Moradores denunciam “caçada humana” e tiroteio no distrito de Tabajara, em Machadinho do Oeste (RO)

Moradores do distrito de Tabajara, em Machadinho do Oeste (RO), afirmam viver um clima de medo e cerco na região da fazenda Maroins. Segundo relatos colhidos na comunidade, uma “caçada humana” teria se intensificado na terça-feira (16), quando vizinhos dizem ter ouvido um forte tiroteio após a circulação de diversas viaturas pelas linhas próximas.
De acordo com os moradores, pessoas identificadas por eles como supostos policiais encapuzados e integrantes de grupos armados privados estariam patrulhando a área, impedindo deslocamentos e gerando temor de prisões e mortes. As denúncias também mencionam a atuação de milícias associadas ao movimento Invasão Zero, fazendo “segurança privada” na região vinculada ao grupo Di Gênio — informação que, segundo os moradores, precisa ser apurada pelas autoridades competentes.
Ainda conforme os relatos, dois vizinhos que trafegavam de motocicleta por uma das linhas foram abordados na tarde de terça-feira. Um deles, que teria ido arrancar mandioca para alimentar animais, foi preso e teve a moto apreendida. Os moradores dizem que ele estava desarmado, mas teria sido acusado de estar portando arma.
O segundo homem, segundo vizinhos, fugiu em desespero, abandonou a motocicleta — também apreendida — e foi perseguido por uma área de pastagem. Moradores afirmam ter ouvido mais de 80 disparos durante a perseguição. Ainda segundo esses relatos, ele não foi atingido nem capturado.


Projéteis encontrados e coletados pela comunidade. Moradores afirmam ter ouvido mais de 80 disparos durante a perseguição. Fotos: registros da comunidade
Durante a noite, um dos homens chegou a ser dado como desaparecido. Moradores relatam que, nas buscas, foi encontrado apenas um boné e dezenas de cápsulas deflagradas. Somente pela manhã, segundo a comunidade, ele foi localizado já preso no presídio de Machadinho do Oeste, após horas de apreensão entre vizinhos que temiam um desfecho pior.
O rapaz foi solto na noite desta quarta (17), mas segundo relatos de pessoas próximas, a situação está muito misteriosa e perigosa, porque a soltura foi realizada sem audiência de custódia, e sem uma garantia de segurança para a própria vida das famílias e da comunidade.
Os moradores também contestam a versão registrada em boletim policial. Eles afirmam que o local dos fatos é uma área de pasto, e não de mata fechada, e que as cápsulas deflagradas estariam concentradas na estrada onde ocorreu a abordagem. Vizinhos insistem ainda que nenhum dos dois homens possuía arma ou circulava armado.
As denúncias apontam, por fim, que o preso — apesar de, segundo eles, ter obedecido a ordem de parada e estar desarmado — passou a responder por acusações como porte ilegal de arma e disparo de arma de fogo, além de supostamente ter atirado contra policiais, o que a comunidade nega.
Ainda, a área da fazenda São Miguel, desmembrada da Fazenda Maroins, é uma das áreas de terras públicas da União que motivam a reivindicação de parte do imenso latifúndio para assentamento de reforma agrária.
O acampamento que existia nas proximidades, situado fora da área da fazenda, continuou sendo atacado e destruído por policiais no dia 05 de dezembro, segundo mostram fotografias realizadas no local.

Com informações da CPT Regional Rondônia e blog Terra de Rondônia
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