Há 5 anos, nove trabalhadores rurais foram executados por pistoleiros no Projeto de Assentamento Taquaruçú do Norte, em Colniza-MT. A impunidade em torno do massacre é denunciada em nota pública assinada pela CPT-MT e Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso.

Por Andressa Zumpano/CPT Nacional \ Imagens Caio Mota/Coletivo Proteja 

Um dos crimes mais bárbaros no campo mato-grossense ocorreu em 19 de abril de 2017, há cinco anos atrás, quando nove trabalhadores rurais foram executados por quatro pistoleiros encapuzados, a mando de um madeireiro da região, Valdelir João de Souza, conhecido como Polaco . 

Os agricultores trabalhavam no Projeto de Assentamento Taquaruçú do Norte, em Colniza-MT, quando foram surpreendidos pelo ataque, vitimando-os com tiros de calibre 12 e golpes de facão. O P.A era ocupado por cerca de cem famílias, que ficaram totalmente desassistidas pelo Estado após o massacre.

A cidade de Colniza já foi intitulada como "a mais violenta do Brasil" no ano de 2007, não obstante, dez anos depois, a ocorrência do massacre sinalizou o rastro de impunidade que se manteria até os dias de hoje. Em 2020, apuração da Repórter Brasil revelou que Valdeir,  o mandante do massacre, segue em liberdade e estaria criando gado em fazenda irregular e venderia a fornecedores de grandes marcas como JBS e Marfrig.

A impunidade em torno do caso foi denunciada hoje, em nota publicada pela Comissão Pastoral da Terra-CPT Regional Mato Grosso e o Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso-FDHT/MT. "O assassinato dos 9 trabalhadores rurais em Colniza não foi suficiente para que o Estado acordasse e resolvesse o conflito agrário existente na área, e hoje, a maioria das 100 famílias que lá viviam na época do massacre foram obrigadas a abandonar suas terras, suas casas, uma vez que a situação de violência e abandono por parte do estado segue latente", cita a nota.

Confira a nota na íntegra:

NOTA PÚBLICA: 5 anos da chacina de Taquaruçú do Norte – Colniza-MT, a impunidade segue imperando!

Hoje, 19 de abril de 2022, completam-se cinco anos do Massacre de Taquaruçú do Norte, município de Colniza-MT, onde 9 trabalhadores rurais foram assassinados com requintes de crueldade, sem ter chance de fuga ou defesa, por um grupo de extermínio a mando de um madeireiro. Cinco anos em que as famílias buscam punição para os culpados, além da devida reparação pela perda de seus familiares e a dor sofrida.

Contudo, a impunidade segue imperando, a exemplo da condução dos julgamentos que envolvem violências desse tipo. No caso do Massacre de Colniza, os executores e mandantes seguem em liberdade.

A Vida de pessoas pobres, que lutam por seu direito de acesso à terra, são vilipendiadas pelos governos municipais, estaduais e federal!  

A morosidade do judiciário contribui para que a impunidade continue sendo regra nos crimes que ocorrem contra as pessoas pobres do campo, em Mato Grosso, onde 146 pessoas foram assassinadas de 1985 até hoje, sem qualquer punição aos mandantes. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra – CPT, o estado também registra 13 vítimas de massacres no campo. 

O assassinato dos 9 trabalhadores rurais em Colniza não foi suficiente para que o Estado acordasse e resolvesse o conflito agrário existente na área, e hoje, a maioria das 100 famílias que lá viviam na época do massacre foram obrigadas a abandonar suas terras, suas casas, uma vez que a situação de violência e abandono por parte do estado segue latente.

Na data de ontem (18), em Brasília, a Comissão Pastoral da Terra-CPT, lançou a 36ª edição do “Conflitos no Campo Brasil 2021”, onde denuncia o “aumento de 75% nos assassinatos, mais de 1.000% nas mortes em consequência de conflitos”, assassinatos estes provocados por grileiros, garimpeiros, alguns fazendeiros e, inclusive, conflitos provocados pelo próprio governo. Somente na Amazônia Legal, onde se situa o estado do Mato Grosso, em 2021, foram 28 vítimas fatais da violência no campo. Em 2020, quase 1 milhão de pessoas estiveram envolvidas em conflitos no campo, maior número desde o ano de 1985.

A Comissão Pastoral da Terra-CPT Regional Mato Grosso e o Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso-FDHT/MT reafirmaram seu compromisso na luta por justiça, terra, trabalho e vida digna, denunciando a violência e impunidade existente no campo, em Mato Grosso. Cobram do Executivo e do Judiciário o cumprimento de sua responsabilidade de garantir acesso da população às oportunidades de trabalhar na terra com segurança e liberdade. Que os executores e mandantes sejam punidos imediatamente por este crime bárbaro.

Seguimos gritando:

Izaul Brito dos Santos, Presente!!

Ezequias Santos de Oliveira, Presente!!

Samuel Antônio da Cunha, Presente!!

Francisco Chaves da Silva, Presente!!

Aldo Aparecido Carlini, Presente!!

Edson Alves Antunes, Presente!!

Valmir Rangeu do Nascimento, Presente!!

Fábio Rodrigues dos Santos, Presente!!

Sebastião Ferreira de Souza, Presente!!

 Comissão Pastoral da Terra-CPT Regional Mato Grosso e Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso-FDHT/MT
Cuiabá-MT, 19 de abril de 2022.