Conflitos no Campo Brasil 2025

O ano de 2025 apontou uma redução de 28% nos registros de conflitos no campo em relação a 2024, com 1.593 ocorrências, diante das 2.207 do ano anterior, segundo levantamento do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc/CPT), através do relatório Conflitos no Campo Brasil, publicado nesta segunda-feira (27). Em comparação com os últimos dez anos, os números são maiores apenas que os de 2017 e 2018, quando foram registrados 1.531 e 1.570 conflitos, respectivamente.

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Violência continua em alta no campo brasileiro, denuncia CPT

O ano de 2025 apontou uma redução de 28% nos registros de conflitos no campo em relação a 2024, com 1.593 ocorrências, diante das 2.207 do ano anterior, segundo levantamento do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc/CPT), através do relatório Conflitos no Campo Brasil, publicado nesta segunda-feira (27). Em comparação com os últimos dez anos, os números são maiores apenas que os de 2017 e 2018, quando foram registrados 1.531 e 1.570 conflitos, respectivamente. 

Mesmo com a diminuição nos registros, a violência contra a vida dos povos e comunidades da terra, das águas e das florestas se prolonga, saltando aos olhos a duplicação no número dos assassinatos – que passaram de 13 vítimas para 26. Também houve aumento dos casos de trabalho escravo rural, bem como no número de trabalhadores e trabalhadoras resgatadas desta condição degradante.

Ocorrências de Conflitos no Campo no Brasil entre 2016 e 2025. Fonte: Cedoc/CPT.

Em relação aos tipos de ocorrências, as violências por terra representam o maior percentual, com 75% (1.186), seguidas pelos conflitos trabalhistas (159), conflitos pela água, com 148, e os acampamentos, ocupações e retomadas, com 100 registros, ou 6% do total. 

Conflitos por terra

Conflitos por terra no Brasil (2016-2025). Fonte: Cedoc/CPT.

Foram registradas 1.286 ocorrências de conflitos por terra em 2025, sendo 1.186 referentes à violência pela ocupação e a posse da terra e 100 correspondentes a ações de resistência, como acampamentos, ocupações e retomadas. Trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra foram os que mais se mobilizaram em 2025, com 72 ocupações e 9 acampamentos.

A maior parte das violências pela terra teve redução no número de ocorrências, com exceção das violências por omissão/conivência (224) e por violação das condições de existência (117), que mantiveram tendência de crescimento.

Dentre os estados, o Maranhão lidera nos casos de violência por terra (190 registros). O estado do Pará aparece em segundo lugar, com 142 registros de violência, seguido por Rondônia (111) e Bahia (101).

Conflitos pela água

Ocorrências de Conflitos pela Água, entre 2016 e 2025. Fonte: Cedoc/CPT.

Os conflitos pela água também tiveram queda nos registros, com 148 ocorrências, contra 269 em 2024, sendo o menor número de registros dos últimos dez anos. O estado do Pará lidera com 21 conflitos, seguido da Bahia (19) e Minas Gerais (18), em casos como destruição e poluição dos mananciais de água, contaminação por agrotóxicos e por minérios, diminuição e impedimento de acesso à água, pesca predatória, entre outros.

Com exceção do Distrito Federal, todos os estados brasileiros tiveram pelo menos um caso de conflito pelo acesso ou uso da água, vitimando principalmente indígenas, quilombolas, pequenos agricultores e ribeirinhos.

Trabalho Escravo Rural

Em 2025, foram registrados 159 casos de trabalho escravo (ou análogo à escravidão) e 1.991 trabalhadores resgatados. O número representa um crescimento de 5% no número de casos e de 23% em relação ao total de trabalhadores resgatados no ano anterior.

Um dos casos de destaque foi a construção de uma usina no município de Porto Alegre do Norte (MT), na qual 586 pessoas foram resgatadas. Outras atividades econômicas em que foram encontrados e resgatados trabalhadores nesta situação foram: lavouras, cana-de-açúcar, mineração e pecuária, setores ligados diretamente ao agronegócio. Além de Mato Grosso, os estados de Minas Gerais , Goiás, Bahia, São Paulo e Maranhão lideram em números de trabalhadores resgatados destas condições degradantes.

Total de trabalhadores resgatados e casos de trabalho escravo rural entre 2016 e 2025. Fonte: Cedoc/CPT.

Violência contra a Pessoa

Mesmo com redução nos casos e nas vítimas da violência contra a pessoa, 2025 registrou o dobro de assassinatos em relação a 2024, com 26 pessoas vitimadas fatalmente nos conflitos agrários, sendo 16 na região da Amazônia Legal. Dentre as mortes, foram registrados dois massacres – entendidos pela CPT quando se trata de três ou mais mortes em uma mesma ocasião, localidade e espaço de tempo, em momentos de ataque concentrado de forças públicas ou privadas. Um destes casos aconteceu no Pará e outro em Rondônia, cada um com três assassinatos. Os dois estados também lideram em números totais de assassinatos, com 7 vítimas fatais em cada.

Ações de resistência

Se, por um lado, a violência é uma realidade ainda constante no campo brasileiro, as resistências populares também foram presentes em todo o país, tanto nas mobilizações contra o PL da Devastação e o Marco Temporal quanto durante a Conferência sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). Foram registradas 502 manifestações de luta – o menor número nos últimos dez anos, mas, mesmo assim, com expressiva participação dos povos indígenas, que se ergueram contra os mega empreendimentos de infraestrutura, energia e transportes, que têm ameaçado a permanência das comunidades tradicionais em seus territórios.

Relatório – Elaborado anualmente pela CPT desde 1985, com a primeira publicação em 1986, o relatório Conflitos no Campo Brasil é uma fonte de pesquisa para universidades, veículos de mídia, agências governamentais e não-governamentais. O relatório é construído, principalmente, a partir do trabalho de agentes pastorais da CPT, nas equipes regionais que atuam em comunidades rurais por todo o País, além da apuração de denúncias, documentos e notícias, feita pela equipe de documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc-CPT) ao longo do ano.

“Sem esses dados, sem essas dores que a CPT denuncia todos os anos, esses gritos ficariam no silêncio. Esta é a memória dos que tombaram e o grito dos que continuam de pé. A CPT escuta os corações, na busca por romper o cerco da mídia burguesa que tenta nos invisibilizar e nos criminalizar. Os povos contam suas histórias e rompem o silêncio imposto pelos de cima, e isto é um ato de rebeldia e de construção do poder popular: é quando o ribeirinho grava o desmatamento de madeira com o celular; é quando a juventude grava um podcast, é quando a quebradeira de coco fala na rádio comunitária”, afirma uma liderança comunitária do Pará.

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