Carta da Articulação das CPT’s da Amazônia em apoio à ocupação dos povos do Baixo e Médio Tapajós

Unimos nossas vozes, caminhadas e esperanças à coragem dos povos do Baixo e Médio Tapajós, que fazem das águas sua trincheira de resistência. Foto: Tapajós de Fato
Unimos nossas vozes, caminhadas e esperanças à coragem dos povos do Baixo e Médio Tapajós, que fazem das águas sua trincheira de resistência. Foto: Tapajós de Fato

EM APOIO À OCUPAÇÃO DOS POVOS DO BAIXO E MÉDIO TAPAJÓS NA LUTA PELA DEFESA DOS RIOS TAPAJÓS, MADEIRA E TOCANTINS

Nós, da Articulação das CPT’s da Amazônia, unimos nossas vozes, nossas caminhadas e nossas esperanças à coragem dos povos do Baixo e Médio Tapajós que hoje fazem das águas sua trincheira de resistência. A luta tecida no Tapajós, no Madeira e no Tocantins é uma só: a defesa da vida, dos territórios e da Casa Comum. 

Para nós, rio não é “hidrovia”, não é “ativo financeiro”, não é mercadoria. Rio é sagrado, é vida, é dom de Deus confiado aos povos que dele vivem e cuidam.

Com profundo respeito às mobilizações protagonizadas pelos povos indígenas, expressamos nosso apoio à ocupação que reúne diversas etnias indígenas no porto da Cargill, em Santarém (PA).

Estar ali, diante de uma das maiores transnacionais de commodities do planeta, é denunciar a engrenagem que transforma o Tapajós em corredor de exportação, enquanto sacrifica modos de vida, soberania alimentar e memória ancestral.

Apoiamos a resistência contra a dragagem do Tapajós, que viola a Consulta Prévia, Livre e Informada (OIT 169), e exigimos a revogação do Decreto nº 12.600/2025 assinado pelo governo Lula, que impõe a inclusão dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização. Esse decreto, somado a projetos de hidrovias impostos sem diálogo, ameaça e atinge territórios onde comunidades enfrentam impactos acumulados do agronegócio, das barragens, da contaminação por mercúrio e da histórica negação de seus direitos.

A proposta de hidrovias e dragagens impostas, sem consulta e sem respeito, ameaça a soberania de quem cuida desse chão e dessas águas. Os rios são caminhos de fé e de sustento, eles não pertencem ao agronegócio!

Transformá-los em “corredores logísticos” para grandes corporações é impor uma lógica de morte que ignora que tudo está interligado. Se o rio adoece, o povo adoece. Se o rio é privatizado, o povo é expulso.

Esta luta expressa a Ecologia Integral que os povos já vivem: a certeza de que o rio não é recurso, mas re-existência. A Laudato Si’ reafirma que a água é dom sagrado, que não pode ser submetido à ditadura do lucro.

Privatizar rios para passar soja é ferir a Criação. Como lembra o Papa Francisco, não é possível defender a terra sem defender os que nela vivem.

Os clamores por “Tapajós, Madeira e Tocantins Livres” ecoam como anúncio e denúncia. São a profecia que nos convoca a defender a vida onde ela nasce.

Porque não há ecologia integral sem justiça para os povos e não há futuro para a Amazônia sem rios livres e povos livres.

Carta assinada pelas CPT’s da Amazônia
09 de fevereiro de 2026

Baixe a Carta neste link.

Durante a mobilização, os povos indígenas também bloquearam o acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém, como forma de pressionar ainda mais o governo e chamar à atenção de toda a sociedade para a luta em defesa do rio Tapajós. Foto: Tapajós de Fato
Durante a mobilização, os povos indígenas também bloquearam o acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém, como forma de pressionar ainda mais o governo e chamar à atenção de toda a sociedade para a luta em defesa do rio Tapajós. Foto: Tapajós de Fato

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