COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

A Articulação das CPT's da Amazônia iniciou ontem (23) encontro com o tema "Grilagem de terra e regularização fundiária: implicações e desafios aos povos tradicionais da Amazônia". O evento segue até o dia 25, na Casa Regional das Irmãs de São José, em São Luís, no Maranhão.

 

(Elvis Marques - setor de comunicação da CPT)

Ao longo desses três dias, representantes de oito estados amazônicos, entre agentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), colaboradores da entidade, pequenos agricultores, pescadores, ribeirinhos, seringueiros e quilombolas partilham experiências e participam de oficinas de formação sobre a grilagem de terra e regularização fundiária.

"Quem somos? O que fazemos? O que trazemos na bagagem para partilhar?". Foi respondendo essas questões que o encontro se iniciou. Representantes do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom) puxaram cantigas do estado e que embalam as comunidades. Além disso, os quilombolas expuseram os conflitos enfrentados no estado, e como os grandes projetos tem impactado diretamente esses povos tradicionais.

Povos do campo e das florestas relataram inúmeras ameaças de morte e situações de conflito que ocorrem cotidianamente, entretanto, apesar dessas denúncias, uma frase marcou os discursos dos trabalhadores: "Não vamos desistir".

Experiências

O pescador Clovis Amorim da Silva foi um dos que reafirmaram a continuidade da luta, apesar dos intensos conflitos sofridos pela Comunidade Cajueiro Vila Maranhão, no interior da ilha de São Luís, onde vive com cerca de 400 famílias. Ali, o rápido crescimento urbano se tornou um inimigo. Segundo o trabalhador, as construções e, por sua vez o esgoto, têm poluído a água do mar. Com isso, o peixe tem ficado cada vez mais distante dos pescadores tradicionais.

Todavia, a poluição urbana não é a única preocupação da comunidade de Clovis. "Grilagem da terra, os portos e outros. Por conta dos portos e da dragagem (serviço de desassoreamento), os arrecifes e corais estão tudo encobertos por lama. Isso tem reduzido a pesca", conta o pescador, que tem cobrado ainda fiscalização dos órgãos de meio ambiente para que problemas como esse não ocorram.

"Nossa bandeira de luta é os territórios livres", afirma Catarino Santos, um dos representantes do Moquibom. Durante o período reservado para que os povos tradicionais falassem sobre suas experiências, o quilombola explicou como surgiu o Movimento Quilombola do Maranhão e como tem sido a atuação junto às demais comunidades quilombolas. "A articulação das comunidades quilombolas surgiu pela falta de representabilidade das comunidades maranhenses", destaca.

Além disso, Catarino lembrou que o preconceito e a criminalização dos movimentos sociais tem sido comuns no estado. "É um problema muito sério enfrentado pelas comunidades. Os movimentos são chamados de baderneiros aqui. Enfrentamos muito preconceito dos órgãos públicos", denuncia.

No entanto, já ouviu aquela frase "A união faz a força"? Bom, Catarino ressaltou que o movimento quilombola tem lutado junto com os indígenas em defesa dos territórios.

Qual a situação fundiária das comunidades impactadas pelos grandes projetos?

Para responder essa pergunta, os participantes do evento foram divididos em três grupos. A partir daí, foi o momento em que os trabalhadores do campo falaram sobre os desafios, conflitos e quais iniciativas têm sido desenvolvidas para resolver esses problemas. Após essa conversa, o representante de cada grupo expôs, com o auxílio dos trabalhadores, como está a situação fundiária na comunidade em que essas pessoas vivem ou acompanham.

Nesta quarta-feira haverá um estudo sobre a regularização fundiária e o impacto dos grandes projetos sobre as comunidades quilombolas na região amazônica. Ainda será trabalhada a articulação camponesa do Tocantins frente ao avanço dos grandes projetos. Já os representantes do Mato Grosso abordaram a recuperação das nascentes no enfrentamento aos grandes projetos.  

 

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