COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

A Via Campesina em todo o mundo saúda as trabalhadoras, urbanas e rurais, pertencentes a diferentes organizações com diversas formas de mobilização e ativismo, que resistem ao capitalismo e ao patriarcado, a se juntarem aos atos desse 8 de março. A CPT participa da organização de vários eventos e mobilizações pelo Brasil, confira:

 

Neste dia Internacional das Mulheres, as mulheres da Via Campesina, camponesas, indígenas, afrodescendentes, pescadoras, pastoras, mulheres em áreas urbanas e rurais, pertencentes a diferentes organizações com diversas formas de mobilização e ativismo, saudamos as trabalhadoras organizadas em todo o mundo, que resistem ao capitalismo e ao patriarcado. Neste ano de 2019 nos juntamos à greve feminista convocada por diferentes organizações feministas.

Prestamos homenagem às mulheres que participam de uma luta constante para acabar com a violência contra as mulheres e contra todas as formas de opressão da humanidade, mulheres que estão quebrando o silêncio da impunidade. Às mulheres que enfrentam a opressão estrutural do capitalismo, recusando-se a aceitar os padrões patriarcais enraizados na sociedade em que, a cada dia, são vítimas de violência, discriminação, exploração, opressão e assassinato. Estamos chamando-as a reafirmar a necessidade de colocar fim à violência capitalista e patriarcal contra as mulheres, através da nossa campanha de denúncia, renovada na VII Conferência Internacional da Via Campesina, realizada em Bilbao em 2017.

Avante mulheres!

A CPT participa da organização de diversos atos e mobilizações pelo Brasil, confira:

No Maranhão será realizado o II Encontro Regional de Mulheres do Campo, acompanhadas pela CPT, que terá início no dia 07 de março, e no dia 08 haverá um ato público no município de Coroatá. O Encontro segue, ainda, até dia 10 de março.

Em Roraima o Núcleo de Mulheres de Roraima está organizando uma mobilização no dia 8 de março com o tema "Pela vida das mulheres, Armas Não!", onde serão discutidas as violências contra a mulher e o impacto da flexibilização da posse de armas decretada pelo atual presidente. A partir de encontros e rodas de conversas desde janeiro a atividade foi proposta por um coletivo de mulheres do estado. A CPT, a Pastoral da Juventude e Cáritas, além de outras organizações, fazem parte da organização do ato. 

No Território de Irecê – Bahia - haverá uma grande marcha das mulheres no dia 8 de março. Várias organizações e movimentos sociais são responsáveis pelo ato.

Em São Paulo, na cidade de Promissão, no dia 10 de março será realizado o Encontro das Mulheres da Roça e da Cidade, com o tema “Políticas Públicas e a Previdência Social”, o evento é organizado pela CPT e pelas CEB’s.

Em Alagoas, serão realizadas atividades em 3 municípios no dia 8 de março:
• Delmiro Gouveia - as mulheres sertanejas do campo e cidade farão uma mobilização no centro da cidade, juntando MST, CPT, professoras e estudantes da UFAL entre outras.
• Arapiraca - as mulheres do agreste do estado se mobilizarão na segunda maior cidade do estado.
• Maceió - na capital do estado as mulheres do campo chegarão no dia 07 pela manhã e farão caminhada silenciosa até o INCRA, onde entregarão a Carta das Mulheres e distribuirão alimentos. Pela tarde, caminhada até a Secretaria de Segurança Pública para protestar contra as inúmeras violências contra as mulheres no estado. No dia 08, mulheres do campo e da cidade marcharão juntas até a comunidade Sururu de Capote, onde haverá doação de alimentos trazidos do campo.

Com o lema “Pela Vida das Mulheres, Somos Todas Marielle!” a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra relembram o legado de Marielle Franco, vereadora na cidade do Rio de Janeiro, lutadora e defensora dos Direitos Humanos. A Jornada marca a passagem do 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, a Reforma Agrária, o combate a violência às mulheres e denunciar o ataque à aposentadoria, proposta pela Reforma de Previdência do atual governo.

As camponesas do estado de Alagoas, que já montam acampamento na Praça Deodoro, no centro da Cidade de Maceió, seguem mobilizadas na capital, onde somam-se às mulheres trabalhadoras urbanas para o ato na manhã da próxima sexta-feira (08).

Confira abaixo a Carta das Mulheres Sem Terra de Alagoas:


CARTA DAS MULHERES SEM TERRA À SOCIEDADE

Embaladas pelos ares de março, pela beleza e colorido do nosso carnaval que trouxe a força e resistência do povo e fortalecidas pela indignação de vermos tantas injustiças e violências cometidas contra mulheres, sujeitos da diversidade sexual, homens, jovens, crianças, contra as negras/os e os pobres do nosso país, nós Mulheres Sem Terra ocupamos mais uma vez as ruas para exigir direitos e convocar a sociedade à luta com o lema: “PELA VIDA DAS MULHERES, SOMOS TODAS MARIELLE!”.

Vivemos um momento de retrocessos, retiradas de direitos e aprofundamento das desigualdades sociais e políticas, com o acelerado aumento da violência contra o povo pobre e negro, e principalmente contra as mulheres que são violentadas e assassinadas todos os dias, todas as horas, minutos e segundos.

Tudo isso vivido na pele pelo nosso povo é aprofundado com a permissão e ação do governo Bolsonaro, um governo neofacista e ultraliberal, que teve sua eleição viabilizada pelos meios de comunicação, pelo poder judiciário, pelos bancos, militares e pelo agronegócio. Por todos aqueles que roubam a vida e os sonhos da nossa gente, para garantirem seus privilégios, seus altos lucros e a apropriação das nossas riquezas com total subordinação aos interesses internacionais, principalmente dos Estados Unidos.

Assim DENUNCIAMOS e REPUDIAMOS:

1.         A brutal violência contra as mulheres e o povo

A violência contra as mulheres é alarmante e vergonhosa para uma sociedade dita civilizada. São muitas as formas desta violência: desde o Estado quando não garante políticas públicas de saúde e educação, trabalho, terra, moradia, crédito produtivo, aposentadoria... Até a violência física, cometida por homens covardes, que agridem, estupram e matam brutalmente meninas e mulheres... As Marias, Ritas, Amandas, Antônias, Marielles. BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA QUEM GERA VIDA!

2.         A destruição da previdência social

Tramita no Congresso Nacional a proposta do governo Bolsonaro de Reforma da Providencia, que mais uma vez penaliza o povo pobre e as mulheres. Uma proposta que não inclui a reforma da aposentadoria dos juízes, dos deputados e senadores e dos militares.

Uma reforma que atinge diretamente as mulheres, em especial as mulheres do campo, igualando a idade aos homens sem levar em consideração a dupla ou tripla jornada de trabalho da mulher. Aumentando a idade mínima para se aposentar e aumentando o tempo de contribuição.

Uma reforma que não tem a coragem de acabar com os privilégios de quem ganha altos salários com dinheiro do povo, e nem cobra as dividas das empresas que devem a previdência. A APOSENTADORIA É NOSSA, NINGUÉM VAI TIRAR ELA DA ROÇA!

3.         Os ataques à Reforma Agrária

A Reforma Agrária é fundamental para conseguirmos garantir trabalho e condições de permanência no campo para milhões de famílias Sem Terra.

É a possibilidade de termos a produção de alimentos saudáveis sem agrotóxicos – da macaxeira, da batata doce, do feijão que está na mesa do povo todos os dias.

O governo já anuncia medidas que aprofundam o desmonte e a paralisia da reforma agrária, desde cortes no orçamento, a suspensão de novos assentamentos, o enfraquecimento de programas como PAA e Assistência Técnica, até a reconcentração de terras com a privatização dos assentamentos e a tentativa de destruir e nos tirar o direito à educação.

Exigimos o fortalecimento do INCRA, com condições e recursos para fazer o seu papel. REFORMA AGRÁRIA JÁ PARA DISTRIBUIR A RIQUEZA E ENFRENTAR O AGRONEGÓCIO DESTRUIDOR DA NATUREZA E DA VIDA NO CAMPO!

Por fim, nos solidarizamos com as famílias do bairro do Pinheiro, exigindo ação efetiva dos governos municipal, estadual e federal, para a resolução da questão evitando assim um novo desastre causado por empresas com a conivência do Estado Brasileiro, aqui a Braskem, que de forma inconsequente exploram os bens da natureza se apropriando das nossas riquezas e ao povo fica a lama, a destruição, a morte. 

Lutaremos pela democracia, pela justiça, pela igualdade, pela defesa dos bens da natureza, pela democratização da terra, pela produção de alimentos saudáveis para alimentar o povo brasileiro e pela liberdade do companheiro Lula!

Mulheres Sem Terra em luta!

CPT – MLST – MLT – MST – MVT

Em Tucuruí, no Pará, será realizada uma Oficina sobre "Mulheres e Políticas Públicas". A atividade, organizada pela equipe da CPT, será no CC Jesus de Nazaré (rua João Pessoa, Jd. Colorado), a partir das 19h00.

Na região do Araguaia, em Porto Alegre do Norte (MT), a CPT Araguaia vai realizar no dia 8 de março, duas rodas de conversa, reunindo mulheres da cidade e do campo.

Hoje (7) em Teresina (PI), as mulheres camponesas do MPA, MST, MAB E FAF, iniciam as mobilizações na capital com o lema: “Mulheres na luta contra a violência por direitos, soberania e previdência e contra o feminicidio”. "Nós mulheres camponesas ligadas a vários movimentos sociais estamos em luta nesse oito de março contra a aguda violência sistêmica, capitalista e patriarcal praticada contra as mulheres do campo e da cidade e que ameaçam as diversas formas de vida, de produção, de trabalho e as economias camponesas. E nesse sentido, Teresina, mais uma vez é palco de luta das mulheres, do campo e da cidade, por isso nesse dia 7 iniciam as mobilizações com os temas da Regularização fundiária no Piauí. Que poderá permitir aos grileiros de terras públicas do Estado regularizarem em pouco tempo essas terras deixando condenados da terra milhares de famílias camponesas. Por isso os Movimentos da Via Campesina e a Fetraf estarão ocupando o INTERPI nesse dia 07 de março para dar continuidade aos diálogos de inserção dos pontos acordados pelos povos do campo das águas e das florestas, e que foram construído por 17 organizações em janeiro." - Via Campesina - PI.

ATOS NO PIAUÍ

  • Dias 07 e 08: Mulheres na luta contra a violência por direitos, soberania e previdência. Organizada pelas Camponesas do MPA, MST, MAB E FAF. Audiência com Interpi e SDR, as mesmas permanecem em acampamento e amanhã se juntam as mulheres da cidade em grande ato.
  • Dia 08: ATO CONTRA O FEMINICÍDIO (Marcha Unificada das mulheres) - Teresina-PI, organizada pela Frente Popular: Mulheres da sociedade, movimentos sociais do campo e da cidade se unirão às 16h na praça D.Pedro II em caminhada pelas ruas da cidade.
  • Dia 08: ATO PUBLICO EM DEFESA DOS DIREITOS DAS MULHERES, PELA MANUTENÇÃO DA DEMOCRACIA E DOS DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS:Acontecerá em União-PI, às 08h00, concentração na sede do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e caminhada pelas ruas da cidade.
  • Dia 22: MARCHA REGIONAL DAS MARGARIDAS: Organizada pela FETAG-PI; Em preparação à Marcha Nacional das Margaridas.
  • Dia 23: Encontro de Mulheres em União: NÃO A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, organizado pela CPT PI. Discussão sobre as violências sofridas pelas mulheres, sobretudo as do campo.

 

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