Nota de apoio à ocupação do MST em Anchieta, no Espírito Santo

Foto: MST-ES

A Comissão Pastoral da Terra regional Rio de Janeiro/Espírito Santo, no exercício de sua missão e compromisso com a luta pela terra e defesa da Casa Comum, manifesta seu apoio às famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Espírito Santo que, na madrugada do dia 09, ocuparam áreas da Samarco em Anchieta (ES). A ação foi realizada durante a Jornada de Luta das Mulheres Sem-Terra, que apresentaram a demanda de assentar as 1.500 famílias acampadas no estado, além de denunciar os crimes ambientais da empresa, que possui mais de 4.500 hectares de terra no município. 

Em 2015, a Samarco foi responsável pela morte de 19 pessoas e provocou destruição socioambiental após o rompimento da Barragem de Fundão, no município de Mariana (MG). Cerca de 40 milhões de m³ de rejeitos de mineração foram liberados sobre comunidades inteiras, devastando o distrito de Bento Rodrigues (MG), deixando centenas de pessoas desabrigadas e um rastro de lama e metais pesados que percorreu mais de 600 km pelo Rio Doce até o litoral do Espírito Santo. 

Ainda hoje, as consequências podem ser sentidas pelo ecossistema e pela população da região. Entre os impactos denunciados estão a contaminação por mercúrio da Lagoa Mãe-Bá, em Anchieta; o crescimento da violência e poluição no Bairro Maimbá, em Minas Gerais; a emissão de material particulado (MP) acima dos índices permitidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama); e o aumento da contaminação de praias por cádmio, impedindo a atividade marisqueira.

Neste mês da mulher, mês de memória, de luta e de denúncia, a ação realizada pelo MST exige justiça em territórios que há dez anos sofrem com as consequências da mineração predatória. As famílias camponesas de Anchieta cobram por terra para que possam viver e trabalhar, produzindo alimento saudável e de qualidade para a população. As mulheres sem-terra, famílias camponesas, comunidades tradicionais e a CPT-ES/RJ exigem que as terras de crimes ambientais sejam destinadas à Reforma Agrária para que a verdadeira justiça seja feita. 

Reforma Agrária Popular Já!

11 de março de 2026

Comissão Pastoral da Terra regional Rio de Janeiro/Espírito Santo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *