Nota Pública sobre escolha do Defensor Público Geral de Direitos Humanos

Participação da sociedade civil foi desconsiderada na seleção do Defensor Público, cargo chave para promoção dos direitos humanos no Brasil. Foto: Carlos Henrique Silva / CPT Nacional
Participação da sociedade civil foi desconsiderada na seleção do Defensor Público, cargo chave para promoção dos direitos humanos no Brasil. Foto: Carlos Henrique Silva / CPT Nacional

As entidades da sociedade civil organizada que participaram do processo eleitoral para a escolha do(a) Defensor(a) Público(a)-Geral de Direitos Humanos da Defensoria Pública da União (DPU) vêm, por meio desta nota, manifestar sua preocupação com a condução e o desfecho da segunda fase do referido processo.

As entidades participaram ativamente da primeira etapa da eleição, atendendo ao chamado institucional e exercendo, de forma legítima e responsável, o papel democrático que lhes foi atribuído. No entanto, causa estranhamento o fato de que, na segunda fase, a escolha final tenha recaído sobre um nome que não obteve votos das entidades sociais participantes, o que fragiliza, na prática, o sentido da participação social previamente convocada.

Tal situação se torna ainda mais sensível quando se considera que o próprio processo eleitoral registrou baixa participação das organizações da sociedade civil, o que evidencia desafios históricos da Defensoria Pública da União no estabelecimento de canais efetivos, amplos e permanentes de diálogo com os movimentos sociais e entidades de direitos humanos. Em vez de representar uma oportunidade de fortalecimento dessa aproximação institucional, o resultado final acaba por reforçar a percepção de distanciamento entre a DPU e a sociedade civil organizada.

A Defensoria Pública da União tem como missão constitucional a promoção e a defesa dos direitos humanos, a proteção dos grupos vulnerabilizados, o acesso à justiça e o fortalecimento da democracia, atuando como instituição essencial à função jurisdicional do Estado. Esses objetivos demandam escuta qualificada, diálogo contínuo e valorização concreta das organizações da sociedade civil, que historicamente constroem, defendem e monitoram políticas públicas de direitos humanos em todo o país.

Quando o posicionamento das entidades sociais que participaram do processo não se reflete na decisão final, consolida-se a percepção de que a participação social assume caráter predominantemente formal, e não plenamente substantivo na definição de cargos estratégicos voltados justamente à interlocução com a sociedade e à proteção de direitos fundamentais.

As entidades signatárias reafirmam que a Defensoria Pública da União fortalece sua missão institucional quando atua em sintonia com a sociedade civil organizada, reconhecendo-a como parceira legítima, crítica e indispensável na construção de uma instituição democrática, plural e comprometida com os direitos humanos.

Por fim, as organizações da sociedade civil defendem que os processos futuros sejam revistos e aprimorados, de modo a assegurar maior transparência, participação social efetiva e respeito às manifestações coletivas, fortalecendo a credibilidade institucional da DPU e sua conexão com aqueles e aquelas em nome de quem a instituição existe.

Reafirmam, ainda, que permanecem à disposição para o diálogo e para a construção coletiva da Defensoria Nacional de Direitos Humanos no próximo período, na perspectiva de seu fortalecimento institucional e de uma atuação cada vez mais comprometida com a democracia e os direitos humanos.

21 de janeiro de 2026.

Assinam:

  • Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – RENAP
  • Comissão Pastoral da Terra – CPT
  • Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas Por Hanseniase – MORHAN
  • Associação Nacional de Catadores (as) de Materiais Recicláveis – ANCAT

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