Escuta das mulheres da Amazônia fortalece campanhas “Amazoniza-te” e “Eu voto pela Amazônia”

É fundamental a escuta das mulheres amazônicas sobre os empreendimentos e políticas que afetam os seus territórios. Foto: Carlos Henrique Silva / CPT Nacional
É fundamental a escuta das mulheres amazônicas sobre os empreendimentos e políticas que afetam os seus territórios. Foto: Carlos Henrique Silva / CPT Nacional

Assim como o momento anterior de escuta das Juventudes amazônidas, a Rede Eclesial Pan Amazônica (REPAM) realizou, na última terça-feira (17), um encontro de escuta coletiva com mulheres de diversos territórios da Amazônia: indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco e extrativistas, além de parceiros como Cáritas, CPT, ISER, e território.

Representando a CPT, estavam presentes a coordenadora nacional Maria Petronila e as agentes Antônia Calixto, conhecida como Toinha, da CPT-MA, Lourença Silva, da CPT-RO, e Vilma Augusta, da CPT-RR. A irmã Norma Knob, da CPT-RS, também prestigiou o encontro.

A iniciativa teve como ponto de partida a escuta das mulheres da Amazônia, reconhecendo seu protagonismo na defesa dos territórios e na construção de caminhos coletivos para fortalecer as campanhas “Amazoniza-te” e “Eu voto pela Amazônia”.

Durante o encontro, foram compartilhados relatos sobre as realidades enfrentadas pelas comunidades, incluindo situações de violência, contaminação ambiental, exploração dos territórios, desmonte de direitos e dificuldades de acesso a políticas públicas e infraestrutura. Ao mesmo tempo, emergiram experiências de organização comunitária, geração de renda, formação e resistência.

“Estamos atravessando um período político muito duro, com um governo que se propõe popular, mas que não consegue aprovar nenhum projeto pelo Congresso, somente as devastações. Nossos representantes estão cada vez mais distantes da nossa representação enquanto mulheres, movimentos sociais, luta pela reforma agrária. É momento de questionar o que é mesmo a democracia, o que representa o nosso voto, mas sem deixar de esperançar sempre,” afirmou Toinha.

Já Rosicleia Ferreira, do território quilombola Bom Remédio, em Abaetetuba (PA), destacou a resistência do grupo de 30 mulheres Negras Em Movimento, que estão mobilizadas, tanto na conscientização contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, quanto na geração de renda obtida na criação de frangos, artesanato e produção de produtos de limpeza, com o apoio da Cáritas Comunitária.

“A gente tem muitos desafios: falta de energia elétrica, saneamento básico precário, mulheres com problemas de saúde por causa da contaminação da água (com casos até de câncer de intestino). Estou na escuta para entender e a gente ir se ajuntando. Nós, unidas, conseguimos chegar em muitos lugares. A mulher tem força, dentro e fora do território”, pontuou Rosicleia.

Encontro de escuta coletiva reuniu mulheres de diversos territórios da Amazônia: indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco e extrativistas. Foto: REPAM/Divulgação
Encontro de escuta coletiva reuniu mulheres de diversos territórios da Amazônia: indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco e extrativistas. Foto: REPAM/Divulgação

Já Antônia Melo, do movimento Xingu Vivo, em Altamira (PA), chamou a atenção para as ameaças de devastação trazidas por projetos de infraestrutura como a Usina Belo Monte, a mineradora Belo Sun e o agronegócio da soja, que tem chegado às comunidades, mas também a resistência dos povos.

“Diante de todas essas ameaças, a resistência das mulheres tem se fortalecido. Está se organizando o Coletivo de Mulheres Indígenas do Xingu, que estão acampadas, protestando em Altamira há quase 30 dias, contra a mineradora e a hidrelétrica. Outro grupo de mulheres do povo Gavião também ocuparam a ferrovia da Estrada de Ferro Carajás, na divisa do Pará com o Maranhão”, destacou Antônia.

Como encaminhamentos, foi definida a criação de um coletivo permanente de articulação, com a sistematização dos contatos dos participantes, e a formação de um Grupo de Trabalho (GT) de Comunicação Popular, voltado à produção de conteúdos acessíveis, vídeos curtos e à realização de cine-debates nos territórios.

Também foi reforçada a importância de territorializar as campanhas, ampliando sua presença em comunidades indígenas, quilombolas, periferias urbanas e áreas rurais, além de fortalecer a formação cidadã e a incidência no contexto eleitoral. As lutas contra o feminicídio e a violência também foram lembradas.

A REPAM e seus parceiros seguem comprometidos com a construção de estratégias que fortaleçam a defesa dos direitos, a proteção das mulheres e a valorização dos territórios amazônicos, a partir da escuta e do protagonismo das próprias comunidades.

“Esta é uma reunião política no sentido de definir estratégias para nossa incidência. Não vamos ser cabo eleitoral de candidatos, mas devemos procurar contribuir para o voto consciente da população do início ao fim, inclusive nos votos para o Congresso Nacional”, afirmou Maria Petronila.

Por Comunicação REPAM Brasil
Edição: Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)

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