COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

 

 

 

Vítima estava em posto de lavagem de carro quando foi atingido pelos disparos. Camponês era de Ariquemes e estava na capital para reunião no Incra.

 

(Texto e imagem: Toni Francis, G1 Rondônia)

Um homem de 44 anos foi assassinado na tarde desta quinta-feira (6) na Zona Sul de Porto Velho. A vítima é um dos líderes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari.

Segundo a Polícia Militar (PM), o camponês estava em um posto de lavagem de veículos, na esquina das ruas Algodoeiro com Viçosa, no bairro Conceição, quando foi surpreendido por dois homens que estavam em um carro preto.

Testemunhas afirmaram aos PMs que a vítima estava sentada em uma cadeira, aparentemente aguardando a vez de lavar o veículo, quando os suspeitos chegaram. O camponês tentou correr, mas foi alvejado e, depois de cair, foi executado com um tiro na nuca. “Foi o tiro de misericórdia, vieram só pra matar ele”, comentou um morador que diz ter ouvido seis disparos de arma de fogo.

A mulher do camponês descarta a possibilidade de que o marido estivesse esperando para lavar o carro. “Lavamos o carro ontem (quarta-feira)”, afirmou. Segundo a polícia, no local onde aconteceu o crime, foram encontradas capsulas de pistola calibre 9 milímetros. Nenhum suspeito foi identificado.

O militante, a esposa e outras três pessoas estavam em Porto Velho para participar de uma reunião com o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Cletho Brito. Segundo a esposa, o camponês deixou a reunião para tratar de negócios. “Não sei quais negócios nem com quem ele iria conversar”, declarou a mulher da vítima ao G1.

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O superintende do Incra, que prestou apoio à esposa da vítima, diz que os camponeses vieram à capital para acompanhar o andamento de alguns processos relacionados aos assentamentos em todo o Estado. “Desde às 9h da manhã desta quinta-feira estamos reunidos para prestar esclarecimentos aos membros do Movimento Sem Terra (MST) e LCP sobre o encaminhamento dos processos relacionados às áreas de assentamento”, explica Cletho Muniz de Brito.

Segundo a mulher da vítima, é possível que o crime esteja relacionado com a disputa por terras na região de Ariquemes. “Tem um fazendeiro que anda nos ameaçando naquela região”, salienta. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios.

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