“Mulheres que sustentam a Amazônia”: filme retrata a importância delas na resistência da vida e da cultura no território

O filme reúne depoimentos de mulheres que sustentam comunidades na Amazônia, retratando seus saberes e a relação com o território. Foto: Divulgação
O filme reúne depoimentos de mulheres que sustentam comunidades na Amazônia, retratando seus saberes e a relação com o território. Foto: Divulgação

Lançado no mês de fevereiro pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Arquidiocese de Santarém/PA, o filme “Mulheres que Sustentam a Amazônia” repercute as vozes das mulheres que vivem e resistem nos territórios amazônicos. A primeira exibição aconteceu no auditório da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), com entrada gratuita para o público.

O filme reúne depoimentos de mulheres da Comunidade do Jatobá, no município de Mojuí dos Campos (PA), e do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Serra Azul, em Monte Alegre (PA). A obra, com cerca de 30 minutos de duração, retrata o cotidiano, os saberes, o cuidado com a família e a relação profunda dessas mulheres com o território onde vivem.

Mais do que registrar histórias, o filme tem como objetivo evidenciar o papel fundamental das mulheres na sustentação da vida, da cultura e da resistência na Amazônia. As vozes que conduzem a narrativa surgem da roça, da floresta e do coração das comunidades, revelando um cuidado que vai além das tarefas diárias: trata-se de um modo de viver, transmitido entre gerações, que preserva a saúde, a memória, a educação dos filhos e o afeto comunitário.

"Mulheres que sustentam a Amazônia": participantes do filme falaram durante o lançamento. Foto: Gilson Rego / CPT Santarém
“Mulheres que sustentam a Amazônia”: participantes do filme falaram durante o lançamento. Foto: Gilson Rego / CPT Santarém

Uma das participantes é Ivanilde Santos, conhecida como Irmãzona, que integra um grupo de mulheres agricultoras. Ao contextualizar a participação no filme, ela destacou a importância do trabalho coletivo e da preservação da natureza. “A gente se reúne, trabalha junto e também preserva o meio ambiente, plantando e reflorestando para que a natureza não se acabe”, afirmou. 

Cláudia Paixão, agricultora e assentada da agricultura familiar, também compartilha a rotina entre a casa e a plantação. Ao comentar a experiência de participar da produção, ela ressaltou que foi uma oportunidade de mostrar o dia a dia e a busca por ampliar mercados e dar mais visibilidade aos produtos locais. “Foi gratificante mostrar nossa rotina e pensar em expandir a produção”, destacou.

A produção destaca que o cuidado, para essas mulheres, é um ritmo constante, comparado ao cultivo da terra: plantar, proteger, esperar e colher. Os saberes tradicionais, herdados das avós — como o uso de plantas medicinais e práticas de cura — aparecem como expressões de resistência e identidade. Da mesma forma, a educação dos filhos é apresentada como um ato de proteção, para que as novas gerações não percam suas raízes diante dos desafios do mundo exterior.

Mulheres que sustentam os territórios da Amazônia

O filme também evidencia a luta das mulheres pela defesa do território, compreendido não apenas como espaço físico, mas como extensão de seus próprios corpos e histórias. Elas não lutam apenas por um pedaço de terra, mas pelo direito de existir com segurança, garantindo que a floresta e os frutos plantados hoje permaneçam de pé para as futuras gerações. A coragem retratada na obra não é a ausência do medo, mas a decisão diária de enfrentá-lo.

O filme convoca a comunidade acadêmica, agentes pastorais, movimentos sociais e a sociedade em geral a refletirem sobre o protagonismo feminino e a defesa da vida na Amazônia. A realização conta com o apoio das instituições Missio e Misereor, e o lançamento tem o apoio do Fundo Casa Socioambiental.

Segundo a CPT, a proposta do filme é evidenciar um trabalho que muitas vezes permanece invisível. Gilson Rego, agente pastoral da CPT em Santarém, explicou que as mulheres têm papel central na luta e na resistência das comunidades: “elas cuidam de tudo, do amanhecer ao anoitecer, e sustentam a vida nos territórios”, explicou. 

A sessão de lançamento teve boa receptividade diante do público. Para o padre Luiz Carlos Fernandes, a produção ajuda a romper o anonimato dessas mulheres. Ele destacou que são elas que preservam a cultura, a memória e os saberes tradicionais no cotidiano amazônico. “Elas encarnam esse viver amazônico no corpo e na alma”, afirmou.

O filme estará disponível em breve no canal da CPT no YouTube.

Partilha de alimentos após a exibição do filme. Foto: Gilson Rego / CPT Santarém
Partilha de alimentos após a exibição do filme. Foto: Gilson Rego / CPT Santarém

Saiba mais sobre as atividades da Articulação das CPT’s da Amazônia.

por Ascom / Arquidiocese de Santarém
com informações da CPT Arquidiocesana e do G1 Santarém

Publicado no site da CNBB Regional Norte 2

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