 

(Fonte: CPT-RO / Fotos: Francisco Kelvim-MAB, Alerta Rondônia e CPT-RO, respectivamente).

Na noite da última segunda-feira (14), na cidade de Ariquemes (RO), organizada por movimentos sociais e igrejas, vigília de oração ecumênica pela paz e justiça no campo comoveu os presentes e denunciou a impunidade e os assassinatos no campo.

A violência no campo no estado já acumula 56 assassinatos registrados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) entre 2015 e 2017. A maioria das mortes aconteceram na região do Vale do Jamari.

Entre os participantes, membros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), professores, advogados, movimentos sociais (MAB, MST, MPA) e agricultores do assentamento 14 de Agosto e da área conhecida como Canaã, que corre risco eminente de despejo.

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Julgamento adiado

A vigília aconteceu no dia anterior ao julgamento dos supostos autores e mandantes das mortes de dois jovens e da tentativa de assassinato de outros três em Cujubim (RO), no dia 31 de janeiro de 2016.

Os cinco sofreram uma perseguição implacável na fazenda Tucumã, uma verdadeira “caçada humana” na Linha 114 do município de Cujubim, quando o grupo de cinco jovens voltava do antigo acampamento Terra Nossa, de onde haviam sido despejados por uma ordem de reintegração dois dias antes do ocorrido.

Eles haviam voltado ao local para recolher alguns dos seus pertences e apenas três conseguiram escapar da perseguição. Ficaram para trás os jovens Alysson Henrique Lopes, de 23 anos, e Ruan Hildebrandt Aguiar, de 18 anos. O corpo de Alysson foi encontrado carbonizado no carro de seu pai.

Apesar da insistência dos pais pelas buscas de Ruan Lucas Hildebrandt, este nunca foi encontrado. Entretanto, foi descoberto o suposto envolvimento de policiais militares, que realizavam vigilância privada na Fazenda Tucumã, região onde ocorreram apreensões de armas pesadas e diversas prisões.

            

Após o descobrimento do envolvimento de policiais militares e das prisões na área, uma força tarefa da polícia civil investigou o caso e o Ministério Público apresentou acusações contra o pecuarista de Ji-Paraná, Sérgio Sussuma Suganuma, acusado de ter contratado a equipe de pistolagem de Rivaldo de Souza e Moisês Ferreira de Souza, sargento da reserva da PM.

O MP também ofereceu denúncia contra Jonas Augusto dos Santos Silva, cabo da PM, e Paulo Iwakami, contador também da cidade de Ji-Paraná, proprietário da Fazenda Tucumã, e Altacício Domingues dos Santos, Marcos José Terêncio, Donizete Silva do Nascimento e Paulo Diego de Castro Francisco, todos policiais militares de Cujubim, porém apenas os cinco primeiros foram indiciados e levados a júri por emboscada, perseguição, promessa de pagamento para o cometimento dos crimes, ocultação de um cadáver e carbonização de outro, por dois homicídios consumados (Alysson e Ruan) e três tentativas de homicídio contra Renato de Souza Benevides, Raimundo Nonato dos Santos e Alessandro Esteves de Oliveira.

Permanece a impunidade

Ao desenrolar das investigações do caso, as testemunhas passaram a ser ameaçadas e assassinadas. Um dos sobreviventes, Raimundo Nonato dos Santos, sofreu um atentado no dia 14 de abril de 2016. Um dos colaboradores da fazenda, o mototaxista Zé Bigode, foi assassinado em Cujubim. Dois jornalistas que cobriam os fatos sofreram atentados e tiveram que fugir da cidade. Já no ano de 2017, foram assassinadas duas lideranças do Acampamento Terra Nossa: Roberto Santos Araújo no dia 02 de fevereiro e Ademir de Souza Pereira no dia 07 de julho. Elivelton Castelo do Nascimento (Ton), testemunha do caso, foi morto em Ariquemes no dia 15 de fevereiro de 2017. Outro dos sobreviventes, o Baixinho, Renato Souza Benevides, foi assassinado na cidade de Machadinho do Oeste dia 04 de março.

Um dia depois da vigília, no dia 15 de agosto, o julgamento foi suspenso após a ausência de um dos advogados de defesa por motivo de saúde e a desistência de última hora de outro dos advogados de defesa. O julgamento foi remarcado para outubro.

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