COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

Encontro pautou a falta de comprometimento dos governos com a educação do campo. 

 

(Por Catiana de Medeiros, Da Página do MST)

 Ter educação no campo é uma das prioridades de luta das famílias Sem Terra. Com o intuito de pensar alternativas para garantir que esse direito não seja retirado dos acampados e assentados da Reforma Agrária, um grupo de educadores e assistentes técnicos e sociais da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec) da região Metropolitana de Porto Alegre realizou, no último dia 15, uma reunião em Eldorado do Sul.

A preocupação com o fechamento de escolas do campo norteou o debate. Conforme dados apresentados pela educadora Juliane Ribeiro, nos últimos anos foram fechadas 13 escolas estaduais e 335 municipais no estado gaúcho. No mesmo período, 67 mil alunos estavam distribuídos em 657 escolas estaduais e 128 mil alunos em 1611 escolas municipais.

“Há uma forte ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, sobretudo na área da educação, que envolve a mercantilização e o desmonte da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Com essa atual conjuntura política nacional, a pergunta que fica é: para onde vai a educação do campo?”, questiona Juliane.

 Os educadores complementam que a precarização do ensino no RS, apontada em avaliação que foi divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado, é encarada pelos governos como responsabilidade única dos professores. “Nosso estado está abaixo da média nacional em índice de alfabetização. A questão é que o governo não enfrenta isso como um problema de Estado e transfere a sua responsabilidade para as direções. Mas, com salários parcelados, salas lotadas e falta de estrutura e infraestrutura, como é que um educador vai conseguir dar aula?”, acrescenta Juliane.

Foi consenso entre os participantes a necessidade e urgência da ampliar o debate sobre a educação no campo com a comunidade escolar, em áreas de assentamentos e acampamentos. Eles apontam que é preciso “voltar aos anos 80”, quando surgiu o MST, mas desta vez, para lutar contra o fechamento das instituições: “Ao mesmo tempo em que conquistávamos um assentamento, nós brigávamos para ter escolas. Agora, nossa missão é lutar contra o fechamento”, aponta a assentada Sueli Cavalheiro.

Os participantes também apresentaram a situação de cada escola dos assentamentos da região Metropolitana e atividades que estão sendo desenvolvidas para fortalecer a educação do campo. A regional da Coptec, desde 2009, trabalha com quatro escolas de ensino fundamental, onde realiza oficinas incentivando à alimentação saudável e ao cuidado com o meio ambiente.

Ainda no encontro, os educadores e técnicos também discutiram sobre a Articulação em Defesa da Educação do Campo do Rio Grande do Sul, que começou a ser construída em agosto deste ano para atender a uma demanda antiga da população camponesa. Entre os comprometimentos já assumidos pelo projeto está a luta contra a mercantilização da educação e o fechamento de escolas. A previsão é que ela seja lançada oficialmente no próximo ano.

 *Editado por Rafael Soriano