Mobilização garante vitória em defesa dos povos do Cerrado no Piauí

A articulação de organizações sociais junto à comunidade garantiu a suspensão da ação de grileiros no território Grinalda do Ouro.

Por Coletivo de Povos e Comunidades Tradicionais do Cerrado do Piauí
Edição: Júlia Barbosa | Comunicação nacional da CPT

Desde o início de fevereiro, grileiros causaram desmatamento e destruição das fontes de água na comunidade Grinalda do Ouro, próximo à Gilbués, no Piauí. No dia 11/02, as famílias foram acordadas pelo som de tratores e árvores sendo derrubadas próximo às suas casas.

A ação foi de responsabilidade da Fazenda Ouro, de Pedro Lustosa do Amaral Hidasi, que possuía uma licença de operação concedida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) do Estado do Piauí para desmatamento, produção agrícola e outorga para captação subterrânea de água. 

Vegetação nativa foi destruída e moradores foram ameaçados com o uso de trator. Foto: Comunidade Grinalda do Ouro.

Na ocasião, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Coletivo de Comunidades Tradicionais do Cerrado no Piauí e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, que acompanham o conflito, se mobilizaram junto à comunidade para conter as ações da empresa. Segundo as entidades, a existência da licença ambiental não afasta a ilegalidade da ação.

As organizações afirmam que a invasão e o desmatamento ameaçam diretamente a vida de mais de vinte famílias que vivem tradicionalmente no território há gerações e que não foram consultadas ou sequer notificadas sobre a intervenção. Tais práticas violentam não apenas as famílias, como também o território e o Cerrado, ameaçando suas águas e a segurança hídrica da população.

A destruição das águas que banham o território Grinalda do Ouro sinaliza a insegurança hídrica e ameaça todo o Cerrado. Foto: Francisco – Comunidade Grinalda do Ouro.

A partir desta mobilização, foram suspensas licenças equivocadas dos órgãos ambientais que facilitaram a destruição. Essas decisões reafirmam a importância da organização coletiva em defesa dos territórios e do Cerrado. Mas é preciso que as licenças sejam definitivamente canceladas, que os danos ao meio ambiente sejam reparados e que o Estado garanta a segurança territorial das comunidades.

Além de evitar desmatamento e grilagem da água, é necessário reparar os danos causados pela lentidão da Secretaria do Meio Ambiente do Piauí para impedir a ação de grileiros. O Estado precisa adotar medidas eficazes e urgentes para garantir os direitos dos Povos do Cerrado em seus territórios e a preservação do bioma.

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